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sábado, 13 de março de 2010

TEXTO 55 - BALANÇO DOS TORNEIOS NA RÚSSIA.

Após três semanas num freezer a céu aberto, aproveitei (Giovanni Vescovi) os primeiros dias desde minha volta ao Brasil para ficar com a família, rever amigos, curtir um pouco o calor, tomar uma cerveja gelada, etc – enfim, descansar um pouco, já que ninguém é de ferro. Assim sendo, deixo aqui um mea culpa pelo atraso na atualização do blog.

Jogar em Moscou é sempre interessante, apesar do frio. Acho que a última vez que joguei por lá foi em 2004 após a vitória no Torneio de Bermudas. Este ano estava bem mais frio, muito em razão do vento gelado. O problema nunca é a temperatura que o termômetro marca (entre -10C e -20C), mas a sensação, já que às vezes ela pode cair para -30C. Eu não tinha como deixar de lembrar que o freezer de casa é mais quente...

No post anterior eu fiz uma avaliação sobre a participação no Moscow Open, e agora farei sobre o Aeroflot Open, que a meu ver é o torneio aberto mais forte do mundo, já que no grupo A1 o rating mínimo é de 2550 (salvo algumas exceções autorizadas pela organização).

Na primeira rodada implementei a novidade utilizada em Aronian-Gelfand e Akopian-Harikrishna, ambas jogadas no fatídico Mundial por Equipes em janeiro na Turquia. Meu adversário, o GM Pavel Maletin estava preparado e jogou corretamente Tad8. Seu erro foi evidentemente Cg4, permitindo que as brancas tomassem a iniciativa. Salvo algumas leves imprecisões, joguei bem, conseguindo impedir que o rei preto voltasse a g8 no final de dama e cavalo.

Contra Khalifman pela segunda rodada resolvi arriscar uma defesa mais agressiva, mas meu adversário jogou o sistema com g3 contra a Defesa Grunfeld e se viu forçado a repetir lances para não cair em desvantagem posicional. Empate. Na terceira rodada joguei contra o jovem Sanan Sjugirov, finalista do campeonato russo de 2009. No tabuleiro busquei uma ideia nova com Cb5 rápido, mas ele se defendeu com precisão e após ...Cd6 com ideia de ...Cf5 as pretas igualaram totalmente.

A partida contra Khairullin foi boa. Logo na abertura sacrifiquei um peão intuitivamente com o avanço ...c5. Meu adversário ofereceu o empate após Txc1, numa posição equilibrada, mas cheia de possibilidades. Eu recusei, mas me empolguei com o avanço ... c4 – era melhor simplesmente desenvolver mais peças. Depois gastei muito tempo para avaliar uma troca de duas peças por torre e peão. Uma decisão correta, embora o computador não entenda. Meu adversário não soube jogar da melhor forma e aos poucos melhorei minha posição. O erro foi no lance 38, quando eu devia ter jogado primeiramente ...a6 e após b5 deixar meu peão em a5. Na partida a vantagem não era suficiente para ganhar.

Na quinta rodada escolhi muito mal a abertura contra a India do Rei com ...c5. Tanto que pelo menos me preparei melhor e derrotei McShane três rodadas mais tarde. Podia ter recusado a proposta de empate feita por meu adversário, mas objetivamente eu deveria contar com muitos erros para ter esperança de algo. Há uma partida antiga de Kasparov (com pretas), acho que contra Tukmakov, que também empatou por volta do lance 20 na mesma linha inócua.

Na sexta rodada a partida contra Romanov foi a mais interessante de meu torneio. Para variar, não conhecia a abertura, e gastei muito tempo para elaborar a manobra de Ta7, e depois para descobrir que não conseguiria agir na ala da dama e me decidir pelo plano de Ce8-d6. Com pouco tempo no relógio para o primeiro controle no lance 40 eu precisava tomar todo o cuidado. Meu adversário é um jogador agressivo e veio com um plano que eu nem imaginei com f4, e g4. A situação parecia crítica mas encontrei uma boa defesa e após o apuro meu adversário ofereceu empate após o lance ...Bd2 das pretas. Objetivamente é empate, mas às vezes o lado defensor se descontrola e foi esse o caso. O final de torres foi instrutivo. Durante a partida eu sentia que ele deveria ficar com uma defesa passiva, mas ele tentou forçar os acontecimentos com Th8, e então eu calculei melhor (Rg3 e Tg4+).

Com +2 eu estava a meio ponto dos líderes e jogava de brancas com Savchenko. Na base vi que ele quase nunca jogava Semi-Eslava e então resolvi tentar aplicar meus estudos sobre a partida Anand-Leko. No entanto, meu adversário jogou com Bf8, o que era assunto não estudado por mim. Ele não devia estar preparado, pois gastara muito tempo (eu tinha 1 hora de vantagem no relógio). Mas não joguei o óbvio a4 ao invés de e5 e esse detalhe faz toda a diferença. O problema dessas posições agressivas é que você não pode se basear em conceitos técnicos. Fiquei muito chateado em desperdiçar esta oportunidade.

No dia seguinte tive uma partida fácil contra McShane. Ele tentou me surpreender com um lance antigo, mas forcei uma estrutura Maroczy, o que não combina com o estilo agressivo e criativo do inglês. Ele não se segurou e fez um plano estrategicamente comprometedor com ...f5. O momento mais trabalhoso foi no lance 40, quando eu precisava decidir entre um final de torres com peão a mais e com a torre apoiando por trás, ou ficar com uma peça a mais. Tecnicamente acho que minha decisão foi a mais correta.

Na última rodada eu joguei de pretas contra o chinês Zhou Jianchao, que havia derrotado Kamsky e que havia feito uma bela novidade teórica com sacrifício de dama numa Eslava Botvinnik na segunda rodada. O empate não seria ruim, pois ficaria entre os 10 ou 15 primeiros, e uma vitória seria sensacional, pois ficaria empatado na terceira posição. Resolvi jogar algo sólido e deixar meu adversário se expor. Mas ele jogou muito bem e explorou minha falta de paciência quando joguei ...c5. Eu ainda tinha algumas esperanças no final após o apuro, mas ele calculou bem e destruiu minha fortaleza. Como meu desempate era um dos piores (partidas jogadas de pretas!), fiquei atrás de jogadores que na maior parte do torneio ficaram abaixo do 50%.

De um modo geral acho que foi um resultado mediano e que poderia ter sido melhor. Tecnicamente joguei melhor que nos torneios anteriores, mas ainda tive dificuldades nas aberturas, dessa vez principalmente de brancas. Também foi bom para desenferrujar um pouco mais após o longo período fora do circuito de grandes torneios internacionais. Espero estar em forma até o meio do ano.


FOTO 48 - EX-CAMPEÃO MUNDIAL BORIS SPASSKY VISITOU O TORNEIO CRÉDITO DE IMAGEM: RUSSIAN CHESS FEDERATION.

O World Blitz Qualifier.

No dia 18 foi realizado um super torneio aberto de blitz, sistema 3 minutos mais 2 segundos de acréscimo. Terminei junto com Sargissian, Smirin e Naiditsch, mas não fui bem, apesar de ter tido algumas oportunidades. Perdi duas partidas contra Andreikin com qualidade a mais em ambas na sétima rodada, o que me desanimou, pois ainda tinha chances de lutar por uma das seis vagas. A verdade é que esse torneio era muito forte, pois além dos participantes do grupo A1 do Aeroflot entraram outros “capivaras” como Mamedyarov, Elyanov, Karjakin, Bologan, Tkachiev etc.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://espnbrasil.terra.com.br/giovannivescovi

TEXTO 54 - Ivanchuk sofre, mas vence o XI Aberto da Festa da Uva.

FOTOS: 46 E 47.
Neste final de semana, dias 06 e 07 de março, foi realizado um grande evento internacional na cidade da serra gaúcha de Caxias do Sul, em comemoração a sua tradicional Festa da Uva. Foi uma experiência interessante participar deste que sem dúvidas é o torneio mais atípico que já vi. Até agora ainda não sei bem que adjetivos atribuir ao torneio, já que se de um lado foi uma maratona exaustiva com 9 rodadas em apenas dois dias, por outro lado certamente foi uma grande diversão para o público e amadores, tendo em vista o formato da disputa.

A primeira peculiaridade foi a adoção de diferentes ritmos de jogo num mesmo torneio. É verdade que na Copa do Mundo temos tie-breaks de partidas rápidas, relâmpago e armaggedon. Mas na Copa do Mundo esses são ritmos de desempate, e quem conseguir pode rumar ao título apenas com partidas tradicionais. Mas na Festa da Uva a história é outra: joga-se duas rodadas com 16 minutos KO, depois mais duas rodadas com 30 minutos KO, e por fim as últimas 5 rodadas são jogadas com 1 hora KO.
Para quem acha que essa inovação é chocante, espere para ouvir a segunda peculiaridade: nas duas últimas rodadas empates não contam!!! Se a partida empatar no ritmo normal, joga-se um tie-break morte súbita estilo armaggedon – as pretas jogam com 5 minutos e as brancas com 6, mas a vantagem do empate é das pretas.

Há o lado bom e o lado ruim dessas novidades, embora seja muito difícil para um jogador mudar de ritmos e sistemas de disputa a cada torneio. O fato é que o pessoal da região aproveitou a oportunidade e compareceu em peso: foram 292 participantes, o que coloca este entre os principais torneios do calendário nacional (pena que é um evento bienal).

E esta foi com certeza a edição mais forte do evento, pois contou com a presença dos principais nomes do xadrez nacional – GMs Rafael Leitão (que defendia o título de 2008), Giovanni Vescovi, Gilberto Milos, Henrique Mecking, André Diamant, os Mis Krikor Mekhitarian, Herman Claudius, Everaldo Matsuura, etc – bem como fortes GMs e Mis estrangeiros (Ulf Andersson, Andrés Rodriguez, Sandro Mareco) e um dos jogadores mais admirados do mundo, o GM ucraniano Vasily Ivanchuk.

No final das contas Ivanchuk confirmou seu favoritismo, mas não sem sofrer muito, principalmente após sua derrota contra Gilberto Milos, que saiu aplaudido do salão de jogos pela façanha. Milos jogou um excelente torneio e merecia o título: derrotou os GMs Ivanchuk e Mequinho, empatou com Leitão e perdeu apenas para o GM argentino Diego Flores numa partida onde tinha uma vantagem gigantesca e se confundiu no apuro de tempo. O maior sufoco de Milos foi na terceira rodada contra o médico gaúcho Antonio Crespo, mas... dizem que a sorte acompanha os bons!

Milos,G (2606) - Ivanchuk,V (2748) [B85]
Festa Da Uva Caxias do Sul BRA (6), 06.03.2010.

1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 a6 6.Be2 e6 7.0–0 Be7 8.f4 0–0 9.Rh1 Dc7 10.a4 Cc6 11.Be3 Te8 12.Bf3 Tb8 13.g4 Cd7 14.g5 b6 15.Bg2 Bb7 16.Dg4 Bf8 17.Tad1 Cb4 18.Td2 g6 19.Cde2 Tbc8 20.Tfd1 Cc5 21.Bg1 Bc6 22.b3 Db7 23.Df3 d5 24.exd5 Cxd5 25.Cxd5 Bxd5 26.Txd5 exd5 27.Cc3 d4 28.Dxb7 Cxb7 29.Bxd4 Cd6 30.Cd5 Bg7 31.Bxb6 Txc2 32.Ce3 Tc3 33.Txd6 Txb3 34.Bd5 Tb4 35.f5 Bf8 36.Tf6 Te7 37.fxg6 hxg6 38.Txg6+ Rh7 39.Tc6 Txb6 40.Txb6 Txe3 41.Bxf7 a5 42.Bb3 Tc3 43.Rg2 Bb4 44.Bd5 Te3 45.h4 Be1 46.h5 Tg3+ 47.Rf1 Txg5 48.Be4+ Rh8 49.Rxe1 Te5 50.Th6+ Rg7 51.Tg6+ Rf7 52.Tg4 1–0


MILOS DERROTA IVANCHUK.

Ivanchuk venceu mais pela simpatia e por ser um dos semi-deuses do Olimpo do xadrez do que realmente pelos lances no tabuleiro, o que mostra que nem mesmo para esses pesos-pesados é fácil atravessar o planeta e jogar com adversários diferentes. Talvez seja necessário levar em consideração a jogada duvidosa do ucraniano dias antes do torneio, ao adormecer tomando sol na piscina do hotel...

Outro brasileiro que ia bem era Rafael Leitão, que na última rodada jogava contra o argentino Sandro Mareco pelo título do torneio. Mas o destino não lhe sorriu e ele foi uma das vítimas do fatídico armaggedon. Provavelmente Rafael tenha sido o jogador mais firme do torneio, pois não ficou mal em nenhuma partida e não teve que contar com a sorte em nenhum momento.

Eu terminei o torneio invicto, mas acabei cedendo três empates no meio do torneio o que dificultou a luta por uma colocação melhor. No segundo dia meu xadrez foi melhor e joguei uma boa partida com o MI uruguaio Bernardo Roselli. Na última rodada errei na abertura mas me defendi bem contra Andre Diamant e tivemos que disputar um tumultuado desempate.

Armaggedon

No calor da disputa ninguém se deu ao trabalho de pedir à organização um jogo de peças mais pesado e um relógio digital e isso foi um problema que comprometeu a justiça do resultado. As peças escorregavam muito e em um par de ocasiões tive que pedir ao adversário que as ajeitasse. Mas o problema crucial foi relativo ao relógio: a certa altura o relógio das brancas (Diamant) parou de andar.

Reclamei ao árbitro, deu-se corda no relógio rapidamente (afinal era um relâmpago e meu adversário ganhava segundos preciosos para pensar na sua jogada seguinte) e a partida continuou. Instantes mais tarde, já num final empatado de dama e dois peões para cada lado, novamente o relógio de meu adversário deixa de correr. Indignado e sem outras opções, exigi a troca do relógio. Agora o protesto vinha de meu adversário: como trocar o relógio a essa altura, e ainda mais como saber exatamente quantos segundos restavam para cada lado? Já não se falava mais em xadrez, e era evidente que as brancas utilizariam o regulamente e jogariam a dama para lá e para cá até fazer a seta das pretas cair.

Trocado o relógio a partida continuou com as brancas tendo pouco mais de meio minuto e as pretas por volta de 15 segundos. Para confundir meu adversário resolvi entregar um peão, o que curiosamente acabou sendo bom, pois a dama branca ficou mal posicionada e as pretas passaram a dar xeque perpétuo. Mas isso pouco importava, afinal não se pode reclamar as regras de empate em relâmpago (embora a leitura do Apendice das Leis do Xadrez no Handbook da FIDE não seja clara). De todo modo, ganharia quem fosse mais rápido no gatilho, e por estar com o relógio à minha direita acabei sendo eu.

Essa tremenda confusão deixou ambos os jogadores com uma terrível sensação de injustiça: quanto tempo o relógio deixou de funcionar, quanto tempo a mais para refletir meu adversário teve nas duas interrupções, será que nenhum dos lados foi prejudicado ou favorecido na troca do relógio? São perguntas sem respostas. A tecnologia veio para ajudar, e nada disso teria acontecido com um bom relógio digital. Mas pelo menos o público se divertiu...

Classificação final:

1. Vasily Ivanchuk 8,0
2. Sandro Mareco 8,0
3. Gilberto Milos Jr. 7,5
4. Krikor Mekhitarian 7,5
5. Giovanni Vescovi 7,5
6. Rafael Leitão 7,0
7. Henrique Mecking 7,0
8. Diego Flores 7,0
9. Bernardo Roselli 7,0
10. Everaldo Matsuura 7,0



IVANCHUK, VENCE NO BRASIL.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://espnbrasil.terra.com.br/giovannivescovi

TEXTO 53 - Aconteceu em Dresden... Olimpíadas de Xadrez 2008 – Alemanha.

O que falar das olimpíadas de Dresden?! Eu nem estava lá... E foi pensando nisso que disse: “Felipe, tire o maior número de fotos possíveis!”. E adivinhem?! Ele tirou impressionantes 3 (TRÊS! TRÊS!) fotos! (sendo que ele aparece só em uma – e nada tem haver com xadrez!). O que eu faço?! Mando matar?!


Voltado ao assunto (se é que eu sai dele alguma vez), na época pensamos até em fazer uma cobertura diária, partida por partida, mas enquanto o senhor Felipe El Debs comia schucrutes em um hotel com diária em torno de 500 dólares, nós estávamos batendo peças no interior de São Paulo, nos Jogos Abertos - alojados em uma escola de ensino fundamental e acordando com o aprazível sol das 9 horas (é nessa hora que o sol fica insuportável - e é quase impossível continuar fingindo que a luminosidade que você estava "sentido" é igual aquela quando sua mãe abre a porta do seu quarto). Portanto, isso ficou impraticável.


Novamente, voltando ao assunto (agora me pergunto: não seria a falta de assunto?!), nem foi a ausência de comunicação como o Felipe que atrapalhou falarmos das Olimpíadas, pois conversávamos com ele todo dia, depois das rodadas de Dresden. E ele sempre perguntava alguma coisa de preparação para o Vivaldão (sim, sim... Não tem cabimento!).

O que eu quero dizer é: tirando o fato de que ele viu muita coisa interessante como: a cara que o Radjabov fez quando abandonou contra Van Wely – para alegria do Sigrist; os seguranças do Krammink; o dedo de prosa que teve com o Topalov; a decepção com a vitória do Carlsen na primeira rodada – sim, os Tops também enrolam!; é difícil extrair mais alguma coisa... Mas, enfim, vamos tentar.

Portanto, segue, abaixo, a matéria publicada no jornal de Matão “A Comarca” sobre as Olimpíadas de Dresden (qualquer semelhança com o texto sobre o mesmo, que se encontra no Blog do MI Disconzi, é mera coincidência – singularidades modernas! Sem direitos autorais, certo?! Desculpe mestre, é que na correria de mandar a matéria para o Jornal, bem, sabe como é...):

“Entre os dias 12 e 25 de novembro, aconteceu, em Dresden, (Sajonia, Alemanha) a 23ª Olimpíada de Xadrez. Participaram da competição 156 equipes de 152 nações distintas – apresentando, em sua grande maioria, os melhores jogadores de seu país. "A vitória ficou nas mãos da fortíssima equipe da Armênia. Aliás, sagraram-se bicampeões, a frente de Israel, Estados Unidos, China e da temerosa equipe da Rússia, que obteve apenas uma modesta quinta colocação", reporta Leonardo Vivaldo, diretor do Clube de Xadrez de Matão (CXM).

"A China também faz muito bonito nos tabuleiros, a exemplo dos esportes disputados em Pequim. Já faz algum tempo que a Rússia não possui mais a hegemonia enxadrística, como ocorreu durante praticamente todo o Século 20. Contudo, vale lembrar: com exceção da China (na verdade, se pensarmos bem, também não é uma exceção, muito pelo contrário), todas as dez primeiras colocadas tinham algum vínculo com a antiga União Soviética: ou são países que faziam parte dela ou seus jogadores são formados por expatriados da mãe Rússia. Curiosamente esse é o caso dos Estados Unidos, por exemplo, que conta com os seguintes 'americanos': Gata Kasmky e Alexander Onichuk. Stálin deve estar se revirando no túmulo...", comenta Leonardo.

A equipe brasileira - que terminou em uma honrosa 58ª colocação, atrás do Paraguai, mas a frente da Argentina - contou com dois Grandes Mestres: Jayme Sunye e Darcy Lima (ex-presidente da Confederação Brasileira de Xadrez - CBX); dois Mestres Internacionais: André Diamant (o mais novo da equipe, com apenas 18 anos) e Cícero Nogueira Braga - que já defendeu a equipe de xadrez de Matão na década de 90 - e por fim, o Mestre Fide - mas já MI por direito: o matonense Felipe de Cresce El Debs.

"Por si só, esse fato já seria histórico: é a primeira vez que um integrante da equipe matonense disputa o mais importante torneio de xadrez do mundo. Contudo, mais que isso, Felipe - atualmente o 14° maior Ranting do xadrez brasileiro; e que recentemente conseguiu a obtenção do Título de Mestre Internacional -, fez uma participação brilhante - para afirmar o mínimo - somando 8 pontos em 10 possíveis. Ele deixou de jogar apenas uma rodada - a primeira -, pois havia perdido o crachá que permitia acesso ao salão do torneio! O Felipe fez um Ranting performance de 2.590 pontos - além de somar mais 19 pontos de Ranting - realizando assim, não apenas uma norma de Grande Mestre, mas sim duas!", relata Leonardo.

"Acontece que o peso de uma norma, em Olimpíadas, é dobrado. Os títulos de Mestres são divididos pela Fide em três categorias: Mestre Fide, MI e GMI. Enquanto o título de Mestre Fide é conquistado apenas quando o jogador atinge uma pontuação superior a 2.300 pontos de Ranting Fide, os títulos de MI e GM são conquistados somente depois que o jogador consegue realizar no mínimo três 'normas', ou seja: jogar um número 'x' de partidas contra jogadores que já tenham o título; e conseguir 50%, ou mais de pontos contra esses jogadores. Para cada torneio que o jogador atinge essa média, é computada uma 'norma'", explica.

Leonardo lamenta a falta de três GM´s Brasileiros: Rafael Leitão, Gilberto Millos e Giovanni Vescovi. "Eles ficaram disputando os Jogos Abertos do Interior de São Paulo. Muitos enxadristas podem achar um absurdo trocar Dresden pelo Interior Paulista, mas é necessário compreender que a maioria dos enxadristas profissionais no Brasil tem como principais fontes de renda os patrocínios das Prefeituras. E os Jogos Abertos é o subsídio do patrocínio. Além disso, os jogadores podem contar com patrocínios privados, aulas particulares, premiação de eventos (ainda que, muitas vez, escassos – mas já se melhorou muito!), cachets por participação em torneios fechados (limitados), simultâneas (ocasionais), cursos e palestras", coloca.

"Contudo, a CBX agiu bem em se preocupar logo no início do ano com a formação da equipe, permitindo tempo para que os jogadores pudessem treinar, se prepararem fisicamente, técnica e psicologicamente, montando uma agenda de participação em eventos durante o ano. Em edição anterior também houve a feliz idéia de reunir a equipe olímpica com o treinador russo Mark Dvoretzky. E, claro, não podemos esquecer que a CBX cobriu todos os custos da viagem a Dresden", frisa Leonardo.

No final desse ano, El Debs ainda deve se preocupar em sanar seus compromissos acadêmicos - é estudante de Economia na Fundação Getúlio Vargas (FGV) - e voltar a tempo para comemorar seus grandes feitos com os colegas enxadristas de Matão. "Vale lembrar que ele presenteou o amigo Fernando César Frare com uma garrafa de Absinto e eu com uma garrafa de Vodka", sorri Leonardo.

"Sinceramente, não estava entendendo muito bem o que era participar de uma Olimpíada de Xadrez. Parecia mais uma viagem como outra qualquer – como ir para os Jogos Abertos - só que de avião. Mas, chegando lá, vendo todo aquele pessoal que só ouvíamos falar – mais o lugar em si – tudo muda! Foi uma experiência fantástica! Com certeza, um dos maiores prazeres enxadrísticos que já tive", resume El Debs, que nascido em São Carlos, é considerado Matonense nato pelo CXM.”

Seguindo, para não perdermos as fotos que foram enviadas pelo mestre El Debs, façamos, portanto, uma breve reconstituição dos fatos (quais serão as três fotos verdadeiras e quais são montagens?! Tentem descobrir!):


Para finalizar: abaixo duas partidas do MI Felipe El Debs, com comentários gentilmente cedidos (sem saber!) pelo MI Rodrigo Disconzi (em caso de processos, entre em contato com José Roberto de Oliveira Júnior – o Tekinho).


(nota: na segunda partida, como todo o respeito, deixei alguns comentários meus que vão com a marca LV)

Danielsen, Hen (2492) - El Debs, Felipe (2447) [A07] 38th Olympiad Dresden GER (5), 17.11.2008


1.g3 d5 2.Cf3 Cf6 3.Bg2 c6 4.d3 Bg4 5.0–0 [Brancas poderiam retardar um pouco o e5 preto 5.b3 Cbd7 6.Bb2 e6 7.Cbd2 Bd6 mas cedo ou tarde e5 viria.]


5...Cbd7 6.h3 [Para um possível g4 no futuro]

6... Bh5 7.Cbd2 e5 8.e4 dxe4 [outra opção seria não tomar em e4, para não ceder a casa c4, mas o centro preto seria minado. 8...Bd6 9.exd5 (9.c3 0–0 10.Dc2 Te8 11.Te1 a5 12.a4 Db6 13.Cb3 Tad8 equilibrado)


9...cxd5 10.c4 0–0 (10...d4 teria uma estrutura Benoni invertida.) 11.cxd5 Cxd5 complicado.] 9.dxe4 Bc5 [9...Be7 Seria outra opção, deixando a casa c5 livre para a manobra Cc5-e6-d4. 10.a4 Para ganrantir o uso da casa c4. 10...a5 11.De2 0–0 12.b3 Te8 13.Bb2 Dc7 14.Tfd1]


10.De2 [Mais jogado é 10.De1 com planos de Ch4-f5 ou f4.]


10... 0–0 11.Td1 [11.g4 Bg6 12.Ch4 Te8 para ocupar a casa f4. 13.Cf5 Cf8 14.Cb3 Bb6 15.Bg5 Ce6 16.Tad1 Dc7 17.Be3 Cf4 0–1 Camara,H (2320) -Vaganian,R (2545)/São Paulo 1977/EXT 98 (55)]11... Dc7 12.a4 a5 13.b3 [13.Cb3 Bb6 14.Be3=]

13...Tfe8 14.Bb2 Cf8 15.Cc4 C6d7 16.Ce3 [16.Bc3 f6 17.Td2 b5 (17...b6) ]



16...Ce6 17.Cf5 [17.Cc4 Cd4]

17...Tad8 18.Td3 f6 19.Tad1 Cdf8 20.Bc3 b6 21.T3d2 Cg5 22.h4 [Debilita um pouco a ala do rei, mas alivia a pressão do Cg5 e permite Bh3]


22...Cge6 23.Bh3 [a posição das pretas já atingiu seu limite de reforço e ajustes, não há muito o que fazer]

23...Txd2 24.Txd2 Td8 25.Rg2 Txd2 26.Dxd2 Dd8 27.De2 [27.Dxd8= devido a posição embolada das peças na ala do rei, brancas deveriam se contentar com a igualdade.]


27... Bf7 28.Bg4 h5 29.Bh3 Cg6 30.Rh2 Ce7 31.Bg2 Dd7 32.Bh3 Cxf5 33.Bxf5 g6 34.Bh3 Dd6 35.Bf1 Rg7 36.Rg2 Bb4 37.Bb2 Dd7 38.Rg1 Bc5 39.Bc3 Dd6 40.Dd3 De7 [parecia tentador 40...Dxd3 41.Bxd3 Bb4 mas 42.Bxb4 (42.Bb2? Cc5–+) 42...axb4 43.Bc4 Cc5 44.Bxf7 Rxf7 45.Cd2=]


41.Bh3 Bb4 42.Bxb4 axb4 43.Bxe6 [43.Bf1; parece mais ativo 43.Da6!? Dd8! (43...Dc5 44.Db7÷) 44.Bxe6 (44.Db7? Cc5–+; 44.Bf1 Dd1µ) 44...Bxe6÷]


43...Bxe6 44.De3 c5 45.Cd2 Dd6 46.Rg2 Dd8 47.f4!? exf4 48.gxf4 Bc8 49.Rf2 Bb7 50.Cf3 Dd1!? [Buscando jogo. 50... De7 51.e5 fxe5 52.Dxe5+ Dxe5 53.fxe5 Be4 54.Ce1 Rf7 55.Re3 Bf5=]



51.Dd3 Dxd3 52.cxd3 Bc8 53.d4 cxd4 54.Cxd4 g5! 55.Rg3 gxh4+!? [desequilibrando a partida. 55... g4 56.f5=]


56.Rxh4 Bg4 57.Rg3 Rf7 58.Rh4 Bd1 59.Rg3 Re7 60.Rh4? [60.e5!= era essencial para bloquear o rei preto]


60...Rd6 61.Rg3 Rc5 62.Ce6+ Rd6 63.Cd4 Bg4!–+ [E o bispo domina o cavalo. Excelente técnica de finais de Felipe]



64.Cb5+ Rc5 65.Cc7 Rd4 66.Cd5 [66.e5 fxe5 67.fxe5 Rxe5 68.Ca6 (68.Ca8 Rd4 69.Cxb6 Bd1 70.a5 Rc5 71.Rh4 Bxb3 72.Rxh5 Rb5 73.Cc8 Bd5–+) 68...Bd1 69.Cxb4 Bxb3 70.a5 bxa5 71.Cc6+ Rf6 72.Cxa5 Bd5–+ cercando o cavalo; 66.Ca6? Rc3–+]


66...f5?! [lance natural e que a posição parece pedir. [mais exato seria 66...Bd1 67.Cxf6 Bxb3–+]



67.Cxb4? [A melhor defesa era difícil de notar 67.Cxb6! fxe4 68.a5 Rc5 69.Ca4+! este lance que é estranho aos olhos. 69...Rc6! (o mecânico lance 69...Rb5? 70.a6 Be6 parece falhar por 71.f5 Bd5 (71...Bxb3? 72.a7! com duplo 72...Bd5 73.f6+-) 72.a7 Ra6 73.a8D+ Bxa8 74.f6 Bd5 75.Cc5+ Rb6 76.Cxe4 Bxb3 77.Cg5 Bd5 78.f7 Bxf7 79.Cxf7 b3 80.Ce5 Rc5 81.Cd3+ Rc4 82.Cb2+= e o cavalo chega a tempo) 70.a6 e3 71.Cb2 e2 72.Cd3 Rb6 73.Rf2 h4 74.Cxb4 h3 75.Cc2 Rxa6 76.Ce1 Ra5 77.Cd3 (77.f5 Bxf5 78.Rxe2 h2) 77...Bf5 78.Ce1 Rb4–+]



67...fxe4–+ 68.Cc6+ Rc3 69.Ce5 e3 70.b4 Rxb4 0–1

El Debs, F (2447) - Prusikin, M (2538) [A13]38th Olympiad Dresden GER (9), 22.11.2008

1.Cf3 [Felipe gosta de jogar posições dinâmicas e com a iniciativa, sem se importar se a ação ocorrerá somente mais tarde. A Reti e a Inglesa se encaixam bem no seu estilo.


LV: Na verdade, na verdade, o Felipe gosta de posições em que a ação aconteça beeeeeeeeem mais tarde - ou melhor: que não aconteça].

1... Cf6 2.c4 e6 3.g3 d5 4.Bg2 [4.d4 Levaria a partida para a Abertura Catalã diretamente.


LV: Sabendo que ele joga Catalã, porque ele não entrou nela?! Mistérios, mistérios...]

4... dxc4 5.Da4+ Cbd7 6.0–0 a6 7.Dxc4 b5 8.Dc6 [Retira a Torre da coluna A e da diagonal h1–a8. Não sei ao certo para quem isso é vantajoso. Mais jogado é 8.Dc2 Bb7 9.a4 para pressionar b5 com Db3 ou Dd3 e Ca3. 9...c5 10.axb5!? deixando o peão D indefinido se vai a d3 ou d4, permanecendo nos terrenos da Reti/Inglesa.]

8... Tb8 9.d4 Bb7 10.Dc2 c5 11.Bf4?! [Aqui notamos um aparente ganho de tempo em relação à posição da torre preta, mas isso não quer dizer muita coisa, pois c8 parece a casa natural dela. Já o Bispo em f4 costuma ali se alojar quando tem certa estabilidade


LV: O velho e bom otimismo do senhor El Debs - a aparência não é tudo mais é 100%].

11... Tc8 [e agora Felipe tem mais problemas a resolver do que seu oponente.


LV: Realmente: Felipe é um garoto problemático. Esses dias, na FGV, ele conseguiu ser expulso da sala].

12.Cbd2 [Solução "cool". Deixar pretas ganharem um peão central e seguir jogando como se nada tivesse ocorrido. Aliás, nas vezes em que enfrentei Felipe pude notar esta característica em seu jogo


LV: Ou seja (traduzindo): ele pendura e finge que não está acontecendo nada].

12... cxd4 13.Dd3 Be7 [13...Cd5 seria um lance que me incomodaria.


LV: Nada incomoda o velho El Debs. Ele não tem pudor]

14.Tac1 0–0 15.Cxd4? [Nesta fase inicial do jogo, Felipe correu certos riscos e a impressão que meus comentários podem causar é que quero mostrar que ele jogou mal. Mas não se enganem com isso, pois ali, na hora da partida, diante do tabuleiro, a quantidade de pressão que coloca-se no adversário pode contrabalançar posições não muito boas. E isso conta muito para ganhar partidas. 15.Dxd4 Cd5÷


LV: É... Verdade. Mas, convenhamos: ele jogou mal mesmo! ]

15... Txc1 16.Txc1 Bxg2 17.Rxg2 [Esta troca pode parecer uma ofensa aos jogadores da catalã, pois troca o baluarte da diagonal. Mas é um tema posicional recorrente a troca dos bispos para tentar invadir o campo preto via c6].

17... Cc5 [Nessa posição, especificamente, pretas não deveriam sofrer nada devido ao jogo ativo no centro.


LV: Mas a vida... A vida é uma caixinha de surpresa! ].

18.De3 Cd5 19.Df3 Cxf4+ 20.Dxf4 Bg5 21.De5 Cd7 22.Dd6 Bxd2 [até aqui o jogo preto parece ter sido natural e sem erros.


LV: só houve um erro: sentar ao tabuleiro e achar que sairia impune].

23.Td1 Bg5? [23...Da8+! 24.f3 (24.Rg1 Cf6 25.Txd2 Ce4) 24...Bg5 25.Dxd7 Td8 26.Dc7 Bf6 27.e3 e5–+]

24.Cc6 [Enfim a posição branca ganha sentido.


LV: a posição branca, talvez, sempre tenha tido sentido... Ao menos pela lógica distorcida e psicótica do El Debs - Está bem, está bem, não tinha não...].

24... Da8 [Natural, cravando, defendendo c6 e ativando a Tf8. Mas as vantagens pretas deste param por aqui, pois não há potencial de melhora em suas peças e o Bg5 só anda pelas casas pretas...Já as peças brancas tem potencial muito maior. 24...Df6 25.Dxd7 (25.h4 Bh6 26.Dxd7 Dxb2 27.Ce7+ Rh8 28.Dd8 g6) 25...Dxb2 E aqui as pretas tem um peão a mais, mas as brancas tem um certo domínio, devido a Tf8 passiva. Na prática, pretas notaram que Felipe entregou um peão, cedeu o par de bispos e depois deixou peça no ar para depois recuperar, não demonstrando medo de nada. Esta atitude incomoda bastante o adversário, pois ele tem dificuldades em avaliar as posições, pois sabe que seu rival , que aparenta ser “insano e destemido”, sempre vai gostar das suas posições resultantes onde há certa "quizumba".


LV: A melhor seqüência de comentários do ano (2008) no xadrez brasileiro. Vamos por partes:



1°) "entregou um peão"+"cedeu o par de bispos"+"deixou peças no ar" = "demonstrando medo de nada". Em suma: vai jogando por rumo e aos "trupicões". Vale a máxima: Deus ajuda as crianças, os bêbados e os ignorantes)


2°) "Esta atitude incomoda bastante o adversário". Traduzindo: O adversário pensa: "que raios de @#$¨&* esse capivara está fazendo?! Tenha dó..."


3°) "Insano e Destemido". Insando e destemido... INSANO E DESTEMIDO! A melhor, disparada!, definição que já ouvi sobre o estilo do Felipe. Simplesmente Genial. Traduzindo: completamente louco e desbaratado. Non sense!


4°) 'Quizumba"! Eis a chave d'ouro do soneto! Em suma: só restava tentar enrolar... E deu certo!]

25.Dxd7 Tc8 26.Td6 g6 [Quando não se tem o que fazer, a tendência é piorar aos poucos. 27.e4!± ameaçando isolar o Bg5 do jogo].

27... Tf8 28.e5! [28.f4 Bf6 29.e5 Bg7 30.Rh3 Seria possível mas pouco objetivo, além de deixar o rei em temas de perpétuo mais tarde.]

28... Bc1 29.f3! [Muito objetivo e bem calculado!! Brancas invadem território preto via sétima e casa d8].

29... Bxb2 30.Dc7! Rg7 31.Td7 g5 [desespero


L.V. "Ai, aiai, aiaiai... Tá chegando a hora... O dia já vem raiando, meu bem! E eu tenho que ir embora..."]



32.Cd8+- Rg6 33.Dc2+ Rh6 34.Cxf7+ 1–0

Para fechar, os presentes que recebemos do mestre El Debs (o que a delegação brasileira há de ter pensando sobre nós?);

PESQUISADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://xadrezdepressao.blogspot.com/2009/04/aconteceu-em-dresden-olimpiadas-de.html

TEXTO 52 - OLIMPÍADA DE XADREZ E CBF.

OLIMPÍADAS DE XADREZ e CBX

Resposta Aberta à convocação



Tendo em vista a recente convocação aberta para a equipe olímpica brasileira, nós, que subscrevemos esta carta, entendemos que faz-se necessário a nossa manifestação pública sobre os motivos que nos levam a tomar uma triste decisão conjunta: NÃO participaremos da Olimpíada sob a égide da atual Administração da CBX, encabeçada pelo GM Darcy Gustavo Machado Vieira Lima.

Infelizmente, trata-se de um protesto formal contra os abusos do Presidente da CBX . Protestos semelhantes ocorreram recentemente nas Confederações de Tênis e Judô. Procuraremos dar alguns dos motivos, e oferecer uma solução para o impasse.

Primeiramente, queremos deixar claro que o GM Darcy Lima é um excelente jogador, e que como tal merece e tem nosso total respeito. Para nós, formar uma equipe com ele é motivo de alegria e motivação para lutarmos por uma boa performance, assim como ocorreu na Olimpíada de Istambul em 2000, quando estivemos entre os 15 primeiros durante todo o torneio, sofrendo um acidente de percurso nas duas últimas rodadas. Entretanto, como administrador ele é péssimo, chegando a ser nocivo em alguns casos. O Sr. Darcy deveria se preocupar apenas com o que ele sabe fazer: jogar bem.

Infelizmente, desde que assumiu a presidência de nossa entidade maior, Darcy Lima tem se aproveitado do cargo que exerce para alcançar objetivos pessoais, não raro publicando declarações de péssimo gosto no site oficial da Confederação, que, na verdade, transformou-se em uma página pessoal. Graças a ele a CBX vive hoje um caos administrativo, onde impera a desorganização, uma situação lamentável para todos os enxadristas praticantes, sejam profissionais ou amadores.

Em relação à inovação no cachê dos integrantes da equipe olímpica, isso nada mais se trata do que uma forma bastante primitiva de tentar iludir a comunidade enxadrística. É praxe em países representados por jogadores profissionais a oferta de cachês juntamente com prêmios especiais por mérito. Calculando o prêmio prometido no caso da melhor colocação possível da equipe, deduz-se que há um montante de U$ 18.000 (dezoito mil dólares) reservado para o cachê dos jogadores (ou 21 mil, pois nada mais justo que premiar o técnico também, como em outras modalidades). Supondo que de fato exista tal quantia, sua distribuição sugerida é inteiramente absurda, mas esta não é a pior aberração. A maior prova da farsa desta premiação por mérito é oferecer prêmios altíssimos para colocações jamais conquistadas por nossa equipe na história das Olimpíadas, enquanto atuações realistas são recompensadas de forma pífia. E, neste caso, o que seria feito com o restante do dinheiro destinado à premiação por mérito?

Também devemos destacar a total falta de critérios para a definição do 6º tabuleiro da equipe. Na verdade, não houve qualquer critério para a convocação, apenas o entendimento subjetivo do técnico, que por sua vez não tem participado de eventos enxadrísticos. Qualquer aficionado sabe que o Brasil tem seis grandes-mestres. Nada mais natural que convocá-los para uma equipe que requer este exato número de jogadores. A ausência do GM Jaime Sunye Neto, que já venceu Spassky, Timman, Hübner, todos os GMs brasileiros, entre outros, além de ter sido medalhista de ouro numa Olimpíada, só pode ser explicada por um critério de perseguição pessoal, bastante comum na atual administração da CBX.

Quanto às formalidades da convocação, há de se advertir que ela foi feita em cima da hora e enviada para a Federação Paulista de Xadrez, em mais um gesto que ilustra a desorganização e descaso da Confederação com os seus jogadores. A Federação Paulista não é mensageira da CBX, portanto seria muito mais correto enviar a convocação diretamente aos enxadristas escolhidos, como sempre foi feito. Curiosamente, o GM Mecking, também filiado pela FPX, não foi convocado da mesma forma.

Nossa proposta

Jogaremos a Olimpíada se o GM Darcy abrir mão da Presidência da CBX, antecipando as eleições e sem se candidatar ou participar ativamente.

E além disso, apesar de sermos profissionais, caso necessário abriríamos mão de qualquer remuneração, em prol do xadrez brasileiro.

Solicitamos a publicação desta carta em todos os sites interessados no xadrez brasileiro, inclusive o da própria CBX.

Barretos, 20 de setembro de 2004.

______________ ____________________ __________________

Giovanni Vescovi. Gilberto Milos Jr. Rafael Leitão.



PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.fexpar.esp.br/Leituras/cartaGMs/OLIMPIADAS.htm

quinta-feira, 4 de março de 2010

TEXTO 51 - LEIS DA FIDE.

FIDE - Fédération Internationale des Échces

LEIS DO XADREZ DA FIDE

As Leis do Xadrez da FIDE regulamentam o jogo no tabuleiro.

O texto em inglês é a versão autêntica da Lei do Xadrez adotada no 71o. Congresso da FIDE realizado em Istambul (Turquia) em Novembro de 2000, que entrou em vigor em 1o. de julho de 2001.
Nestas Leis, as palavras "ele", "o" e seu incluem "ela" e "a" e "sua".

PREFÁCIO

As Leis de Xadrez não podem abranger todas as situações possíveis que apareçam durante uma partida, nem podem regular todas as questões administrativas. Há casos que não são precisamente regulamentados por um Artigo das Leis, mas sempre será possível alcançar-se uma decisão correta, analisando situações análogas que são tratadas nas Leis. As Leis pressupõem que os árbitros têm a necessária competência, capacidade de julgamento e absoluta objetividade. Demasiadamente detalhada, uma regra pode privar o árbitro de sua liberdade de julgamento e assim impedi-lo de encontrar a solução para um problema ditado pela justiça, lógica e fatores especiais.

A Fide apela a todos os enxadristas e federações que aceitem este ponto de vista. Uma federação filiada tem liberdade para inserir regras mais detalhadas, desde que:

a. não conflite com as Leis do Xadrez oficiais da FIDE

b. limite-se ao território da federação em questão;

c. não seja válida para qualquer competição, campeonato ou evento válido para obtenção de rating ou título FIDE.

Art.
REGRAS DO JOGO

1
Da natureza e objetivos do jogo de xadrez

1.1
O jogo de xadrez é disputado entre dois oponentes que movem peças alternadamente sobre um tabuleiro quadrado denominado ‘tabuleiro de xadrez’. O jogador com as peças brancas começa o jogo. Diz-se que um jogador 'tem a vez de jogar', quando a jogada do seu oponente tiver sido feita.

1.2
O objetivo de cada jogador é colocar o rei do oponente 'sob ataque' de tal forma que o adversário não tenha lance legal que possa evitar a captura do seu rei no próximo lance. O jogador que alcançar esse objetivo diz-se que deu xeque mate no rei do adversário e venceu a partida. O adversário cujo rei sofreu xeque mate perdeu a partida.

1.3
A partida está empatada se resultar numa posição em que nenhum dos jogadores tem a possibilidade de dar xeque mate.

2
Da posição inicial das peças no tabuleiro

2.1
O tabuleiro de xadrez é composto de uma rede de 8x8 com 64 casas iguais alternadamente claras (as casas brancas) e escuras (as casas pretas).
O tabuleiro é colocado entre os jogadores de tal forma que é branca a casa do canto à direita de cada jogador

2.2
No início da partida, um jogador tem 16 peças de cor clara (as peças brancas); o outro tem 16 peças de cor escura (as peças pretas).
Essas peças são as seguintes:

Um rei branco usualmente indicado pelo símbolo


Uma dama branca


Duas torres brancas


Dois bispos brancos


Dois cavalos brancos


Oito peões brancos


Um rei preto


Uma dama preta


Duas torres pretas


Dois bispos pretos


Dois cavalos pretos


Oito peões pretos




2.3
2.3 A posição inicial das peças no tabuleiro é a seguinte:



2.4
As oito casas dispostas verticalmente são chamadas de ‘colunas’. As oito casas dispostas horizontalmente são chamadas de ‘fileiras’. As linhas retas de casas da mesma cor, dispostas no mesmo sentido, são chamadas de ‘diagonais’.

3
Do movimento das peças

3.1
Nenhuma peça pode ser movida para uma casa já ocupada por uma peça de mesma cor. Se uma peça move-se para uma casa já ocupada por uma peça do oponente, esta última é capturada e retirada do tabuleiro, como parte do mesmo movimento. Diz-se que uma peça está atacando uma peça do adversário se a peça puder efetuar uma captura naquela casa, de acordo com o disposto nos Artigos 3.2 a 3.8..

3.2
O bispo pode mover-se para qualquer casa ao longo da diagonal que ocupa.

3.3
A torre pode mover-se para qualquer casa ao longo da coluna ou fileira que ocupa.



3.4
A dama pode mover-se para qualquer casa ao longo da coluna, fileira ou diagonal que ocupa.



3.5
Ao fazer esses lances, o bispo, torre ou dama não podem pular sobre qualquer peça situada em sua trajetória.

3.6
O cavalo move-se para uma das casas mais próxima em relação à qual ocupa, mas não na mesma coluna, fileira ou diagonal.



3.7
a. O peão pode mover-se para uma casa vazia, imediatamente à sua frente, na mesma coluna, ou

b. em seu primeiro lance o peão pode mover-se conforme mencionado na alínea "a" acima; alternativamente ele pode avançar duas casas ao longo da mesma coluna, desde que ambas estejam livres, ou

c. o peão pode mover-se para uma casa ocupada por uma peça do oponente, que esteja diagonalmente à sua frente, numa coluna adjacente, capturando aquela peça.
d. Um peão atacando uma casa atravessada pelo peão do oponente que acaba de avançar duas casas num único lance vindo de sua casa original, pode capturar este peão oponente como se aquele tivesse se movido apenas uma casa. Esta captura pode ser feita apenas no movimento imediatamente após o referido avanço e é chamada de tomada ‘en passant’.


e. Quando o peão alcança a casa mais distante, em relação à posição inicial, deve ser trocado como parte de uma mesma jogada por uma dama, torre, bispo, ou cavalo da mesma cor. A escolha do jogador não está restrita a peças previamente capturadas. Esta troca de um peão por outra peça é chamada de ‘promoção’ e a ação da peça promovida é imediata.

3.8
a. Há duas formas distintas de mover o rei:

i. movendo-se para qualquer casa adjacente não atacada por uma ou mais peças do oponente. As peças dos oponentes atacam uma casa, mesmo que tais peças não possam mover-se, ou

ii. ‘rocando’. Este é um lance efetuado com o rei e uma das torres, de mesma cor na mesma fileira, levando-se em conta como um único lance de rei e executado da seguinte forma: o rei é transferido de sua casa original a duas casas em direção à torre, em seguida, a torre é transferida para a casa a que o rei acabou de atravessar.

(1) O roque é ilegal:

a. se o rei já foi movido, ou

b. com uma torre que já tenha se movido

(2) Roque não é permitido temporariamente:

a. se a casa que o rei ocupa, ou a casa pela qual deve passar, ou ainda a casa a que ele passará a ocupar, estiver atacada por uma ou mais peças do oponente.

b. se houver alguma peça entre o rei e a torre com a qual o roque será efetuado.

b. O rei é considerado ‘em xeque’, se estiver sob o ataque de uma ou mais peças do oponente, mesmo que essas peças não possam se mover. Não é obrigatório avisar-se um xeque.

3.9
Nenhuma peça pode ser movida de modo que exponha seu próprio rei a xeque ou deixe seu próprio rei em xeque.

4
Do ato de mover as peças

4.1
Cada lance deve ser feito apenas com uma das mãos.

4.2
Desde que antes manifeste sua intenção (por exemplo, dizendo eu arrumo "j’adoube" ou "I adjust"), o jogador - que tem a vez de jogar - pode arrumar uma ou mais peças em suas casas.

4.3
Excetuado o disposto no artigo anterior, se o jogador que tem a vez de jogar toca deliberadamente no tabuleiro:

a. uma ou mais de suas próprias peças, ele deve jogar a primeira peça tocada que possa ser movida, ou

b. uma ou mais peças de seu adversário, ele deve capturar a primeira peça tocada, que possa ser capturada.

c. uma peça de cada cor, ele deve capturar a peça do oponente com a a sua peça ou, se isso for ilegal, mover ou capturar a primeira peça tocada que possa ser jogada ou capturada. Se não estiver claro qual peça foi tocada, primeiramente, deve-se considerar que a peça do próprio jogador foi tocada antes da do seu oponente.

4.4
a. Se o jogador deliberadamente toca no seu rei e numa de suas torres ele deve rocar nesta ala se o movimento for legal.

b. Se o jogador deliberadamente toca uma torre e em seguida em seu rei, não lhe sendo permitido rocar nesta ala, nesta jogada, então a situação deverá ser regulada pelo Artigo 4.3 (a)

c. Se o jogador, pretendendo rocar, toca seu rei ou seu rei e uma torre ao mesmo tempo, mas o roque neste lado é ilegal, o jogador deve fazer outro lance legal com seu rei podendo optar inclusive por rocar para o outro lado. Se o rei não tiver nenhum lance legal, o jogador está liberado para fazer qualquer outra jogada legal.

4.5
Se nenhuma das peças tocadas pode ser movida ou capturada o jogador pode fazer qualquer jogada legal.

4.6
O jogador perde o direito de reclamar de uma transgressão do adversário do Artigo 4.3 ou 4.4, a partir do momento em que tenha tocado numa peça.

4.7
Quando uma peça for solta numa casa, como conseqüência de um lance legal ou parte de um lance legal, ela não pode no mesmo momento ser movida para outra casa. A jogada é considerada implementada quando todos os requisitos relevantes do Artigo 3 tiverem sido cumpridos.

5
Do término da partida

5.1
a. A partida é vencida pelo jogador que der xeque mate no rei do oponente. Isto imediatamente termina a partida, desde que não tenha sido ilegal o lance que produziu a posição de xeque mate.

b. A partida é vencida pelo jogador cujo oponente declara que abandona. Isto imediatamente termina a partida.

5.2
a. A partida está empatada quando o jogador que tem a vez não tem lance legal e o seu rei não está em xeque. Diz-se que a partida terminou com o rei ‘afogado’. Isto imediatamente termina a partida desde que não tenha sido ilegal o lance que produziu a posição de afogado.

b. a partida está empatada quando aparece uma posição em que nenhum dos jogadores pode dar xeque mate no rei do adversário por qualquer seqüência de lances legais. Diz-se que a partida terminou numa 'posição morta'. Isto imediatamente termina a partida desde que não tenha sido ilegal o lance que produziu a posição.

c. A partida está empatada mediante comum acordo entre os jogadores, durante a partida. Isto imediatamente termina a partida. (Veja Artigo 9.1)

d. A partida pode estar empatada se uma posição idêntica está por aparecer, ou apareceu pelo menos três vezes no tabuleiro. (Veja Artigo 9.2)

e. A partida pode estar empatada se os últimos 50 lances consecutivos tiverem sido efetuados por ambos os jogadores sem que qualquer peão tenha sido movido e sem a captura de qualquer peça. (Ver Artigo 9.3)


REGRAS DE COMPETIÇÃO

6
Do relógio de xadrez

6.1
‘Relógio de xadrez’ quer dizer um relógio com dois mostradores de tempo, conectados entre si de tal modo que só um deles é ativado de cada vez.
‘Relógio’ nas Leis do Xadrez significa um dos dois mostradores de tempo.
‘Queda de seta’ quer dizer o término do tempo estipulado para um jogador.

6.2
a. Ao usar um relógio de xadrez, cada jogador deve fazer um número mínimo de lances ou todos os lances, num determinado período e/ou pode receber uma parcela adicional de tempo após cada lance. Tudo isso deve ser previamente especificado.

b. O tempo poupado por um jogador durante um controle de tempo é adicionado ao tempo do próximo período ou controle de tempo, exceto no modo 'tempo adicional’.
No modo ‘tempo adicional’ ambos os jogadores recebem um determinado ‘tempo de reflexão principal’. Eles também recebem um ‘tempo extra’, constante, para cada lance. A contagem regressiva do tempo principal começa somente depois de esgotado o tempo extra. Desde que o jogador pare seu relógio antes de esgotar-se o ‘tempo extra’, o ‘tempo principal’ não muda, independentemente da proporção do ‘tempo pré-determinado’ usado.

6.3
Cada relógio tem uma “seta”. Imediatamente após a queda de uma seta, os requisitos da alínea "a" do Artigo 6.2 devem ser verificados.

6.4
Antes do início da partida cabe ao árbitro decidir onde o relógio é colocado.

6.5
O relógio do jogador que tiver as peças brancas deve ser posto em movimento na hora determinada para o início da partida

6.6
Se nenhum dos dois jogadores estiver presente no começo da partida, o jogador das brancas perderá todo o tempo decorrido até a sua chegada, a menos que as regras da competição especifiquem ou o árbitro decida de outra forma.

6.7
Qualquer jogador perderá a partida se chegar atrasado mais de uma hora depois do horário previsto para o início da partida a menos que as regras da competição especifiquem ou o árbitro decida de outra forma.

6.8
a. Durante a partida cada jogador, depois de fazer seu lance no tabuleiro, deverá parar seu próprio relógio e acionar o relógio de seu oponente. Deve ser sempre permitido a um jogador acionar o pino de seu relógio. Seu lance não é considerado completo até que ele o tenha feito, a menos que o lance termine a partida (Veja Artigos 5.1 e 5.2).
O tempo decorrido entre executar o lance no tabuleiro e parar o próprio relógio, bem como por em funcionamento o relógio do oponente, é considerado como parte do tempo alocado ao jogador.

b. O jogador deve parar seu relógio com a mesma mão com a qual executou seu lance. É proibido manter a mão sobre o pino do relógio ou pairar sobre ele.
Os jogadores devem manusear o relógio de xadrez corretamente. É proibido acioná-lo com muita força, segurar ou derrubá-lo. O uso inadequado do relógio deverá ser penalizado de acordo com o estabelecido no Artigo 13.4.

c. Se o jogador estiver incapacitado de usar o relógio pode indicar um assistente para acioná-lo desde que autorizado pelo árbitro. Os relógios devem ser corretamente ajustados pelo árbitro de modo justo.

6.9
Uma seta é considerada caída quando o árbitro observa o fato ou, quando um dos jogadores acusar a queda de seta.

6.10
Exceto quando se aplicam as disposições contidas nos Artigos 5.1, 5.2 "a", "b" e "c", perderá a partida o jogador que não completar, em seu tempo, o número prescrito de lances. Entretanto, a partida está empatada, quando se alcança uma posição em que o oponente não pode dar xeque mate no rei do adversário por qualquer seqüência de lances legais possíveis, mesmo pelo mais inábil contra-jogo.

6.11
Qualquer sinal dado pelos relógios é considerado conclusivo na ausência de qualquer defeito evidente. Deverá ser substituído qualquer relógio de xadrez que tenha defeito evidente. O árbitro deverá usar de seu discernimento para estipular os tempos a serem estipulados no relógio substituto.

6.12
Se ambas as setas estiverem caídas e for impossível determinar qual delas caiu primeiro, a partida deverá continuar.

6.13
a. Se um jogo precisa ser interrompido, o árbitro deverá parar os relógios.

b. O jogador somente pode parar os relógios a fim de procurar a ajuda do árbitro, por exemplo, quando ocorrer uma promoção e a peça requerida não estiver disponível.

c. O árbitro deverá decidir quando a partida deverá ser reiniciada.

d. Se o jogador parar os relógios a fim de procurar assistência do árbitro, este deverá determinar se o jogador tem alguma razão válida para ter feito essa ação. Se for óbvio que não houve razão válida para parar os relógios, o jogador deverá ser penalizado de acordo com o artigo 13.4

6.14
Se uma irregularidade ocorre e/ou as peças devam ser recolocadas numa posição anterior, o árbitro deverá usar o seu melhor discernimento para determinar os tempos a serem disponibilizados nos relógios. Ele deverá também, se necessário, ajustar o contador do número de lances.

6.15
São permitidos no salão de jogos: telas, monitores ou tabuleiros murais, mostrando a posição atual do tabuleiro, os lances e o número de lances feitos, e relógios que também mostrem o número de lances. Entretanto, o jogador não pode fazer qualquer reclamação baseada em qualquer informação exibida dessa maneira.

7
Das Irregularidades

7.1
a. Se durante a partida descobrir-se que a posição inicial das peças estava errada, o jogo deverá ser anulado e será disputada uma nova partida.

b. Se durante uma partida descobrir-se que o único erro foi o posicionamento inexato do tabuleiro, contrariando o disposto no Artigo 2.1, a partida continua, mas a posição das peças deve ser transferida para um tabuleiro corretamente colocado.

7.2
Se uma partida tiver começado com as cores trocadas, deverá continuar, a menos que o árbitro decida de outra forma.

7.3
Se o jogador derruba ou desloca uma ou mais peças,
deverá restabelecer a correta posição no seu próprio tempo. Se necessário o jogador ou o oponente poderá parar o relógio e pedir a ajuda do árbitro. O árbitro poderá penalizar o jogador que deslocou as peças.

7.4
a. Se durante uma partida descobrir-se que um lance ilegal foi feito, deverá ser restabelecida a posição imediatamente anterior à irregularidade. Se a referida posição não puder ser reconstituída, a partida deverá continuar a partir da última posição identificável, anterior à irregularidade. Os relógios deverão ser ajustados de acordo com o Artigo 6.14. O Artigo 4.3 aplica-se à jogada que for feita em substituição ao lance impossível. A partida deverá então continuar a partir da posição restabelecida.

b. Após a adoção das ações descritas na alínea "a" do Artigo 7.4, para os dois primeiros lances ilegais feitos por um jogador, o árbitro deverá dar dois minutos extras ao oponente, a cada instância; para o terceiro lance ilegal efetuado pelo mesmo jogador, o árbitro deverá declarar a partida perdida para este jogador.

7.5
Se durante uma partida descobrir-se que as peças foram deslocadas de suas casas, deverá ser restabelecida a posição imediatamente anterior à irregularidade. Se a referida posição não puder ser identificada, a partida deverá continuar a partir da última posição identificável anterior à irregularidade. Os relógios deverão ser ajustados de acordo com o Artigo 6.14. A partida deverá então continuar a partir da posição restabelecida

8
Da anotação dos lances

8.1
No decorrer do jogo a cada jogador é requerido anotar na planilha prescrita para a competição, em notação algébrica (Apêndice E), os próprios lances e os do oponente, de maneira correta, lance a lance, tão claro e legível quanto possível.
O jogador pode responder a um lance do oponente antes de anotá-lo, se assim o desejar. Todavia não pode executar um lance se deixou de anotar o seu lance anterior. Ambos os jogadores devem anotar a oferta de empate na planilha (Apêndice E.12).
Se o jogador estiver incapacitado de anotar, deverá ser deduzido de seu tempo de reflexão, alocado no início da partida, um determinado montante de tempo, decidido pelo árbitro.

8.2
Durante a partida a planilha deverá estar sempre visível para o árbitro.

8.3
As planilhas são de propriedade dos organizadores do evento.

8.4
Quando o jogador tiver menos de cinco minutos em seu relógio (e não recebe bônus de 30 segundos ou mais após cada lance) ele não é obrigado a atender aos requisitos do Artigo 8.1. Imediatamente após a queda de uma das ‘setas’ o jogador deve atualizar a sua planilha antes de mover uma peça no tabuleiro.

8.5
a. Se nenhum dos jogadores estiver obrigado a anotar, de acordo com o Artigo 8.4, o árbitro ou o assistente, deve estar presente e anotar os lances. Nesse caso, imediatamente após a queda da seta, o árbitro deverá parar os relógios. Então ambos os jogadores deverão atualizar suas planilhas, usando a do árbitro ou a do oponente.

b. Se apenas um jogador estiver desobrigado de anotar, de acordo com o Artigo 8.4, ele deve atualizar sua planilha tão logo uma das setas tenha caído. Desde que seja a sua vez de fazer o lance, o jogador pode usar a planilha do oponente, mas deve devolvê-la antes de fazer o seu lance.

c. Se não houver planilha completa disponível, os jogadores devem reconstituir a partida num outro tabuleiro, sob a supervisão do árbitro ou assistente. Ele deverá primeiro anotar a posição atual, os tempos e o número de lances efetuados, se esta informação estiver disponível, antes de efetuar a reconstituição da partida.

8.6
Se as planilhas não estiverem atualizadas demonstrando que um jogador ultrapassou o limite de tempo, o próximo lance deverá ser considerado como sendo o primeiro do próximo período de tempo, a menos que haja evidência de que mais lances foram feitos.

8.7
Terminada a partida, ambos os jogadores devem assinar ambas as planilhas, indicando o resultado do jogo. Mesmo se incorreto este resultado permanece, a menos que o árbitro decida de outra forma.

9
Das partidas empatadas

9.1
a. O jogador que quiser propor empate poderá fazê-lo depois de executar o lance no tabuleiro, antes de parar o próprio relógio e por em movimento o do oponente. Uma oferta a qualquer outro tempo durante a partida é ainda válida, mas o Artigo 12.5 deve ser levado em consideração. Nenhuma condição pode ser incluída na proposta. Em ambos os casos, a oferta não pode ser retirada e continua válida até que o oponente a aceite, a rejeite oralmente, a rejeite tocando uma peça com a intenção de mover ou capturar uma peça, ou se a partida terminar de alguma outra forma.

b. A oferta de empate deverá ser anotada pelos dois jogadores em suas planilhas com um símbolo (Veja Apêndice E).

c. Uma reclamação de empate com base nos Artigos 9.2, 9.3 ou 10.2 deverá ser considerada como uma oferta de empate.

9.2
A partida está empatada, após uma reclamação correta do jogador que tem a vez de jogar, quando a mesma posição, por pelo menos três vezes (não necessariamente por repetição de jogadas)

a. está por aparecer, se ele primeiro anota seu lance na planilha e declara ao árbitro a sua intenção de fazer o referido lance, ou

b. acaba de aparecer, e o jogador que reivindica o empate tem a vez de jogar.

As posições conforme (a) e (b) são consideradas idênticas, se o mesmo jogador tem a vez, peças do mesmo tipo e cor ocupam as mesmas casas, e as possibilidades de movimento de todas as peças dos dois jogadores são as mesmas.
As posições não são idênticas se um peão que pudesse ter sido capturado ‘en passant’ não mais pode ser capturado ou se o direito de rocar foi alterado temporária ou permanentemente.

9.3
A partida está empatada, por uma correta reclamação do jogador que tem a vez de jogar, se

a. ele anota em sua planilha, e declara ao árbitro a intenção de executar o lance, que resultará em 50 lances feitos para cada jogador sem o movimento de qualquer peão ou a captura de qualquer peça, ou

b. os últimos 50 lances consecutivos foram feitos por ambos os jogadores, sem o movimento de qualquer peão ou a captura de qualquer peça.

9.4
Se o jogador fizer um lance sem ter reclamado o empate, perde, nesta jogada, o direito à reivindicação, com base nos Artigos 9.2 e 9.3.

9.5
Se o jogador reclama um empate, com base nos Artigo 9.2 e 9.3, deverá imediatamente parar ambos os relógios. Não lhe é permitido retirar a reclamação

a. Se a reclamação for considerada correta, a partida será imediatamente considerada empatada.

b. Se a reclamação for considerada incorreta, o árbitro deverá adicionar três minutos ao tempo remanescente do oponente. Adicionalmente, se o reclamante tem mais de dois minutos em seu relógio, o árbitro deverá deduzir metade do tempo restante do reclamante, até um máximo de três minutos. Se o reclamante tiver mais de um minuto, mas menos de dois minutos, seu tempo remanescente passa a ser de um minuto. Se o reclamante tiver menos de um minuto, o árbitro não poderá fazer qualquer ajuste no relógio do reclamante. A partida deverá prosseguir e o lance pretendido deverá ser executado.

9.6
A partida está empatada quando se alcança uma posição em que o xeque mate não pode ocorrer por qualquer seqüência de lances legais possíveis, mesmo com o mais inábil contra-jogo. Isto imediatamente termina a partida.

10
Do final acelerado ou nocaute

10.1
O ‘final acelerado’ é a última fase de uma partida, quando todos os lances remanescentes devem ser efetuados num determinado limite de tempo.

10.2
Se o jogador com a vez de jogar tiver menos de dois minutos em seu relógio, pode reivindicar um empate antes da queda de sua seta. Ele deverá parar os relógios e chamar o árbitro.

a. Se o árbitro estiver convencido de que o oponente não está fazendo esforço para ganhar a partida, por meios normais, ou que não é possível o oponente vencer por meios normais, então deverá declarar a partida empatada. Se não estiver convencido deverá adiar sua decisão ou rejeitar a reclamação

b. Se o árbitro adia sua decisão, o oponente pode receber um bônus extra de dois minutos de tempo de reflexão e a partida deverá continuar na presença do árbitro, se possível. O árbitro poderá declarar o empate mesmo depois de a seta ter caído.

c. Se o árbitro rejeitar a reclamação, o oponente deverá receber um bônus extra de dois minutos de tempo de reflexão.

d. A decisão do árbitro será definitiva (não cabendo recurso) quanto ao disposto nas alíneas "a, b, c".

10.3
A partida está empatada se ambas as setas estiverem caídas e for impossível estabelecer-se qual delas caiu primeiro

11
Do escore

11.1
A menos que anunciada de outra forma previamente, o jogador que vence sua partida, ou vence por falta do adversário (WO), recebe o escore de (1) ponto, o jogador que perde sua partida, ou perde por falta (WO), recebe o escore de (0) ponto. e o jogador que empata sua partida recebe o escore de meio (½) ponto

12
Da conduta dos jogadores

12.1
Os jogadores não poderão praticar nenhuma ação que cause má reputação ao jogo de xadrez.

12.2
Durante a partida os jogadores estão proibidos de fazer uso de anotações, fontes de informação, conselhos, ou analisar em outro tabuleiro.
A planilha deverá ser usada apenas para anotação dos lances, dos tempos dos relógios, da oferta de empate, e registros relacionados com reclamações.

12.3
Devem ser considerados, como meros espectadores, jogadores que tiverem terminado suas partidas.

12.4
Não é permitido aos jogadores deixar o ‘ambiente de jogo’ sem a permissão do árbitro. O ambiente de jogo é composto pela sala de jogo, banheiros, área de refeição leve, área reservada para fumantes e outros locais designados pelo árbitro. Não é permitido ao jogador, que tem a vez de jogar, deixar a sala de jogo sem a permissão do árbitro.

12.5
É proibido distrair ou perturbar o oponente de qualquer maneira. Isto inclui reclamações ou ofertas de empate sem cabimento.

12.6
Infrações a qualquer dos Artigos 12.1 a 12.5 deverão redundar em aplicação das penalidades previstas no Artigo 13.4.

12.7
A persistente recusa por parte de um jogador em cumprir as Leis do Xadrez deverá ser penalizada com a perda da partida. O árbitro deverá decidir o escore do oponente.

12.8
Se ambos os jogadores forem julgados culpados de acordo com o Artigo 12.7, a partida deverá ser declarada perdida para ambos.

13
A função do árbitro (Veja Prefácio)

13.1
O árbitro deverá verificar se as Leis do Xadrez estão sendo estritamente observadas.

13.2
O árbitro deverá atuar no melhor interesse da competição. Deverá assegurar que existe um bom ambiente de jogo de modo que os jogadores não sejam perturbados. Deverá também supervisionar o bom andamento da competição.

13.3
O árbitro deverá observar as partidas, especialmente quando os jogadores estiverem apurados no tempo, fazer cumprir as decisões que tenha tomado e impor penalidades aos jogadores, quando apropriado.

13.4
O árbitro pode aplicar uma ou mais das seguintes penalidades:

a. advertência,

b. aumentar o tempo remanescente do oponente,

c. reduzir o tempo remanescente do jogador infrator,

d. declarar a perda da partida,

e. reduzir os pontos ganhos na partida pelo jogador infrator,

f. aumentar os pontos ganhos na partida pelo oponente até o máximo possível para aquela partida,

g. expulsão do evento

13.5
O árbitro pode conceder a um ou a ambos os jogadores tempo adicional no caso de distúrbio externo durante a partida.

13.6
O árbitro não deve intervir numa partida, exceto nos casos previstos nas Leis do Xadrez. Não deverá indicar o número de lances feitos, exceto ao aplicar o disposto no Artigo 8.5, quando pelo menos um jogador tiver gasto todo o seu tempo. O árbitro deverá abster-se de informar ao jogador que seu oponente fez um lance.

13.7
Espectadores e jogadores de outras partidas não devem falar ou interferir numa partida de qualquer forma. Se for necessário, o árbitro pode expulsar os infratores do ambiente de jogo.

14
FIDE

14.1
As federações filiadas podem solicitar à FIDE que forneça uma decisão oficial sobre problemas relacionados com as Leis do Xadrez.

APÊNDICES

A
Das partidas Suspensas

A1
a. Se uma partida não termina até o fim do tempo prescrito para o jogo, o árbitro deverá determinar ao jogador que tem vez de jogar, ‘selar’ o próximo lance. O jogador deve anotar seu lance na planilha em anotação não ambígua, colocar sua planilha e a do oponente num envelope, lacrá-lo, e somente após isso parar o relógio, sem por em funcionamento o relógio do oponente. Enquanto não parar o próprio relógio, o jogador mantém o direito de mudar o seu lance secreto. Se, após ser informado pelo árbitro que o próximo lance será o secreto, o jogador fizer o lance no tabuleiro, ele deve anotá-lo em sua planilha como sendo o lance secreto.

b. O jogador que tem a vez de jogar, que quiser suspender a partida antes do final da sessão de jogo, será considerado pelo árbitro, como tendo dispensado todo o tempo que falta para o término da sessão.

A2
. Deverão ser indicados no envelope:

a. os nomes dos jogadores;

b. a posição imediatamente anterior ao lance secreto;

c. os tempos utilizados pelos jogadores;

d. o nome do jogador que fez o lance secreto;

e. o número do lance secreto;

f. a oferta de empate, se a proposta foi feita antes da suspensão da partida;

g. a data, hora e o local de reinício da partida

A3
O árbitro deverá verificar a exatidão das informações contidas no envelope e é responsável pela custódia do mesmo.

A4
Se o jogador propõe empate após o oponente fazer o lance secreto, a proposta permanece válida até que o jogador a aceite ou a rejeite, conforme o Artigo 9.1.

A5
Antes do reinício da partida, a posição imediatamente anterior ao lance secreto deverá ser colocada no tabuleiro e, além disso, deverá ser indicado nos relógios o tempo utilizado pelos jogadores, quando a partida foi suspensa.

A6
Se antes do reinício da partida, os jogadores empatam por comum acordo, ou um dos jogadores avisa ao árbitro que abandona, a partida está terminada.

A7
O envelope deverá ser aberto somente quando o jogador que tem de responder ao lance secreto estiver presente.

A8
Exceto nos casos mencionados nos Artigos 6.10 e 9.6, a partida está perdida para o jogador cuja anotação do lance secreto

a. é ambíguo, ou

b. é falso, de tal forma que seu verdadeiro significado é impossível de ser estabelecido, ou

c. é ilegal.

A9
Se no reinício da partida

a. o jogador a responder ao lance secreto estiver presente, o envelope é aberto, o lance secreto executado no tabuleiro e seu relógio acionado.

b. o jogador que tem de responder ao lance secreto não estiver presente, seu relógio deverá ser acionado. Após a sua chegada, o jogador pode parar o seu relógio e chamar o árbitro. O envelope é aberto em seguida e o lance secreto executado no tabuleiro. Seu relógio é então acionado.

c. O jogador que fez o lance secreto não estiver presente, seu oponente tem o direito de responder na sua planilha, selar sua planilha num novo envelope, parar seu relógio e acionar o do oponente, ao invés de responder da maneira normal. Nesse caso, o novo envelope deverá ficar sob a custódia do árbitro e aberto após a chegada do oponente.

A10
A partida está perdida para o jogador que chegar mais de uma hora atrasado após o reinício da sessão. Entretanto, se esse jogador for o que selou o lance secreto, a partida termina de outro modo, nos seguintes casos:


a. o jogador ausente seja o vencedor devido ao fato de seu lance secreto ter dado mate no oponente, ou

b. o jogador ausente produziu um empate devido ao fato de seu lance ter ‘afogado’ o rei do oponente, ou uma posição como a descrita no Artigo 9.6 resultou no tabuleiro, ou

c. o jogador presente ao tabuleiro perdeu a partida de acordo como disposto no Artigo 6.10.

A11
a. Se o envelope contendo o lance secreto tiver desaparecido, a partida deverá ser reiniciada da posição no momento da suspensão e com os tempos nos relógios colocados como no instante do adiamento. Se o tempo usado pelos jogadores não puder ser restabelecido, os relógios deverão ser ajustados a critério do árbitro. O jogador que selou o lance secreto, executa no tabuleiro o lance que afirma ser o ‘secreto’.
b. Se for impossível restabelecer-se a posição, a partida é anulada e um novo jogo deve ser disputado.

A12
Se, no reinício da partida, o tempo utilizado for indicado incorretamente em qualquer dos relógios e se qualquer dos jogadores aponta esse fato antes de fazer seu primeiro lance, o erro deve ser corrigido. Se o erro não for percebido, a partida deve continuar sem correção, a menos que o árbitro sinta que as conseqüências serão muito graves.

A13
A duração de cada sessão de partidas suspensas deverá ser controlada pelo relógio de parede. Os horários de início e término deverão ser anunciados previamente.

B
Do Xadrez Rápido

B1
A 'Partida de xadrez rápido' é aquela onde todos os lances devem ser feitos num limite de tempo pré-determinado de 15 a 60 minutos para cada jogador.

B2
Os jogos serão regidos pelas Leis de Xadrez da FIDE, exceto onde forem regidos pelas seguintes Leis de Xadrez Rápido

B3
Os jogadores não precisam anotar os lances da partida.

B4
Uma vez que cada jogador tenha efetuado três lances, nenhuma reclamação pode ser feita relativamente à colocação incorreta das peças, posicionamento do tabuleiro ou acerto do relógio. Não é permitido rocar no caso de troca de posição de rei e dama

B5
a. O árbitro somente poderá intervir de acordo com o disposto no Artigo 4 (Peças Tocadas) se for requerido por um ou ambos os jogadores.

b. O jogador perde o direito a uma reivindicação com base nos Artigos 7.2, 7.3 e 7.5 (Irregularidades e Lances Ilegais) caso tenha tocado numa peça, de acordo com o disposto no Artigo 4.3.

B6
A seta é considerada caída quando for feita uma reclamação válida neste sentido por um dos jogadores. O árbitro deve abster-se de sinalizar uma queda de seta.

B7
Para reclamar uma vitória por tempo, o requerente deve parar ambos os relógios e avisar o árbitro. Para a reclamação ser bem sucedida, depois que os relógios tiverem sido parados, a seta do reclamante deve estar ‘em pé’, e a de seu oponente caída.

B8
Se ambas as setas estiverem caídas, a partida está empatada.

C
Do Xadrez Relâmpago

C1
A 'Partida de xadrez relâmpago' é aquela onde todos os lances devem ser feitos num limite de tempo pré-determinado inferior a 15 minutos para cada jogador.

C2
Os jogos serão regidos pelas Leis de Xadrez Rápido conforme o disposto no Apêndice B exceto onde eles estiverem regidos pelas seguintes Leis de Relâmpago.

C3
Um lance ilegal está completo assim que o relógio do oponente for posto em movimento. De qualquer forma, antes de fazer o seu próprio lance o oponente tem o direito de reclamar a vitória. O jogador tem o direito de reivindicar empate antes de fazer seu próprio lance se o oponente não puder lhe dar xeque mate por qualquer serie de lances legais possíveis mesmo com o mais inábil contra-jogo. Após o oponente completar o seu lance, o lance ilegal não pode ser corrigido.

C4
O Artigo 10.2 não se aplica.

D
Do final acelerado sem árbitro presente durante a partida

D1
Nos casos em que as partidas forem regidas pelo disposto no Artigo 10 o jogador pode reclamar empate quando tiver menos de dois minutos em seu relógio e antes que sua seta caia. Isto termina a partida. Ele pode reclamar baseado em:

a. que seu oponente não pode vencer por meios normais, ou

b. que o seu oponente não está fazendo esforço para vencer por meios normais..
Na hipótese (a) o jogador deve anotar a posição final, e seu oponente verificá-la.
Na hipótese (b) o jogador deve anotar a posição final em uma planilha atualizada, que deve ser completada antes de a partida ter parado. O oponente deverá verificar tanto a posição final quanto a planilha. A reclamação deverá ser encaminhada a um árbitro, cuja decisão será final.

E
Da anotação Algébrica


A FIDE reconhece para suas competições válidas para rating apenas um sistema de notação, o sistema algébrico, e recomenda o uso deste sistema de notação também para a literatura enxadrística e publicações periódicas.
Planilhas com outra notação que não seja a algébrica, não podem ser usadas como prova nos casos em que normalmente a planilha de um jogador é usada para tal propósito. O árbitro que observar um jogador utilizando outro sistema de notação que não seja o algébrico deverá alertá-lo sobre a questão da referida exigência.


Descrição do Sistema Algébrico

E1
Cada peça é indicada pela primeira letra, maiúscula, do seu nome. Exemplo: R=rei, D=dama, T=torre, B=bispo, C=cavalo

E2
Para primeira letra do nome da peça, o jogador está livre para usar a primeira letra do nome como é comumente usado em seu país. Exemplo: F = fou (Francês para bispo), L = loper (Holandês para bispo). Em periódicos impressos, recomenda-se o uso do figurino para as peças.

E3
Peões não são indicados por sua primeira letra, mas são reconhecidos pela ausência da mesma. Exemplo: e5, d4, a5.

E4
As oito colunas (da esquerda para direita para as brancas e da direita para esquerda para as pretas) são indicadas por letras minúsculas, a, b, c, d, e, f, g e h, respectivamente.

E5
As oito fileiras (de baixo para cima para o jogador das Brancas e de cima para baixo para o jogador das Pretas) são numeradas 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8, respectivamente. Conseqüentemente, na posição inicial as peças brancas são colocadas na primeira e segunda fileiras; as peças pretas são colocadas nas oitava e sétima fileiras.

E6
Como conseqüência das regras anteriores, cada uma das 64 casas é invariavelmente indicada por uma única combinação de uma letra com um número.

E7
Cada lance de uma peça é indicado pela (a) primeira letra do nome da peça em questão e (b) a casa de chegada. Não há hífen entre (a) e (b). Exemplos: Be5, Cf3, Td1.
No caso dos peões, apenas a casa de chegada é indicada. Exemplos: e5, d4, a5.

E8
Quando uma peça faz uma captura, um x é inserido entre (a) a primeira letra e o nome da peça em questão e (b) a casa de chegada. Exemplos: Bxe5, Cxf3, Txd1. Quando o peão faz uma captura, não apenas a casa de chegada é indicada, mas também a coluna de saída, seguida por um ‘x’. Exemplos: dxe5, gxf3, axb5. No caso de uma captura ‘en passant’, a casa de destino é dada, indicando onde o peão ficou e as letras ‘e.p.’ são acrescentadas à notação.

E9
Se duas peças idênticas podem ir para a mesma casa, a peça que é movida é indicada como segue:

1. Se ambas as peças estão na mesma fileira: por a) a primeira letra do nome da peça, b) a coluna da casa de saída, e c) a casa de chegada.

2. Se as duas peças estão na mesma coluna: por a) a primeira letra do nome da peça, b) a fileira da casa de saída, e c) a casa de chegada.

3. Se as peças estão em diferentes colunas e fileiras, o método (1) é preferível. No caso de uma captura, um ‘x’ é acrescentado entre (b) e (c).

Exemplos:
Há dois cavalos, nas casas g1 e e1, e um deles se move à casa f3: ou Cgf3 ou Cef3, conforme o caso.

Há dois cavalos, nas casas g5 e g1, e um deles se move à casa f3: ou C5f3 ou C1f3, conforme o caso.

Há dois cavalos, nas casas h2 e d4, e um deles se move à casa f3: ou Chf3 ou Cdf3, conforme o caso.

Se uma captura acontece na casa f3, os exemplos prévios são mudados pelo acréscimo de um ‘x’:

1) ou Cgxf3 ou Cexf3, 2) ou C5xf3 ou C1xf3, 3) ou Chxf3 ou Cdxf3, conforme o caso.

E10
Se dois peões podem capturar a mesma peça do oponente, o peão que se moveu é indicado por (a) a letra da coluna de saída, (b) um ‘x’, c) a casa de chegada. Exemplo: se há peões brancos nas casas c4 e e4 e uma peça preta em d5, a anotação do lance branco é ou cxd5 ou exd5, conforme o caso.

E11
No caso de uma promoção de peão, o lance de peão é indicado, seguido imediatamente pela primeira letra da nova peça. Exemplos: d8D, f8C, b1B, g1T.


A oferta de empate deve ser sinalizada como (=)

E12
Abreviações Essenciais:

O-O
roque com torre h1 ou torre h8 (roque pequeno)

O-O-O
roque com torre a1 ou torre a8 (roque grande)

x
captura

+
xeque

e.p.
captura "en passant"




Exemplo de partida: 1. d4 Cf6 2. c4 e6 3. Cc3 Bb4 4. Bd2 0-0 5. e4 d5 6. exd5 exd5 7. cxd5 Bxc3 8. Bxc3 Cxd5 9. Cf3 b6 10. Db3 Cxc3 11. bxc3 c5 12. Be2 cxd4 13. Cxd4 Te8 14.0-0 Cd7 15. a4 Cc5 16. Db4 Bb7 17. a5... etc.

F
Regras de jogo com Cegos e Deficientes Visuais

F1
Os Diretores de Torneios devem ter o poder de adaptar as regras abaixo relacionadas de acordo com as circunstâncias locais.
No xadrez competitivo entre jogadores videntes e jogadores deficientes visuais (oficialmente cegos) um dos jogadores pode exigir o uso de dois tabuleiros, os jogadores videntes usando um tabuleiro normal e o jogador deficiente visual usando um tabuleiro especialmente construído. O tabuleiro especialmente construído deve preencher os seguintes requisitos:

a. dimensões mínimas 20 x 20 cm;

b. as casas pretas levemente em relevo;

c. um pequeno orifício em cada casa;

d. cada peça deve ter um pequeno pino que se encaixe perfeitamente no orifício das casas;

e. peças modelo "Staunton", sendo as peças pretas especialmente marcadas.

F2
As seguintes regras deverão regular o jogo:

1. Os lances deverão ser anunciados claramente, repetidos pelo adversário e executados no seu tabuleiro. Para que o referido anúncio seja o mais claro possível, sugere-se o uso dos seguintes nomes ao invés das correspondentes letras algébricas
A-Anna
B-Bella
C-Cesar
D-David
E-Eva
F-Felix
G-Gustav
H-Hector

As fileiras das brancas até as pretas devem receber os algarismos em alemão:
1-eins (um)
2-zwei (dois)
3-drei (três)
4-vier (quatro)
5-fuenf (cinco)
6-sechs (seis)
7-sieben (sete)
8-acht (oito)

O roque é anunciado "Lange Rochade" (Grande Roque em idioma alemão) e "Kurze Rochade" (Pequeno roque em idioma alemão).
As peças usam os nomes em idioma alemão:
"Koenig" (Rei), "Dame" (Dama), "Turm" (Torre), "Laeufer" (Bispo), "Springer" (Cavalo) e "Bauer" (Peão).

2. No tabuleiro do jogador deficiente visual, considera-se tocada a peça quando ela tiver sido retirada do orifício de fixação.

3. Considera-se executado um lance quando:

a. no caso de uma captura, se a peça capturada tiver sido retirada do tabuleiro do jogador que tenha a vez de jogar;

b. uma peça tiver sido colocada em diferente orifício de fixação;

c. tiver sido anunciado o lance.
Somente então, o relógio do oponente será posto em movimento.

Tão logo os pontos 2 e 3 acima estejam consubstanciados as regras normais são válidas para o jogador vidente.

4. É admitida a utilização de um relógio especialmente construído para o jogador deficiente visual. Ele deverá ter inclusive as seguintes características:

a. um mostrador ajustado com ponteiros reforçados, com cada cinco minutos marcados por um ponto e cada 15 minutos por dois pontos;

b. uma seta que possa ser facilmente sentida pelo tato. Cuidados especiais devem ser tomados para que as setas sejam bem ajustadas de modo que permitam ao jogador sentir bem as agulhas dos últimos cinco minutos da hora completa.

5. O jogador deficiente visual deverá anotar a partida em Braille, ou escrever os lances à mão, ou gravá-los em fita magnética.

6. Qualquer engano no anúncio de um lance deverá ser imediatamente corrigido antes que se ponha em movimento o relógio do oponente.

7. Se durante o transcurso da partida surgirem diferentes posições nos dois tabuleiros, elas deverão ser corrigidas com o auxílio do árbitro e consulta das planilhas dos dois jogadores. Se as duas planilhas coincidirem, o jogador que haja escrito o lance corretamente, mas o tenha executado incorretamente, deverá corrigir sua posição para que corresponda com o movimento indicado nas planilhas.

8. Na hipótese de ocorrer uma divergência nas duas planilhas, deverá ser reconstituída a posição até o ponto em que as duas planilhas coincidam e o árbitro reajustará adequadamente os relógios se for necessário.

9. O jogador deficiente visual terá o direito de recorrer a um assistente que executará qualquer ou a totalidade das seguintes obrigações:

a. Efetuar o lance de cada jogador no tabuleiro do adversário;

b. Anunciar os lances de ambos os jogadores;

c. Anotar os lances na planilha do jogador deficiente visual e por em movimento o relógio do adversário (levando em conta a regra 3.c);

d. informar ao jogador deficiente visual, somente a pedido deste, o número de lances executados e o tempo gasto por ambos os jogadores;

e. requerer a vitória caso a seta do relógio do adversário tenha caído e informar ao árbitro quando o jogador vidente tiver tocado uma de suas peças.

f. Executar as necessárias formalidades no caso de suspensão de partida. Se o jogador deficiente visual não utilizar-se do assistente, o jogador vidente poderá recorrer a um assistente que leve a cabo as obrigações mencionados nos itens 9 "a" e 9 "b" acima.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.clubedexadrez.com.br/portal/cxtoledo/leis.htm

TEXTO 50 - HISTÓRIA DO CAMPEONATO MUNDIAL DE XADREZ.

A criação do título de Campeão Mundial foi uma obra pessoal, e muito anterior ao surgimento de um organismo que controlasse as competições. Até surgir Steinitz, ninguém havia tido a idéia de se empregar tão atraente título, apesar de que a superioridade de Stauton, Anderssen e Morphy sobre todos os seus contemporâneos era patenteada em determinados anos.

Quando Steinitz surge no palco do xadrez internacional, o norte-americano Morphy já havia deixado as competições sérias, onde então a figura máxima era o prussiano Anderssen, que havia sido derrotado por Morphy convincentemente no ano de 1858, em Paris por +2 -7 =2. Assim, quando em 1866, Steinitz venceu em um disputado match a Anderssen por +8 -6 =0, em Londres, se autoentitulou como Campeão Mundial, diante do sorriso de todos os aficionados, que não levaram a serio aquele pequeno enxadrista centroeuropeu.

Objetivamente falando, a superioridade de Steinitz, naquela época estava longe da clareza, pois no ano seguinte, 1867, Kolisch e Winawer o superaram no Torneio de Paris, e em 1870, Anderssen na revanche, no Torneio de Baden-Baden, derrota-lhe nas duas partidas que jogaram. Mas Steinitz volta com toda a força e vence o grande Torneio de Viena, 1873, com a satisfação de obrigar a Anderssen a render seu Rei nas duas partidas disputadas. Depois desta vitória, esteve bastante tempo sem participar de Torneios, mas em encontros pessoais derrotou, entre outros, Bird, Londres, 1866, +7 -5 =5; Blackburne, Londres, 1870, +5 -0 =1; Zukertort, Londres, 1872, +7 -1 =4 e outra vez Blackburne, Londres, 1876, +7 -0 =0.

No ano de 1882 reaparece no grande Torneio de Viena e obtém o primeiro posto, mas empatado em pontos com o polonês Simón Winawer, o que indubitavelmente, empalideceu um pouco seu triunfo.

Durante o tempo em que Steinitz permaneceu afastado dos torneios, novas figuras começaram a brilhar com luz própria e ameaçavam o trono que o mesmo havia criado.

Assim está a situação, quando no ano de 1883, em Londres, organizaram um torneio de dupla volta com os melhores enxadristas da época e que foi ganho brilhantemente por Zukertort, aquele jogador que Steinitz havia derrotado contundentemente em um match, onze anos antes. Aqui começaram as dificuldades de Steinitz, pois se até então, se bem que nada lhe dava o direito de ostentar o Título Mundial, ninguém havia reclamado para si tal galardão, ocorreu neste momento a Zukertort o desejo de o tomar para si, e depois de seu triunfo (impecável diga-se de passagem), definiu-se como Campeão Mundial...

Steinitz não consentiu isto, e imediatamente desafiou-o a jogar um match decisivo em que se esclarecesse quem teria o direito de utilizar o título de Campeão Mundial. As conversas foram longas e divergentes, e até 1886 estes dois esplêndidos enxadristas não se encontraram por meio do tabuleiro para disputar a supremacia.

Antes de Steinitz “criar” o Título Mundial, alguns matches (e torneio) podem ser considerados como indicadores de enxadristas que mereceriam ostentar o Título:

Mac Donell – De La Bourdonnais, Londres, 1834, 21V 13E 44D
Saint-Avant – Stauton, Paris, 1943, 6V 4E 11D
Anderssen, vencedor do Torneio de Londres, 1851
Anderssen – Morphy, Paris, 1857, 2V 2E 7D
Anderssen – Steinitz, Londres, 1866, 6V 0E 8D
Steinitz – Blackburne, Londres, 1876, 7V 0E 0D

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.clubedexadrez.com.br/portal/cxtoledo/campeonatomundi.htm

domingo, 14 de fevereiro de 2010

TEXTO 49 - BIOGRAFIA DE WILHELM STEINITZ.


FOTO 45.

Wilhelm Steinitz nasceu em Praga (Áustria) em 18 de maio de 1836, faleceu no ano 1900

Steinitz começou a se destacar na escola, sobretudo em matemática. Foi a Viena para cursar ali seus estudos de Engenharia, carreira que não terminou porque desde que chegou à cidade austríaca só se interessou pelo xadrez, começando sua carreira em Wiener Schachgesellscaft (escola de muitos mestres de xadrez). Pode-se dizer que nesta época era um jogador profissional já que cada partida que jogava era apostando-se uma quantia em dinheiro. Sua primeira aparição no mundo do xadrez foi no Torneio de Londres de 1862 onde terminou em 6° lugar, mas sua partida contra Mongredien recebeu o prêmio de partida mais brilhante. Depois do torneio firmou sua residência na capital inglesa já que naqueles tempos era considerada o centro do xadrez.

Steinitz tinha vontade de triunfar, embora seu forte e sombrio caráter às vezes lhe trouxesse problemas como o que ocorreu em uma partida contra o famoso banqueiro Epstein (muito poderoso naquela época), em um lance do jogo Epstein lhe disse muito aborrecido: “Jovem, tenha cuidado! Você não sabe com quem está falando?”, ao que o atrevido Wilhelm respondeu: “O sei perfeitamente, você é Epstein, mas no xadrez Epstein sou eu”. Isto naquela época era uma grave falta de respeito, mas assim era Steinitz que sempre era acompanhado do seu mal humor que lhe faria ter muitas inimizades. Em outra ocasião à pergunta de se ia ganhar em um forte torneio Steinitz respondeu: “De saída tenho grande vantagem, pois sou o único que não tem que enfrentar a Steinitz”.

Em 1874 começa a escrever na revista inglesa de xadrez “The Field” onde analisava partidas da época, aqui se pode dar a conhecer suas novas idéias sobre o xadrez que logo lhe fariam triunfar.

No começo Steinitz quis ser brilhante no seu jogo (era a tendência da época, onde os ídolos eram Morphy e Anderssen). Suas partidas foram tão notáveis que foi apontado como o Morphy Austríaco. Sua fama ia aumentando sem parar e sua vitória no match contra Anderssen em 1866 pelo que foi proclamado campeão do mundo (venceu por 8-6) contribui ainda mais para isso. Foi o primeiro campeão do Mundo oficial e este título se manteria até 1894 onde foi derrotado por Lasker.

Ninguém havia conseguido manter sua coroa durante tantos anos seguidos (28). Ganhou 7 matchs pelo Trono Mundial, o mencionado com Anderssen (8-6) em 1866, contra Zukertort (9-3) em 1872, contra Blackburne (7-0) em 1876, outra vez contra Zukertort (12/5 – 7/5) em 1886, contra Tchigorine (10/5 – 6/5) em 1889, contra Gunsberg (10/5 – 8/5) em 1890 e de novo com Tchigorine (12/5 – 10/5) em 1892. (ver matches)

O começo do Título de Campeão do Mundo não foi nada claro, muita gente não reconhecia Steinitz como campeão mundial, um deles era Zukertort (o jogador mais forte da época anterior a Steinitz) que depois de vencer no Torneio de Londres de 1883 se autoproclamou campeão do mundo já que nesse torneio estiveram os melhores jogadores da época (incluindo Steinitz). O austríaco não podia consentir isto, por isso lutou para que se disputasse um match para definir a quem corresponderia o cetro Mundial, este teve lugar em 1886 e Steinitz venceu com bastante claridade apesar de perder 4 das 5 primeiras partidas.

A opinião do mesmo Steinitz sobre seu longo reinado foi: “Ter conservado durante tanto tempo o título de campeão mundial, deve-se ao fato de que eu me achava 20 anos mais adiantado que meu tempo. Jogava de acordo com certos princípios desconhecidos a Zukertort e a meus demais antigos rivais. Minhas idéias não eram compreendidas. Por fim, os jogadores de hoje em dia como Lasker, Tarrasch, Pillsbury, Schlechter e outros, compreenderam meus princípios, o adaptaram e como é natural, melhoraram a obra iniciada por mim”.

É dito que a obra de Steinitz é o progresso maior do xadrez desde a época de Philidor, quer dizer, desde Philidor (século XVII) até começos do século XX.

Steinitz foi o fundador da escola moderna e sua maior realização foi criar a estratégia do meio jogo da partida. Depois de seu começo como jogador de ataque, Steinitz passou a ser um jogador menos arriscado, mais tático e sólido, mas com uma grande força no tabuleiro. E que, quando lhe apresentava a ocasião certa, fazia espetaculares combinações e deixava grandes partidas para a história.

Foi o primeiro jogador a dar importância às aberturas fechadas, onde não se pode fazer um jogo tão vistoso como o de Morphy (especialista em jogar aberturas abertas). Por isso seu jogo se tornou mais conservador, pois também lhe serviu para alcançar muitas vitórias e ser o dominador do xadrez durante 30 anos.

Está claro que o estilo de jogo de cada jogador é a prolongação de sua personalidade no tabuleiro, Steinitz era um homem de caráter muito sério e irritante, de fato criticou muito o jogo de Morphy (nunca mostrou simpatia por ele) coisa que não foi muito boa naquela época onde este era um ídolo. Nessa época o xadrez se resumia em ir à casa do rei contrário embora para isso tivesse que sacrificar até a última torre, Steinitz se deu conta de que construindo uma sólida posição e com pequenas vantagens se podia conseguir o mesmo fim: ganhar a partida. São dois pontos de vista opostos, eu pessoalmente prefiro a beleza dos sacrifícios onde os jogadores de verdadeira qualidade podem mostrar ao mundo seu talento.

Steinitz resumiu em seis pontos a maneira de levar uma partida no meio jogo:

1ª – Construção de uma posição sólida.
a) Uso quase exclusivo das aberturas fechadas
b) Ausência de sacrifícios e em geral jogadas de brilho que carecem de solidez
c) Economia de trocas de peças e peões
d) Predomínio dos ataques lentos ou de longa preparação

2ª – Acumulação de pequenas vantagens
Steinitz fez ver a vantagem do bispo sobre o cavalo que até esse momento se consideravam peças de igual potência.

3ª – Formação de pontos débeis no campo inimigo e utilização dos mesmos.
Pontos débeis: um peão dobrado ou isolado, peça isolada ou mal desenvolvida.

4ª – O ataque não se deve dirigir exclusivamente ao flanco onde está o rei.

5ª – Assegurar o triunfo final
Refere-se a ter uma forte preparação nos finais, coisa que naquela época não era muito habitual.

6ª – Estratégia expectante
Ou seja, a prática de suas teorias sobre o jogo posicional.

Estes postulados eram um decreto contra o xadrez de ataque e contra o espetáculo, eu pessoalmente não sou partidário desta forma de jogo porque dá como fruto, partidas chatas e muitos encontros que finalizam em empate. Mas deve-se reconhecer que com estas novas idéias Steinitz se converteu em um jogador imbatível durante muitos anos, já que sua superioridade posicional sobre o resto dos jogadores era demasiada grande. Assim mesmo estas idéias serviram de base para o estilo de jogo dos jogadores da geração posterior a Steinitz, como Lasker, Tarrasch... Que reconheceram que quem inovou foi o austríaco e eles se limitaram a aperfeiçoar seu estilo.

A contribuição de Steinitz ao xadrez foi ampla já que colaborou em periódicos e revistas de xadrez da Inglaterra e Estados Unidos, incluindo a publicação da revista “The international Chess Magazine” de 1885 a 1891. Também foi escritor de livros como: “The modern chess instructor” e “The sixth american chess congress”.

Em 1883 se transferiu aos Estados Unidos onde adquiriu a nacionalidade norteamericana em 23 de novembro de 1888, é dito que emigrou por sua disputa com o diretor da revista “The field”, embora outros digam que o fez por seu desejo de enfrentar-se com Paul Morphy, com ele manteve várias entrevistas em New Orleans. Mas Morphy não aceitou jogar com Steinitz já que havia se retirado do xadrez e o repudiava totalmente devido ao fato de que estava muito mal visto ser jogador de xadrez na dura sociedade da sua cidade natal.

Deve-se recordar que o jogador que terminou com o longo reinado de Steinitz foi Emanuel Lasker em 1894 e também que apesar de seu conhecido mau humor depois de perder o título se pôs em pé e gritou: “Três vivas pelo novo campeão”. Antes de tudo Wilhelm era um ganhador e um perdedor.

Fora da sua atividade no xadrez, Steinitz praticava sapateado. Numa carta a um amigo pouco tempo antes da sua morte, Steinitz expressou o seu arrependimento por nunca ter desafiado o campeão mundial de sapateado, que na altura era o espanhol naturalizado americano Eduardo Corrochio. O seu amor à dança é um indicador da sua personalidade, um homem de paixões e amante de arte, consumido pelo desejo de competir e vencer.

Diz-se que nos seus derradeiros dias, Wilhelm Steinitz endoideceu e afirmou que tinha jogado e vencido Deus num jogo de xadrez através de uma linha telefônica invisível. Emanuel Lasker, que arrebatou o campeonato a Steinitz disse numa ocasião, “Eu que derrotei Steinitz irei fazer justiça às suas teorias, e irei vingar os males que sofreu.” Steinitz faleceu pobremente, um fato evidenciado por Lasker, que estava determinado a não seguir pelo mesmo caminho de Steinitz.

Fontes: Wikipedia &
Adaptado de Ajedrez de ataque.
Traduzido por Lidiane Fernandes.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIAS:
http://www.clubedexadrez.com.br/portal/cxtoledo/biosteinitz.htm
http://reinodecaissa.blogspot.com/2009/05/wilhelm-steinitz.html