RESPEITE AS CRIANÇAS!

RESPEITE AS CRIANÇAS!
AS CRIANÇAS NÃO SÃO LIXO.




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O CLUBE DE XADREZ SANTO ANTONIO DE JESUS, BAHIA (CXSAJBA) AGRADECE PELA VISITA, NESTE BLOG.
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quarta-feira, 7 de julho de 2010

TEXTO 69 - ÁLVARO ALEXANDRE.

ENXADRISTA ÁLVARO ALEXANDRE.
FOTOGRAFIA: DOMINGOS CADÊNCIA.

O gosto pelo xadrez começou através do seu irmão. “Inspirei-me através do meu irmão, no bairro Golfe I, na década de 90, onde reinava o amadorismo do xadrez. Sem vaidade, o Tião, meu mestre era um bom praticante, motivo que me galvanizou a praticar a modalidade”, sublinhou Casimiro António, xadrezista sénior do Grupo Desportivo da EPAL.
Actualmente, Casimiro tem como mestre o árbitro António Xavier, figura incumbida de esboçar as opções técnico-tácticas, com a finalidade de aperfeiçoar o seu desempenho.
O xadrezista referiu que o jogo ciência contribui para o engrandecimento do nível intelectual. “É uma modalidade que ajuda as pessoas a discernirem com facilidade as coisas e aumenta a capacidade de análise. É necessário levar o xadrez às escolas do ensino de base”, desabafou.
O Atleta afirmou que Angola tem muito potencial. “O xadrez é uma modalidade que mexe com a mente das pessoas. Tem uma quota-parte na resolução das questões sociais. A sua eficácia passa por esforços conjugados entre os sectores de decisão do país e a contribuição individual e positiva do angolano. Essa é a chave do sucesso”, rematou.
O mercado interno é a sua fonte predilecta para a aquisição de material desportivo. “No mercado interno pode-se encontrar todo o tipo de material para a prática de xadrez. Consigo adquirir localmente os relógios, livros e guias de estudo, programas de software e computadores. Os meus investimentos para o xadrez rondam anualmente os 1.500 dólares. Os gastos não têm tido retorno. Os rendimentos dos torneios são baixos, não cobrem os valores gastos”, revelou o xadrezista.
Contudo, Casimiro António deixou uma mensagem aos mais jovens. “A prática do xadrez só produz benefícios. Para tal, os interessados devem procurar alguém com domínio na matéria para ensinar com exactidão. A integração na modalidade requer três horas de estudo diário e abster-se de alguns vícios”, finalizou.

Quem é quem ...

Nome: Casimiro João António.
Data de Nascimento: 03/03/1983.
Naturalidade: Luanda.
Nacionalidade: Angolana.
Altura: 1,70 metros.
Peso: 62 kg.
Clube: EPAL.
Modalidade: Xadrez.
Tabaco: Não.
Bebida: Sumos.
Número de calçado: 42.
Música: Soul Music.
Hobby: Leitura e xadrez.
Cor Preferida: Azul.
Religião: Ateu.
Calor ou Cacimbo: Cacimbo.
Filmes: Drama.
País: Angola.
Cidade: Luanda.
Estuda: Sim.
Classe: 4º Ano de Gestão e Administração Pública.
Instituição: Faculdade de Letras.
Um sonho a realizar: Concluir o doutoramento em gestão.
Títulos conquistados: Campeão Nacional de Juniores (2003, Namibe), bicampeão de júnior de Luanda (2001/ 2002), penta-campeão provincial e nacional por equipas.

Altos & Baixos.

Xadrezista vitorioso.

"A conquista do Campeonato Nacional de Juniores de 2003, realizado na província do Namibe, foi um dos feitos mais importantes que enriqueceu o meu palmarés. Na mesma fase, fui convocado para a pré-selecção nacional de seniores, que disputou os Panafricanos da Nigéria. Fiquei em quarto lugar no Africano de Juniores, realizado no Botswana, em 2002 e também me sagrei vencedor do torneio SARPCCO Games de 2003, no Botswana".

Falta de dinheiro.

"O meu afastamento do grupo escolhido para representar o país nos Panafricanos da Nigéria de 2003 marcou-me bastante. Por opção técnica, o malogrado professor Manuel Andrade colocou-me de fora. No Africano de Juniores, realizado na Líbia em 2003, mais uma vez fiquei em terra. A razão da minha desgraça foi o facto da Federação Angolana de Xadrez ter passado maus momentos, no capítulo financeiro".

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://jornaldosdesportos.sapo.ao/28/0/o_xadrez_mexe_com_a_mente_das_pessoas

domingo, 27 de junho de 2010

TEXTO 68 - A FIDE QUER CONSTRUIR HOTÉIS.


Pode parecer anedota, mas não é, segundo uma notícia publicada no sítio Russia-Info-Centre, que cita o www.dp.ru (FIDE построит в Самаре гостиницу),

«A segunda maior federação do mundo (FIDE) pretende construir hotéis em 165 países. Todos os hotéis terão a forma de peças de xadrez. A FIDE pretende construir 150 hotéis e centros de xadrez já nos próximos 4 anos.

Segundo o presidente da FIDE, Kirsan Ilyumzhinov, serão destinados de imediato cerca de 1 bilião de dólares (US$1 billion) para dar início ao projecto. O custo total do projecto está estimado em 50 biliões de dólares (US$50 billion).

Já se sabe que alguns centros de xadrez e hotéis serão edificados em Chisinau (Moldova), na Rep. Pop. China e cidades russas como Samara, Yekaterinburg, e Khanty-Mansiysk.




Outra parte grandiosa do projecto é contruir uma cidade do xadrez que consistirá em 32 hotéis em forma de xadrez nos Emiratos Árabes Unidos. É um projecto dispendioso, mas a FIDE já tem acordos com vários investidores».

Ler a este propósito os artigos Ilyumzhinov and the Chess City in Dubai, na ChessBase news e Big Move: Dubai Backing $2.6-Billion International Chess City, de JACK LYNE, Site Selection Executive Editor of Interactive Publishing. Ver também Innovative International Chess City soon to grace Dubai skyline, na CNN.com.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://aladerei.blog.pt/tag/fide/

TEXTO 67 - O XADREZ PODE SER UMA ATIVIDADE LUCRATIVA?


Irá o xadrez tornar-se uma atividade lucrativa como o boxe ou o futebol? O empresário holandês, Bessel Kok, de 65 anos, é o presidente da empresa, com sede em Amerstardão, Holanda, chamada “Global Chess BV” (Xadrez Global).

O objectivo desta empresa, que tem um capital inicial de 4,5 milhões de euros, é fazer a promoção dos principais eventos da FIDE, em especial, os Campeonatos do Mundo.

O jornalista alemão, Dr. René Gralla, entrevistou Bessel Kok, o qual depois de ter sido o Vice-Presidente da Český Telecom, vive actualmente em Praga, onde dirige a “Global Chess BV”.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://aladerei.blog.pt/tag/fide/

sexta-feira, 18 de junho de 2010

TEXTO 66 - A ORIGEM DAS 32 PEÇAS (TEXTO DE PROF. JOSÉ AUGUSTO DE MELO NETO).

Até o fim do século 19, acreditava-se que o jogo de xadrez havia surgido na região da antiga Pérsia. Entretanto, no início do século 20, duas publicações contribuíram para mudar esta concepção.
Em 1902, o oficial inglês H. Raverty escreveu um artigo no Jornal da Sociedade Real Asiática de Bengala, intitulado a "História do Xadrez e do Gamão". De acordo com lingüista Sam Sloam (1985) [1], pela primeira vez contou-se a seguinte história: um sábio chamado Sissa, de uma região do noroeste da Índia, inventou um jogo que representava uma guerra e pediu como recompensa ao rei um grão de trigo para a primeira casa do tabuleiro, dois para a segunda, quatro para a terceira, sempre dobrando a quantidade da casa anterior. Essa famosa história foi inúmeras vezes recontada e acabou tornando-se a lenda mais conhecida sobre a origem do xadrez.
Em 1913, Harold James Ruthven Murray publicou o livro “Uma História do Xadrez”. Nesta obra, o autor declara de forma convincente em mais de 900 páginas que o xadrez foi inventado na Índia, em 570 d.c.. Este xadrez indiano chamava-se chaturanga e seria anterior ao xadrez persa (chatrang), ao xadrez árabe (shatranj), ao xadrez chinês (xiangqi), ao xadrez japonês (shogi) e a todos os xadrezes. A pesquisa do autor tornou-se uma referência na literatura enxadrística e foi reproduzida exaustivamente [2].

Todos nós acreditamos na versão de Murray. Afinal, o chaturanga era a origem mais provável. Porém, esta teoria foi ficando cada vez mais difícil de sustentar com novas descobertas arqueológicas e com uma análise mais minuciosa das fontes do autor. Na busca de referências para trabalhos científicos, o xadrez indiano a quatro mãos passou a ser citado como uma variante mal-sucedida de um outro jogo ainda mais antigo [3].

Representação hindu.

De acordo com Yuri Averbakh (1999) [4], a origem do xadrez não pode ser analisada sem o conhecimento adequado da origem de outros jogos de tabuleiros. Por exemplo: egípcios e gregos tiveram os seus jogos de tabuleiros que simulavam corridas. Asthapada era o nome de um antigo jogo de corrida indiano que, assim como o chaturanga, era jogado por quatro pessoas, com dados, em um tabuleiro de 64 casas. A idéia de um xadrez inicial somente com carros de combate é realmente incrível.
Mas, apesar de Jean-Louis Cazaux (2001) [5] e Myron Samsin (2002) [6] proporem o xadrez como um jogo híbrido, o registro da existência de vários jogos de tabuleiros (8x8), em regiões e épocas distintas, com peças representando uma hierarquia e com o mesmo objetivo de deixar a peça principal sem movimento é uma evidência que estes jogos tiveram uma origem comum.




Analogia com as peças do xadrez: chaturanga, chatrang e xiangqi.

O período árabe do xadrez, cujo nome shatranj permanece até os dias atuais, parece ser o único ponto de convergência entre os antigos e atuais pesquisadores. Ele foi realmente o responsável pela propagação rápida do jogo que acompanhou a cultura mulçumana na expansão do islamismo. Até 1475, o xadrez que jogava-se na Europa era resultado direto desta influência. O grande enigma diz respeito ao seu período ainda mais remoto. Se realmente há registros na literatura antiga persa e chinesa anteriores ao século seis da nossa era sobre um jogo de tabuleiro similar ao xadrez, podemos considerar as seguintes hipóteses formuladas por Cazaux (2001) [7]:

1 – O xadrez nasceu na Pérsia;

2 – O xadrez nasceu na China;

3 – O xadrez persa e chinês têm o mesmo ancestral;

4 – O xadrez persa e o xadrez chinês influenciaram-se mutuamente na sua formação.

Há referências [8] que, ao menos 700 anos antes da era cristã, jogava-se na China um jogo de tabuleiro com pedras que simulava uma guerra. O número de peças podia chegar exatamente a 32 peças. Este jogo tinha o nome de Liubo e é considerado o ancestral do xiangqi, o xadrez chinês.
O jogo do elefante [9] já era jogado na China no século II d.c.. Os movimentos das peças que iniciam nas bordas do tabuleiro, equivalentes à torre, cavalo e bispo [10] do xadrez moderno, são praticamente os mesmos do xadrez chinês. Há também um rei no centro. O que muda é o número de peões: apenas cinco no xiangqi, contra oito do modelo ocidental. Esta mudança é compensada em número de peças por dois conselheiros e dois canhões, somando em ambos os jogos 32 peças.
O tabuleiro chinês é no formato 9x10. Como as peças não são colocadas nas casas e sim nos pontos que separam as casas, a transposição para xadrez moderno equivaleria a um tabuleiro 8x9. Há ainda no xadrez chinês um rio que separa os dois lados como uma fronteira artificial. Se o rio fosse eliminado teríamos o mesmo tabuleiro de 64 casas (8x8). Sloam (1985), em seu artigo “A origem do xadrez” [11], é enfático quando comenta a convenção dos pontos, originária de um outro jogo de tabuleiro, o go:
“...quando o xadrez foi da China para a Índia, era jogado num tabuleiro de go de 9x9. Quando os indianos (ou persas ou árabes, quais tenham vindo primeiro), que não sabiam nada de go, viram aquilo, eles simples e naturalmente tiraram as peças dos pontos e puseram nas casas. Assim, um tabuleiro de go de 9x9 tornou-se um tabuleiro de xadrez de 8x8. Contudo, havia ali uma peça a mais, então os indianos simplesmente eliminaram um dos chanceleres. Também acrescentaram três peões, para preencher o espaço vazio em frente. (O xadrez chinês agora só tem cinco peões, mas pode ter tido mais em versões mais antigas do jogo). Dessa forma, é possível que eles tenham convertido o xadrez chinês em xadrez indiano de um só golpe...”
xiangqi: discos com caracteres chineses
Embora não existam evidências que comprovem todos os argumentos daqueles que hoje acreditam na segunda hipótese, é um fato os registros de um jogo anterior ao chaturanga e ao chatrang em pelo menos três séculos. O xiangqi teria a possibilidade de ter se propagado em outras regiões sujeitas à influência chinesa com as rotas comerciais da seda. As peças de xadrez mais antigas já descobertas foram encontradas nestes caminhos.
Neste xadrez de tantas possibilidades, permitiu-se ainda que em julho de 2002 fosse encontrada durante as escavações de um palácio bizantino, no sul da Albânia, uma peça de marfim que seria do ano 465 d.c. [12] (portanto, anterior ao chaturanga). Seria a mais antiga peça já encontrada na Europa, mas há quem acredite não ser uma peça de xadrez e sim apenas uma pequena estatueta decorativa. Antes desta descoberta, peças italianas feitas de osso, datadas do séc. X, em exposição no Museu Arqueológico de Nápoli, pareciam confirmar que o xadrez indiano, persa ou chinês havia demorado mais séculos antes de entrar na Europa medieval.


A peça de 4 cm (Séc. V) encontrada em 2002 e as peças italianas (séc. X).



PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.xadrezamazonense.tripod.com/
Notas:


1 - SLOAM, Sam. The Origin of Chess. 1985. Disponível em:< http://www.samsloan.com/origin.htm>. Acesso em: 29 ago 2002

2 - Embora o autor tenha este e outros livros reimpressos nas décadas de 50 e 60, suas pesquisas encerram-se em 1917.

3 - SLOAM, Sam. Op. Cit.

4 - AVERBAKH, Yuri. To the Question of the Origin of Chess. 1999. Disponível em: < www.netcologne.de/~nc-jostenge/ averba.htm>. Acesso em: 29 ago 2002

5 - CAZAUX, Jean-Louis. Is Chess a hybrid game?. 2001. Disponível em: < www.netcologne.de/~nc-jostenge/cazaux.htm>. Acesso em: 29 ago 2002

6 - SAMSIN, Myron J. Pawns and Pieces - Towards the Prehistory of Chess. 2002. Disponível em: < www.netcologne.de/~nc-jostenge/samsin.htm>. Acesso em: 29 ago 2002

7 - CAZAUX, Jean-Louis. Op. Cit.

8 - FLEISCHER, R. e ULLAH KHAN, S. Xiangqi and Combinatorial Game Theory. 2002. Disponível em:. Acesso em: 29 ago 2002

9 - O xiangqi é também conhecido como o jogo do elefante, enquanto o shogi é conhecido como o jogo do general.

10 - A comparação é evidentemente mais adequada com o chatrang, cujos nomes das peças são os mesmos.

11 - SLOAM, Sam. A origem do xadrez. Disponível em: < http://geocities.yahoo.com.br/xadrezvirtual/historia/>. Acesso em 29 ago 2002

12 - Europe's Oldest Chess Piece Found. Disponível em: . Acesso em 29 ago 2002

sábado, 12 de junho de 2010

TEXTO 65 - POR QUE ESTUDAR XADREZ? (RELATO DE GARRY KASPAROV).

Por que estudar Xadrez? (Relato de Garry Kasparov).

A proposta de revista Sport in the URSS, de publicar uma série de lições minhas, para osseus leitores, pegou-me um pouco de surpresa, porque eu mesmo ainda estou estudando as sutilezas do Xadrez.
Depois de pensar um pouco, eu resolvi que, escrever a respeito da minha compreensão e da minha interpretação, dos fundamentos do Xadrez, também seria útil para mim.
Eu sou um apaixonado pelo Xadrez; esta paixão já dura muitos anos e é para sempre.
Eu estou sempre estudando Xadrez e estudando minunciosamente. Mesmo quando eu analiso aquilo que já fiz e traço planos para o futuro, não consigode deixar de me impressionar diante da inesgotabilidade do Xadrez e de tornar-me, cada vez mais convencido, de sua imprevisibilidade. Veja por você mesmo: já foram disputadas milhões de partidas. E milhares de livros foram escritos, sobre vários aspectos do jogo. E assim mesmo, não existe um método ou uma fórmula capaz de garantir a vitória. Não há critérios, matematicamente comprovados, para avaliar-se sequer, um lance, quanto mais uma posição. Os experts em Xadrez não têm dúvida, de que, na maioria das posições, há mais de uma continuação recomendável e, cada um escolhe o ´´melhor´´lance, com base, na sua própria experiência, capacidade analítica e até mesmo caráter. Nem mesmo, a possibilidade do emprego de computadores, para análise, parece séria no presente (1993), uma vez que ainda não foi encontrado um algarítmo definitivo da partida de Xadrez e, não há programa algum, capaz de lidar confiavelmente, com suas complicações múltiplas. E por que falar a respeito de detalhes, posições e estágios da partida, quando nem mesmo há uma resposta para a pergunta: ´´o que é o Xadrez? Um esporte, uma arte ou uma ciência?``
Alguns dirão: ``Os jogadores de xadrez participam de torneios e disputam partidas, lutam para vencer e o resultado é importante para eles - o que significa que o Xadrez é um esporte. Ele desenvolve a força de vontade e ajuda as pessoas a se tornarem mais fortes.´´
E como pode alguém convencer outro da correção de opnião, daqueles que sempre se impressionam com a beleza das combinações e da lógica das táticas do Xadrez? Para estes, um engenhoso sacrifício de Dama, em uma partida perdida, é uma fonte de prazer, ao passo que uma partida monótona, forçada, os deixa indiferentes. Para estes, o Xadrez é uma arte capaz de trazer felicidade e de dar sentido aos momentos de lazer. Ao mesmo tempo, há também, muitos entusiastas capazes de passar noites em claro, resolvendo um problema do tipo: ´´Por que as pretas movem a Torre para a casa d8, em vez de mover o Cavalo, para a casa c6? Por que a posição das pretas é melhor? Para estes, o Xadrez é principalmente uma ciência, baseada no raciocínio lógico.
Eu gosto do Xadrez, pela versatilidade e pela multiplicidade. Foi a beleza e o brilhantismo dos golpes táticos, que me cativaram ainda na infância. Primeiro, admirando este brilhantismo, e depois, buscando-o nas minhas próprias partidas e, a seguir, tentando jogar bonito - tais foram os estágios do meu crescimento, como um prisioneiro da Arte do Xadrez. Mas depois veio à época, em que comecei a competir com outros, a tomar parte em torneio após torneio e, isto quer dizer que tive que começar a trilhar o caminho do Xadrez, como esporte. Eu ainda gosto de jogar bonito, mas não mais posso ser indiferente aos meus resultados; a se vou ganhar ou terminar nas últimas posições.
Eu quero vencer; eu quero derrotar todos, mas quero fazê-lo com estilo, em um combate esportivo honesto. O Ex-Campeão Mundial Mikhail Botvinnick, que eu considero meu professor, é um acadêmico do Xadrez, cujo trabalho ajudou-me a abordar o Xadrez Científico. Eledespertou em mim, o prazer de pesquisar e de resolver os inumeráveis problemas do jogo.A longo de meus preparativos, para as competições e,durante minhas análises de partidas abertas, de repente, percebi que estava tentando estudar meticulosa e metodicamente, com uma persistência típica de um pesquisador. Estou convencido,de que minha afeição, por todos estes aspectos do Xadrez irá contribuir para preservar a minha paixão, pelo resto de minha vida.
Meus pais ensinaram-me a mover as peças, quando eu tinha cinco anos e eu fiquei fascinado. Um ano mais tarde, fui levado para um grupo de Xadrez, no Clube de Jovens Pioneiros, em Baku, onde imaginava-me em um reino de jogadores de Xadrez. Desejando convencer-nos do caráter paradoxal do Xadrez, o nosso instrutor arrumou as peças sobre o tabuleiro, logo em uma das primeiras sessões. Veja a posição das peças, através da linguagem Forsity:
3b3tr
3P2pp
8
8
8
2d5
PP1pppPP
3T3R
Esta posição, onde os pequenos Peões derrotou o inimigo, era tão surpreendente, que parecia um conto de fadas e tornei-me incapaz de viver sem o Xadrez, desde então. Sempre admirei esta posição.
Eu sempre gostei de atacar, desde a infância. Ainda gosto de jogar na ofensiva. Dediquei muito tempo para estudar os fundamentos, que parecem não ter nenhuma influência direta no jogo, mas que - estouconvencido - são necessárias para um Grande Mestre, quanto para um Amador, que queira melhorar seu jogo e obter agradáveis resultados em torneios. Para atingir o seu alto padrão de jogo, um Grande Mestre tem de gastar milhares de horas estudadas, centenas de partidas.
Seu talento jamais se desenvolveria sem tamanho trabalho. Se você gosta de jogar Xadrez, mas não tem tempo, para dedicar-se a um estudo independente, mas assim mesmo, quer derrotar seus amigos, você terá que gastar algumas dezenas de horas, debruçado sobre o tabuleiro.

PESQUISADO, PELA PROFESSORA MARIA ZENILDA BARRETO (ZENE).
POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
Aprendo Xadrez com Garry Kasparov - Campeão Mundial
(Repleto de idéias e estratégias geniais).
Tradução: Bazan Tecnologia e Linguística Fábio Santos de Góes.
Editora Ediouro.
4ª Edição.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

TEXTO 64 - A HISTÓRIA DO XADREZ (NARRADA POR A. CARNEIRO E JOAQUIM VALLADÃO MONTEIRO).

PINTURA DO RETRATO DE RICHARD COER DE LION.
Buscar a origem do Xadrez, é voltar à obscuridade das lendas e tradições, nuito antes da História Escrita. As lendas da Índia associam o jogo aos efeitos dos deuses e dos heróis, conforme encontra-se no BHAHAVISHYA PURANA, uma das partes do antiquíssimo poema épico MAHABARATA. Este o menciona, como originário daquele país, há uns quatro ou cinco mil anos, ao tempo em que Ravana, rei do Ceilão foi sitiado por seu inimigo Rama; O HERÓI DO RAMAIANA, outro grande poema épico hindu. A invenção do jogo é atrubuída a esposa de Ravana, que o idealizou, para montar um espírito bélico nos soldados, pois o xadrez foi sempre considerado como uma guerra em miniatura.
Do mesmo modo, o Xadrez Chinês, de acordo com a tradição do país, foi inventado pelo General Hang-Sing, enviado por Hong Chu, rei da Kianguan, para sitiar Shen-Se. Seu exército foi surpreendido pelo inverno e Hang-Sing, para que seus soldados esquecessem suas asperezas, e tal como na tradição hindu, para que mantivessem os seus espíritos aguerridos, inventou o Xadrez Chunês.
Os militares de todos os tempos, tem sido entusiastas do Xadrez. Os nomes mais célebres foram Tamerlão e o Grande Napoleão.
Naturalmente, as formas iniciais do Xadrez, não correspondiam exatamente ao nosso xadrez moderno. No primeiro jogo hindu, Chaturanga haviam quatro jogadores, dispondo cada um rajá, um elfante, um cavalo, um navio, e quatro infantes. A partida era jogada, ou pelo menos iniciada com dados, para determinar a peça a ser movida e com apostas. As peças valiam certo número de pontos, quando tomadas: 5,4,3,2,1, na ordem acima citada. Alguns lances do jogo, dobravam o ganho.
Firdausi, o Grande Poeta Persa, do décimo século, no seu SHAHNAMA, ou LIVRO DOS REIS, fala da introdução do Xadrez na Pérsia, aproximadamente, no ano 500, da Era Cristã. Depois da conquista da Pérsia, pelos califas, no século sétimo, o jogo tornou-se conhecido na Arábia. Data desta época, a notícia do PRIMEIRO LIVRO DE TEORIA DO XADREZ, escrito por Masudi (aproximadamente, no ano 950, da Era Cristã). No início do Século XI, ou pouco antes, o Xadrez chegou à Europa, que até nossos dias, tem sido seu principal centro de desenvolvimento.
O Jogo de Xadrez, desde sua origem na Índia, numa remotíssima época, chegou até nossos dias, após sofrer várias transformações e modificações. Seu primeiro nome foi Chaturanga, vocábulo sânscrito, que se pronuncia, como se em Português escrevêsse-mos (t) chaturanga, isto é, conforme a prosódia convencional, clássica na Europa Xadrez (com as variantes arcaicas axadrez, enxadrez, acendreche, com derivados, como axadrezado, xadrezinho, etc.), repetimos, vem do sânscrito: chatur, que significa ´´quatro´´; e anga, que significa ´´membro´´, designando um exército de quatro armas: infantaria, cavalaria, elefantaria e navios.
Os persas, quando o Chaturanga lhe foi transmitido, por uma natural corrupção do sânscrito chaturanga, , chamaram-no de chaturang. Os árabes que invadiram seu país, alteraram-no também, para shaturanj (ax-xitrenj, pois em seu alfabeto, não existia o primeiro e o último som.
Como e Xadrez chegou à Europa, não se sabe ao certo. Supõe-se terem sido vários os seus introdutores: os espanhóis, certamente aprenderam-no dos mouros; os italianos aprenderam dos bizantinos, antes do tempo das Cruzadas, quando os nobres, de todos os países da Europa, tiveram oportunidade de conhecê-los na Palestina. A Itália e a Espanha, logo espalharam-se à Alemanha; aos Países Escandinavos e à Inglaterra.
A tradição relata que o rei Canuto (1016 - 1030) discutiu com o Conde Ulf, sobre o tabuleiro de Xadrez e, em consequência disso, assassinou-o no dia seguinte. A ´´Crônica de Ramsav`` diz que quando o Bispo Utherico procurou o Rei Canuto à noite, para o negócio urgente, encontrou-o jogando Xadrez e dados com seus cortezãos.
A primeira menção do Xadrez, na Literatura Inglesa, encontra-se no Cursor Mundi (aproximadamente, no ano 1300), onde é citado com despreso, entre os ´´jogos ociosos´´.
No Século XII, Jacques de Cessoles, escreveu um tratado, do qual, todo um capítulo foi consagrado a um Curso de Moral, tirado do jogo de Xadrez.
No romance, em versos, ´´Richard Coer de Lion´´ (pintura do retrato, acima), rm Inglês Medieval (aproximadamente, no ano de 1325), lê-se o seguinte: ``Encontraram o Rei Rucardo jogando Xadrez em sua galera,/ E o Conde de Ruchmond com ele jogava/ E Ricardo gannhou tudo que ele apostara.
Pelo último verso concluiu-se, que no Século XIV, o Xadrez Inglês era jogado com apostas, como fora Chaturanga. A espécie de coisa que constituia o objeto de suas apostas, é referida no romance, em versos, de Inglês Medieval ´´Sir Tristrem´´, onde lemos: Vendo um tabuleiro de Xadrez, ao lado de uma cadeira/ Perguntou-lhes quem queria jogar/ Disse-lhe um marinheiro, em tom jovial:/ - Rapaz, que queres apostar?/ Contra um gavião de altineiro porte/ E quem lealmente ao outro vencer/ Ambos os prêmios levará´´. E ficamos sabendo, que antes de terminar o jogo, já Tristrem havia ganho seis gaviões e presenteava-os aos circunstantes a fim de fazer amigos.
O jogo continuou desenvolvendo-se pela Europa, até o Século XVI, época em que viveu o PRIMEIRO VERDADEIRO ANALISTA, que escreveu sobre o Xadrez Europeu. Foi o espanhol Ruy Lopes de Segura (aproximadamente, no ano 1560), que registrou a última mudança: (o roque), do Shatranj dos árabes, para a forma do xadrez hoje, jogada por toda a Europa. Dele tomou seu nome, a Abertura Ruy Lopes, também denominada Partida Espanhola (ou Abertura Espanhola). Ruy Lopes, autor da interessante obra ``Livro de la invención liberal y Arte del juego del Axedrez.´´Acolá 1561, é considerado e mui justamente, como o fundador da teoria enxadrística.
No Século XVIII, a supremacia do Xadrez pertencia à França. Françóis André Danican Philidor publicou, em 1749, a ``Análise do Xadrez``, que foi o livro sobre xadrez mais editado e mais traduzido. A Defesa Philidor tem seu nome devido a este mestre.
Nos meados do Século XIX, a Inglaterra assumiu a liderança (ora em poder da Rússia) com homens como o Capitão Evans, criando o Gambito Evans e Howard Stauton, idealizador do desenho das peças de xadrez, hoje comumento usado e, de muitas variações do jogo.
A América contribuiu pelo menos com um nome para o firmamento dos astros do xadrez: Paul Morphy (1837 - 1884), cujas partidas formam talvez, a mais brilhante coleção, que já foi publicada. Elas são muito estimulantes para os jogadores novos.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIAS:
http://edomitas.files.wordpress.com/2010/03/richard_coeur_de_lion.jpg
Livro: Aprenda a Jogar Xadrez Corretamente.
Autores: A. Carneiro e Joaquim Valladão Monteiro.
Editora Ediouro.
Edições de Ouro.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

TEXT0 63 - HISTÓRICO: SEÇÃO DE XADREZ DO JACAREPAGUÁ TÊNIS CLUBE.

O xadrez do Jacarepaguá Tênis Clube nasceu na década de 1940 por iniciativa do sócio proprietário Felício Anchite. Em março de 1946, o presidente do JTC Agostinho Alves da Costa convidou o associado Felício Anchite para dirigir o Departamento de Jogos de Salão do JTC. Anchite nesse ano estava com 35 anos de idade e era militar da Aeronáutica, servindo no Campo dos Afonsos. Era também orientador técnico de xadrez do Conjunto Santos Dumont da Escola de Aeronáutica. Logo que assumiu o cargo de diretor de Jogos de Salão do JTC, Anchite introduziu o xadrez em seu departamento, que teve apoio da diretoria e muitos associados do clube. Com Anchite na direção do xadrez do JTC, diversos militares da Aeronáutica entraram de sócios do clube, destacando-se o forte jogador João de Almeida Pinheiro (1921-1986). Anchite nunca realizou um campeonato oficial do JTC, embora sua programação de xadrez fosse intensa. Seu calendário enxadrístico contava com muitos matches amistosos com os clubes coirmãos, simultâneas e a participação do xadrez nas olimpíadas internas de bandeiras do JTC.

Dois fortes enxadristas do então Distrito Federal (Rio de Janeiro) vieram também jogar pelo JTC: Heitor Moutinho Ribas (1917-1989) e Nílton Francisco Cortes (falecido em 1996). Heitor Ribas chegou ao clube ostentando o título de campeão de 1945 do antigo Estado do Rio de Janeiro (atual interior do novo Estado). Ainda jogava pelo JTC, quando participou da Fase Final do Campeonato Brasileiro de 1947, em Porto Alegre (RS), vencido por Márcio Elísio de Freitas. Nílton Cortes foi destacado jogador do Rio e presidente do extinto Clube de Xadrez Cruz Vermelha na década de 1960. Outro destaque do xadrez do JTC da época foi Jorge João Lemos (1931-1998). Ele fez sua estréia oficial pelo Jacarepaguá Tênis Clube aos 16 anos de idade no match (dia 13/5/1947) contra o Clube Sul-América de Seguros, na sede do JTC. O Jacarepaguá venceu por 4 a 1, com vitórias de Jorge Lemos, João Almeida Pinheiro, Lauro de Carvalho e Darith Stockler. Jorge Lemos foi o segundo enxadrista do JTC a participar da Fase Final Brasileiro, pois disputou o campeonato de 1951, em Fortaleza, vencido por Eugênio German. Em 1953, Felício Anchite foi morar em Copacabana e passou a freqüentar muito pouco o Jacarepaguá Tênis Clube até o seu afastamento total do clube. Com a saída de Anchite, o xadrez do JTC também desapareceu temporariamente.

Em maio de 1957, um grupo de enxadristas da região Praça Seca (Tibúrcio Bezerra dos Santos, Laucof Migon, Tuy Marques de Queiroz, Ulysses Viana Rocha, Wilson "Alfaiate", Bartolomeu Aquino dos Santos, Walter Gonçalves, Miguel Archanjo de Oliveira e Ítalo Costa) se reuniu na residência do Wilson "Alfaiate" na Rua Dr. Bernardino (Praça Seca), com a finalidade de realizar um torneio de xadrez. Foi eleito Tibúrcio Bezerra para o cargo de diretor do grupo. O torneio foi realizado na casa do Wilson, com a vitória de Laucof Migon. Outro evento foi programado. Para essa competição o Laucof teve a idéia de fazer contato com o Jacarepaguá Tênis Clube, a fim de realizar o torneio na sede do clube. Laucof era sócio do JTC e já tinha jogado xadrez na época do Anchite. Assim, não teve dificuldades em conseguir o objetivo com o presidente do JTC Nélson Antunes, principalmente pelo fato do tesoureiro do clube Júlio Newton de Carvalho (falecido em 1974) ser enxadrista e também participante dos matches amistosos do xadrez na década de 1940. O diretor do JTC José de Souza Baeta (1903-1974), amigo do Laucof no Banco do Brasil, também ajudou muito. O torneio começou na sede do JTC, com Tibúrcio Bezerra sendo nomeado diretor de xadrez do clube. A competição não foi bem organizada. Não existia derrota por não comparecimento, pois não havia também tabela de emparceiramento. O enxadrista jogava quando quisesse e preferia ficar disputando partidas relâmpago, enquanto também apreciava alguma do torneio que eventualmente acontecia. Em outubro de 1957, o torneio tinha poucas partidas realizadas. Nesse mês, o associado Waldemar Costa procurou o Laucof Migon. Waldemar Costa foi garoto na Praça Seca e tinha boa convivência com Laucof e Tuy, apesar deles serem mais velhos dez anos do que ele. Waldemar conversou com o Laucof e disse que queria organizar um torneio de jovens com seus amigos, o que foi atendido pelo Laucof e aprovado pelo diretor Tibúrcio Bezerra. O torneio de jovens contou com sete jogadores e foi ganho por Waldemar Costa, que ninguém conhecia por esse nome e sim pelo apelido familiar de Vadinho. A competição foi toda dirigida por Vadinho e tinha tabela pelo sistema schuring. Começou e terminou em outubro de 1957. Enquanto isso, o torneio dos adultos continuava lento e bastante tumultuado com muitas discussões. O grupo de enxadristas anulou o evento e destituiu o Tibúrcio do cargo de diretor de xadrez. Para seu lugar, foi eleito Tuy Marques de Queiroz.

Tuy Marques era o diretor de xadrez do JTC, mas quem organizava tudo e entrava em contato com a diretoria do clube era o Laucof Migon. O Laucof foi quem organizou o primeiro campeonato oficial do JTC, que começou em 1958. A competição foi idêntica à anterior anulada, pois não existia tabela de emparceiramento. O enxadrista também jogava quando quisesse. Assim, o campeonato se arrastou por todo o ano de 1958 e terminou em meados de 1959. O campeão foi Lucindo Correia (1925-1979). Lucindo jogava no Torre do Amorim de Madureira e foi convidado por Laucof para se juntar ao grupo do JTC. O Torre do Amorim (a torre do xadrez mais o nome do dono do bar, onde eram as reuniões) foi memorável local de encontro de enxadristas da Zona Suburbana do Rio de Janeiro na década de 1950 e início da de 1960. Muitos enxadristas do JTC freqüentaram o lugar. Os responsáveis pelo Torre foram os enxadristas Marcos Blum, Miguel Lan e Antônio Madeira de Ley. A sede ficava em um tipo de mezanino com vista para a sinuca do Café Bar Bilhares Amorim (bar famoso de Madureira, que já existia na década de 1920). O bar do Amorim era na Avenida Ministro Edgard Romero, número 15. Por ser estabelecimento muito antigo, o endereço do bar alcançou os três nomes do logradouro: a) Rua Domingos Lopes (até 1930 não existia a ponte de pedestres. Havia uma cancela na linha do trem e a Rua Domingos Lopes começava como hoje no Largo do Campinho, mas ,após a linha férrea, prosseguia até a estação do Magno), b) Estrada Marechal Rangel (1930 até 1958, um prolongamento do trecho antigo da Estrada Marechal Rangel), c) Avenida Ministro Edgard Romero (nome dado ao logradouro em 19/12/1958). Na época do xadrez do Bar do Amorim, a romântica Madureira era chamada de cinelândia suburbana, por possuir muitos cinemas. Ao lado do Bar do Amorim, existiu o Cine Alfa de 1929 a 1972, quando foi demolido. Mais adiante na mesma rua, o Cine Coliseu (1938 até 1972, quando também foi demolido). Do outro lado da linha do trem, na Rua João Vicente, o Cine Madureira (inaugurado em 1910 e encerrado nos anos de 1970) e o Cine Beija Flor (1915 a 1986). Atualmente (2007), na mesma calçada da Avenida Ministro Edgard Romero, logo após a Rua Carolina Machado, está tudo diferente, pois o comércio cresceu para enormes lojas de departamentos. Vejamos: nº 15 - Loja Mil e Uma Utilidades (era o Bar do Amorim), nº 19 - Loja Big Lar (era o Cine Alfa), depois vem a Escola Municipal Edgard Romero (era a Escola Normal Carmela Dutra, que, no final da década de 1950, foi para um lugar maior na mesma rua, número 491), e nº 37 - Casa Bahia (era o Cine Coliseu).

O Campeonato Oficial do JTC de 1960 foi melhor organizado do que o de 1959, sendo realizado de 3 a 31 de março de 1960, com a tabela cumprida inteiramente em toda a competição. O clube se encontrava em obras na administração do Presidente Victor Dias Ribeiro, para a construção da nova sede social. O xadrez e a secretária estavam instalados provisoriamente em uma casa de frente para a Rua Cândido Benício, comprada na gestão anterior do Presidente Nélson Antunes (essa casa ficava onde hoje é o terreno alugado pelo clube à Agência de Automóveis Ilha Bela, que o usa como pátio de estacionamento de carros à venda). Três nomes importantes da história do xadrez do JTC fizeram estréia em competições oficiais no Campeonato de 1960: Euder Souza Lima (que foi o campeão do torneio), Antônio Souza Lima e Waldemar Costa (o torneio de jovens de 1957 não foi oficial, mas na verdade uma brincadeira de jovens amigos enxadristas). Em 1961, faleceu Marcos Blum do Torre do Amorim. O Laucof Migon resolveu promover um torneio no mês de aniversário do JTC em homenagem ao Marcos Blum, convidando os enxadristas da agremiação de Madureira a participar do evento. O Torneio Marcos Blum de 1961 contou com a participação de 36 enxadristas e o campeão foi Heitor Moutinho Ribas. Ainda em 1961, o JTC participou do Torneio Interclubes pela primeira vez em sua história. A equipe foi a seguinte: Lucindo Correia, Tuy Marques de Queiroz, Laucof Migon e Waldemar Costa. Em maio de 1963, houve eleições no Departamento de Xadrez do JTC. Em voto secreto, Waldemar Costa venceu Tuy Marques de Queiroz por dez a um. Nesse seu primeiro período na direção do xadrez, Waldemar Costa (Vadinho) ficou no cargo de 1963 a 1972.

Logo que assumiu, Waldemar Costa procurou Sebastião de Oliveira (diretor de patrimônio da gestão do Presidente Victor Dias Ribeiro) e conseguiu para o xadrez a sala do segundo andar do prédio anexo à piscina do clube. Sebastião de Oliveira Silveira foi grande trabalhador do Jacarepaguá Tênis Clube. Foi o principal responsável pelo período das grandes construções: sede nova, piscina e sauna. Quando Vadinho pediu a sala, todo o complexo da piscina estava pronto, mas ainda não havia sido inaugurado e usado. Sebastião estava em final de mandato. Havia perdido as eleições no clube naquele mesmo mês. Olhou para o Vadinho e para o alto onde ficava a sala pretendida:

- Vocês do xadrez votaram contra mim. Vou dar a sala ao xadrez, para nas próximas eleições vencer!!

De fato, o Tião venceria as eleições, pois foi presidente do JTC de 1969 a 1971. Realmente, o xadrez participou das eleições pela oposição para eleger a Chapa Renovadora, encabeçada por maioria de jovens associados com a finalidade de eleger Artur Soares para presidente do clube. Em 7/7/1963, foi inaugurada a nova sala de xadrez, ainda na gestão de Victor Dias Ribeiro (o presidente eleito Artur Soares tomaria posse no dia 14/7/1963). Grande festa marcou a inauguração,com as presenças do então presidente da Federação Metropolitana de Xadrez (FMX) Olício Gadia; e do redator da coluna de xadrez do "Correio da Manhã" Tancredo Madeira de Ley. A nova dependência do xadrez do JTC foi considerada pelos jornais "O Globo" e "Correio da Manhã" como a mais confortável do Rio de Janeiro. Iniciava a grande era do xadrez do Jacarepaguá Tênis Clube. A sala do xadrez contava com treze mesas de xadrez com gavetas para guardar as peças e mais cerca de 50 tabuleiros avulsos de papelão. A sala funcionou do segundo semestre de 1963 ao final do ano de 1966, quase diariamente (de terça-feira a domingo) com funcionário que sabia jogar xadrez subordinado diretamente ao diretor Waldemar Costa. Estava sempre cheia e dezenas de crianças aprenderam a jogar xadrez. Nesse período, aconteceram muitas simultâneas, amistosos com clubes, torneios e participação nas provas da FMX. O trabalho alcançou sucesso rapidamente. Em 1964, a equipe infantil do JTC (Carlos Jamil, Wairy Dias Cardoso, Iremar Carneiro da Silva e José Fernando Sá), chefiada por Carlos Gonçalves do Sete de Setembro Futebol Clube, conquistou o Torneio de Xadrez dos Jogos Infantis do Jornal dos Sports. Também em 1964, Orlando Alcântara Soares (campeão juvenil do JTC de 1964) foi vice-campeão juvenil do Estado da Guanabara. O campeão foi Antônio Carlos Giudicelli do Clube de Xadrez Cruz Vermelha (o detalhe é que Orlando Soares antes havia sido campeão da Zona Norte, com Giudicelli em segundo). Em 1965, foi a vez de Carlos Jamil (campeão juvenil do JTC de 1965) ser vice-campeão da Guanabara (o campeão foi Paulo César Kullock do Botafogo). Os torneios internos aconteciam com grande número de participantes. Em 1966, o Campeonato Oficial do JTC (campeão: Heitor Ribas) contou com o número recorde de 58 participantes! Antes, somente na Prova Marcos Blum (Torneio Aniversário do JTC) havia muitos participantes: 1961 (campeão: Heitor Ribas) - 36 participantes, 1962 (campeão: Almeida Pinheiro) - 38 participantes, 1963 (campeão: Almeida Pinheiro) - 40 participantes, 1964 (campeão: Waldemar Costa) - 46 participantes. Ainda na década de 1960, aconteceram sessões de partidas simultâneas conduzidas pelo MI da Argentina Samuel Schweber, os campeões brasileiros J. T. Mangini, Antônio Rocha e Hélder Câmara (este também estabeleceu no JTC o recorde brasileiro de simultâneas às cegas, jogando com fortes enxadristas da segunda turma do clube). O vice-campeão brasileiro Sílvio Mendes também realizou muitas simultâneas no JTC. É bom lembrar que, com exceção do Schweber, nenhum simultanista cobrou pelos eventos. Todos eram amigos dos enxadristas do clube.

A partir de 1970, Waldemar Costa passou a não ter muito tempo para se dedicar ao xadrez do JTC. Trabalhando no Jornal dos Sports na cobertura de bastidores da Copa do Mundo de futebol de 1970 (México), somente podia ir ao clube dirigir e participar do Campeonato Oficial de 1970, do qual foi campeão. Em 1972, deixou a direção do xadrez do clube, porque começou a trabalhar também à noite no Jornal dos Sports. No jornal, além de futebol, também escrevia sobre xadrez. A sala continuou com suas mesas de xadrez, mas não tinha ninguém para abri-la. Aí surgiu o Jorge Machado, filho do veterano enxadrista Aristides Machado. O Jorge dirigiu o xadrez do JTC, mas por pouco tempo. Inexperiente no xadrez e sem apoio da diretoria, acabou largando a direção. Em 1974, a diretoria retirou todo o material da sala, a fim de ocupá-la com outra atividade. O barracão, onde se encontrava todas as mesas, documentação e planilhas com lances anotados de partidas , pegou fogo. Um incêndio que destruiu a memória documentada da seção de xadrez do JTC, que tinha sido considerada pela imprensa como a melhor do Rio de Janeiro. Em 1978, o Carlos Gonçalves (diretor de esportes do JTC na gestão do Presidente Carlos Alberto Miranda) convidou o antigo enxadrista do clube Jorge Lemos para formar e dirigir uma equipe do clube para o Torneio de Xadrez dos Jogos Infantis do Jornal dos Sports. O JTC foi campeão no masculino e feminino. A formação das equipes campeãs: equipe masculina - Jonas de Moraes, Luiz Augusto dos Santos Madureira e Roberto Inácio dos Santos Lima; equipe feminina - Lucimeire Bravo Ferreira e Zaquia Simone Lemos (filha do Jorge Lemos). O diretor de esportes Carlos Gonçalves é o mesmo que chefiou a equipe infantil campeã também dos Jogos Infantis do JS em 1964. O Jorge Lemos pretendia dirigir o xadrez do JTC (a notícia foi publicada na coluna de xadrez do Jornal dos Sports e na revista Caissa, ambas redigidas por Waldemar Costa), mas não levou adiante a sua intenção, apesar de ter todo o apoio do Carlinhos (Carlos Gonçalves).

Em 1981, Gilberto Campos de Souza (1933-1995) assumiu a presidência do Jacarepaguá Tênis Clube. Ywalcyr Cerqueira Corrêa era seu diretor de patrimônio. Os dois foram amigos de infância de Waldemar Costa (Vadinho) no clube e na Praça Seca. Eles convenceram Vadinho a assumir novamente a Seção de Xadrez do clube, garantindo a excelente sala de outrora. Vadinho, que já não trabalhava mais à noite no Jornal dos Sports, pois escrevia duas colunas, uma sobre xadrez e a outra de Loteria Esportiva (uma página inteira nas segundas-feiras e outras pequenas no resto da semana). Todo material tinha que ser entregue bem cedo, a fim de adiantar o trabalho da gráfica do jornal. Assim, Waldemar Costa dispunha de tempo para se dedicar outra vez ao xadrez do JTC. Logo que recebeu a chave da sala do Ywalcyr no ano de 1981, Waldemar Costa convidou o Carlos Jamil para ajudá-lo. O Ywalcyr entregou ao Vadinho quatro relógios de xadrez e três jogos de peças, que não foram destruídos no incêndio. Faltava muita coisa para chegar ao menos bem perto ao que foi o xadrez na década de 1960. Em primeiro lugar, foi organizado o Campeonato Oficial do JTC 1981, após nove anos sem ser disputado. O campeonato foi no período de 15 de agosto 1981 a 23 de outubro 1981. Entre os doze participantes, cinco eram remanescentes da década de 1960 (Waldemar Costa, Antônio Souza Lima, Carlos Jamil, Laucof Migon e Wairy Dias Cardoso). O campeão foi Waldemar Costa.

O xadrez começou a crescer com a chegada de novos enxadristas, como Manuel da Silva Jonis (1938-2001), Gérson Alves Corrêa, Naerson Brandão Corrêa, Jaílton Silva, Fábio Lopes Novais e outros. Três enxadristas que foram presidentes das federações do Rio de Janeiro também participaram do xadrez do Jacarepaguá Tênis Clube a partir da década de 1980: Hilwan Wanderley Cantanhede (presidente da Federação Metropolitana de Xadrez , a FMX, na época do Estado da Guanabara), Friedrich Salamon (presidente da FMX e da FEXERJ) e Eduardo Arruda (presidente da FEXERJ). O Eduardo Arruda organizou alguns torneios no JTC antes de assumir a presidência da FEXERJ. Arruda também foi campeão do Torneio Popular da FEXERJ em 1985 e campeão carioca individual em 1990, ambos pelo Jacarepaguá Tênis Clube. Na década de 1980, o xadrez do JTC conviveu também com o jovem José Carlos Migon (1952-1993), filho do Laucof Migon, cuja morte prematura nos privou das suas excelentes partidas e da sua nobre amizade.

No segundo semestre de 1983, com a saída do Presidente Gilberto Campos, o xadrez começou a ter problemas de relacionamento com as diretorias seguintes. Foi uma época tumultuada do JTC, com alguns presidentes renunciado, após poucos meses nos cargos (foi o caso do Presidente Edgard Nílton Lopes Filho, antigo enxadrista do clube, que disputou o Torneio de Jovens de 1957). O xadrez acabou perdendo a excelente sala do anexo da piscina para o professor de ginástica. Os torneios e as reuniões passaram a ser no corredor junto ao consultório médico. Logo depois, a seção de xadrez foi para pequena e desconfortável sala do prédio em frente às quadras de tênis ( hoje é a quadra de futebol-soçaite). O prédio era antigo, construído na década de 1950 (apesar do local ser ruim, era melhor ficar ali do que jogar em corredor). Em 1987 (gestão do Presidente Hilário Maia), o xadrez saiu do local, por causa de uma grande reforma no prédio (na mesma estrutura foram construídos os banheiros e um segundo andar que não existia). O xadrez foi para uma sala pequena do ginásio de esportes. Quando ficou pronta a obra do prédio, as salas foram distribuídas para outras atividades do clube. O xadrez continuou na sala do ginásio, não adequada para a seção. Em 1990, foi para o segundo andar do prédio em frente ao tênis, na gestão do Presidente Antônio Abud Elias. O segundo andar na época tinha paredes divisórias, formando três salas contíguas. O presidente seguinte (Carlos Alberto Dultra) resolveu fazer obras no local, para retirar as paredes divisórias, a fim de criar enorme sala para funcionar a academia de musculação do clube. O xadrez foi novamente para o ginásio, ocupar uma saleta, que ficava em frente à quadra, com barulho estrondoso em dias de jogos. Na primeira administração do Presidente Konstantino Mihail (falecido em 2002), o clube melhorou muito. Mihail nasceu na Romênia e era radicado no Brasil. Dava todo o apoio ao xadrez e dizia para todo mundo que admirava o trabalho de Waldemar Costa. Logo no início da sua gestão o xadrez voltou para o primeiro andar do prédio em frente à quadra de futebol (ocupou duas salas separadas por uma parede). Melhorou muito, mas ainda não era o lugar ideal. Porém, Mihail entregou para o xadrez a grande sala do segundo andar. A seção de xadrez do JTC se instalou e inaugurou a nova dependência no dia 12/9/1996.

O Campeonato Interclubes (Classe B) de 1993 foi realizado no Jacarepaguá Tênis Clube, com arbitragem de Jorge Moraes. A equipe do JTC (Antônio Souza Lima, Waldemar Costa, Gérson Alves Corrêa e Carlos Jamil) tinha o maior rating, sendo considerada a favorita para o título. Porém, a Associação Leopoldinense de Xadrez (ALEX) foi a campeã. Em 1995, fora de casa, o JTC conquistou o título do Interclubes (Classe B). A equipe formou com Marco Aurélio Maia, Luiz Carlos Rodrigues da Silva, Marco de Castro Coutinho, Alexandre José Beringuy e José Rodrigues Júnior. Em 1996, repetiu a conquista, tornando-se bicampeão do Interclubes (Classe B). A equipe de 1996 formou com Luiz Carlos Rodrigues da Silva, Marco de Castro Coutinho, Alexandre José Beringuy, Eduardo Alberto Anzuategui e José Rodrigues Júnior. Outra competição da FEXERJ realizada na sala de xadrez do JTC foi o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro (Classe B) de 1996, com arbitragem de Friedrich Salamon. O campeão foi Marcelo Einhorn (Hebraica) e o vice-campeão, Alexandre Beringuy (JTC). Em 1997, foi realizado no JTC o Campeonato do Rio de Janeiro (Classe A), também com arbitragem de Friedrich Salamon. Marcelo Einhorn (Hebraica) foi o campeão, o vice-campeão foi Selmo Bastos (Clube Municipal) e o terceiro colocado, Antônio Souza Lima (JTC). No ano de 2000, Carlos Alberto Monteiro foi campeão estadual de veteranos pelo Jacarepaguá Tênis Clube. Monteiro voltou a ser campeão de veterano em 2003, mas já era federado pelo Clube Municipal. O ano de 2008 foi a época das grandes obras na Seção de Xadrez do JTC, com o diretor da seção Waldemar Costa recebendo apoio total da administrção do Presidente Marcelo Cirola. As inagurações do varandão e do banheiro privativo da Seção de Xadrez foram os pontos altos das obras de 2008. Em 2009, Willy George do Amaral Petrenko conquistou o título do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro Classe C (prova oficial da FEXERJ) pelo Jacarepaguá Tênis Clube.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.wsc.jor.br/xadrez/jtc/hist%F3rico.htm