CXSAJBA - CLUBE DE XADREZ SANTO ANTÔNIO DE JESUS, BAHIA. OUTRO BLOG DO CLUBE DE XADREZ: http://clubedexadrezsantoantoniodejesusbahia.blogspot.com
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O CLUBE DE XADREZ SANTO ANTONIO DE JESUS, BAHIA (CXSAJBA) AGRADECE PELA VISITA, NESTE BLOG.
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sábado, 6 de abril de 2013
TEXTO 168 - ÉTICA NO XADREZ.
Para mantermos o bom nível deste esporte, seguem algumas situações que devem ser evitadas pelo bom enxadrista:
Aborrecimentos no xadrez
Irritações que causam a um jogador de xadrez esforço indevido ou o obrigam a suportar situação inadequada, ou desagradável, com o objetivo de abalar seu equilíbrio nervoso e fazê-lo jogar mal. Alguns aborrecimentos não são causados intencionalmente, ao passo que outros são deliberadamente provocados para perturbar o oponente. Os seguintes aborrecimentos têm sido citados na literatura do xadrez:
1. Colocar o oponente sentado de modo a perturbá-lo com o brilho do sol ou outros reflexos.
2. Fumar charutos mal-cheirosos ou atirar fumaça na face do oponente ou através do tabuleiro.
3. Mudar constantemente de posição, como, por exemplo, balançando o corpo ou a própria cadeira, mantendo-a suspensa sobre as duas pernas posteriores; ou sacudindo-se de diversos modos.
4. Executar maneirismos embaraçosos a fim de dar falsa impressão acerca da correção dos lances, tais como: resmungar quando um sacrifício ou uma troca tenham sido recusados; torcer ou entrelaçar os dedos para demonstrar satisfação por um lance próprio, ou mostrar surpresa pelo desacerto de um lance do adversário.
5. Bater com uma peça no tabuleiro com ares façanhudos, lançando ao mesmo tempo ao adversário um olhar “dominador”.
6. Pentear-se constantemente, ajustar os óculos ou as roupas.
7. Martelar com os dedos, mãos ou pés.
8. Pairar e oscilar com a mão sobre as peças para causar confusão.
9. Cantarolar ou assobiar baixinho; falar consigo próprio ou expelir suspiros.
10. Conversar com espectadores ao fazer os lances.
Em partidas de xadrez por correspondência, são os maiores motivos de desagrado: inobservância do limite de tempo no envio de respostas; recepção de respostas secas, inamistosos registros com simples jogadas; e “pessoas que nunca sabem direito quando devem abandonar”.
(Fonte: Moderno Dicionário de Xadrez, Byrne J. Horton, Ibrasa)
PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.ajux.comuf.com/Categoria/artigos/
TEXTO 167 - XADREZ POSTAL OU EPISTOLAR.
Xadrez Epistolar ou Postal é uma modalidade de xadrez praticada por meio de correspondência, entre enxadristas localizados em pontos distantes. Originalmente era praticado por meio de cartas e cartões-postais, nos quais era utilizada um tipo especial de notação de partidas denominado Notação Epistolar. Atualmente, o xadrez epistolar também é praticado por e-mail e servidores de internet.
ANOTAÇÃO DO XADREZ POSTAL.
Para jogar xadrez postal os competidores enviam seus lances através de cartas, fazendo a anotação dos mesmos em um dos sistemas empregados em xadrez: descritivo -1.P4R P4R 2.C3BR C3BD; algébrico – 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6; ou numérico – 1)5254 5755 2)7163 2836.
Os torneios são regidos por regulamentos que estabelecem certas normas, inclusive os dias de reflexão (dias que são permitidos refletir para se responder a um lance, a partir da data do recebimento da carta do parceiro), bem como o tempo de duração dos torneios – normalmente um ano e meio – sendo que cada enxadrista enfrenta simultaneamente a todos os parceiros de seu grupo.
No Brasil, o xadrez postal é dirigido pelo Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro (CXEB), fundado em 14 de fevereiro de 1969. O CXEB é reconhecido pela Confederação Brasileira de Xadrez, estando também filiado à Internacional Correspondence Chess Federation (ICCF), órgão internacional do xadrez postal, e à Confederación Americana de Ajedrez Postal (CADAP), que representa a ICCF na América Latina.
Para se associar ao CXEB basta preencher a proposta de sócio e remetê-la ao presidente acompanhada da primeira anuidade.
No CXEB vários tipos de torneios como:
Torneios temáticos
Com sete participantes, estes torneios têm início sempre que se completa um grupo inscrito numa determinada abertura. Os temas são divulgados na Revista Brasileira de Xadrez Postal.
Torneios de classificação
São torneios onde o associado define a sua categoria dentro do clube: III, II, I, especial ou superior. São grupos de sete jogadores, à exceção da superior onde temos 11 participantes. Os dois primeiros colocados de cada grupo são promovidos à categoria seguinte, voltando à categoria anterior quem não atinge 1/3 dos pontos possíveis. Ao se inscrever num TC pela primeira vez o associado pode escolher a categoria que deseja jogar, mas apenas entre a III, II ou I. Poderá jogar, simultaneamente, até 3 grupos da mesma categoria, mas só terá a inscrição gratuita para o primeiro desses grupos.
Campeonato Brasileiro
Somente para jogadores das categorias especial e superior, devidamente classificados através de competições do CXEB, da CADAP ou da ICCF.
Taça Brasil
Torneio aberto, sem restrição de categoria, realizado a cada 2 anos, cujas inscrições são permitidas também aos não-sócios. Uma das maiores competições postais do mundo!!
Outros torneios
Têm ainda Torneios por Equipes, Torneios Juventude, Feminino, Veteranos, Campeonatos Estaduais e Competições Internacionais. Veja o calendário na Revista Brasileira de Xadrez Postal.
Títulos epistolares nacionais e internacionais nas categorias masculino e feminino, segundo o CXEB.
Grande Mestre Internacional Postal (GM – ICCF)
Grande Mestre Internacional Postal Feminino (LGM – ICCF)
Mestre Sênior Internacional Postal (SIM – ICCF)
Mestre Internacional Postal (IM – ICCF)
Mestre Internacional Postal Feminino (LIM – ICCF)
Mestre Latino-americano Postal (MLP – ICCF)
Mestre Nacional Postal (MBXP – CXEB)
Árbitro Internacional (AI – ICCF)
Contato: Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro – ( Caixa Postal 21200 – São Paulo/SP – CEP:04602-970).
PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.ajux.comuf.com/xadrez-postal-ou-epistolar/
ANOTAÇÃO DO XADREZ POSTAL.
Para jogar xadrez postal os competidores enviam seus lances através de cartas, fazendo a anotação dos mesmos em um dos sistemas empregados em xadrez: descritivo -1.P4R P4R 2.C3BR C3BD; algébrico – 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6; ou numérico – 1)5254 5755 2)7163 2836.
Os torneios são regidos por regulamentos que estabelecem certas normas, inclusive os dias de reflexão (dias que são permitidos refletir para se responder a um lance, a partir da data do recebimento da carta do parceiro), bem como o tempo de duração dos torneios – normalmente um ano e meio – sendo que cada enxadrista enfrenta simultaneamente a todos os parceiros de seu grupo.
No Brasil, o xadrez postal é dirigido pelo Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro (CXEB), fundado em 14 de fevereiro de 1969. O CXEB é reconhecido pela Confederação Brasileira de Xadrez, estando também filiado à Internacional Correspondence Chess Federation (ICCF), órgão internacional do xadrez postal, e à Confederación Americana de Ajedrez Postal (CADAP), que representa a ICCF na América Latina.
Para se associar ao CXEB basta preencher a proposta de sócio e remetê-la ao presidente acompanhada da primeira anuidade.
No CXEB vários tipos de torneios como:
Torneios temáticos
Com sete participantes, estes torneios têm início sempre que se completa um grupo inscrito numa determinada abertura. Os temas são divulgados na Revista Brasileira de Xadrez Postal.
Torneios de classificação
São torneios onde o associado define a sua categoria dentro do clube: III, II, I, especial ou superior. São grupos de sete jogadores, à exceção da superior onde temos 11 participantes. Os dois primeiros colocados de cada grupo são promovidos à categoria seguinte, voltando à categoria anterior quem não atinge 1/3 dos pontos possíveis. Ao se inscrever num TC pela primeira vez o associado pode escolher a categoria que deseja jogar, mas apenas entre a III, II ou I. Poderá jogar, simultaneamente, até 3 grupos da mesma categoria, mas só terá a inscrição gratuita para o primeiro desses grupos.
Campeonato Brasileiro
Somente para jogadores das categorias especial e superior, devidamente classificados através de competições do CXEB, da CADAP ou da ICCF.
Taça Brasil
Torneio aberto, sem restrição de categoria, realizado a cada 2 anos, cujas inscrições são permitidas também aos não-sócios. Uma das maiores competições postais do mundo!!
Outros torneios
Têm ainda Torneios por Equipes, Torneios Juventude, Feminino, Veteranos, Campeonatos Estaduais e Competições Internacionais. Veja o calendário na Revista Brasileira de Xadrez Postal.
Títulos epistolares nacionais e internacionais nas categorias masculino e feminino, segundo o CXEB.
Grande Mestre Internacional Postal (GM – ICCF)
Grande Mestre Internacional Postal Feminino (LGM – ICCF)
Mestre Sênior Internacional Postal (SIM – ICCF)
Mestre Internacional Postal (IM – ICCF)
Mestre Internacional Postal Feminino (LIM – ICCF)
Mestre Latino-americano Postal (MLP – ICCF)
Mestre Nacional Postal (MBXP – CXEB)
Árbitro Internacional (AI – ICCF)
Contato: Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro – ( Caixa Postal 21200 – São Paulo/SP – CEP:04602-970).
PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.ajux.comuf.com/xadrez-postal-ou-epistolar/
quarta-feira, 3 de abril de 2013
TEXTO 166 - Com apenas 18 anos, uspiana é Campeã Brasileira Universitária de Xadrez.
PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www5.usp.br/18811/com-apenas-18-anos-uspiana-e-campea-brasileira-universitaria-de-xadrez/
Publicado em Esporte, USP Online Destaque por Marco Aurélio Martins em 31 de outubro de 2012.
Nem só por conquistas acadêmicas são conhecidos os alunos e alunas da USP. Nas competições esportivas, tais estudantes também estão em alta. Inclusive em modalidades menos difundidas no país, como o xadrez. Amanda Marques, aluna do primeiro ano de Relações Públicas da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, acaba de ganhar o título de campeã brasileira universitária de xadrez. O campeonato foi conquistado no final de outubro, em competição disputada na cidade de Foz do Iguaçu (PR).
AMANDA MARQUES FATUROU O TÍTULO EM COMPETIÇÃO, REALIZADP EM FOZ DO IGUAÇU. FOTO: MARCO AURÉLIO MARTINS - USP IMAGENS.
Uma campanha irretocável deu o primeiro lugar nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) à estudante, de apenas 18 anos. Foram seis vitórias e um empate nos, nos sete jogos disputados em sistema de pontos corridos (reconhecido pela Federação Internacional de Enxadristas). O único ‘tropeço’, se é que o empate pode ser classificado assim, aconteceu em no confronto de mais de quatro horas diante de sua companheira uspiana e vice-colocada no torneio, Líria Garcia, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA).
“Acredito que esse tenha sido o jogo mais difícil. Ela estava super bem na partida, mas eu dei sorte dela fazer um movimento errado e consegui aproveitar. No final, eu estava super bem, mas eu tinha pouco tempo e a gente acabou empatando”, explica a jogadora sobre o único jogo em que não venceu.
Apesar de estreante nesta competição, Amanda se considera “macaca velha” dos torneios de xadrez. Ela tem nada menos que oito títulos nacionais e um pan-americano, o que ela considera a sua maior conquista. Constam ainda em seu currículo, três participações em olimpíadas de xadrez, torneio máximo da modalidade, além de diversos regionais.
O Xadrez Feminino foi a única modalidade onde estudantes da USP foram selecionados para disputar o JUBs, que requer uma classificatória estadual. Amanda também venceu esse torneio e foi representar pela segunda vez sua faculdade em uma competição universitária.
A primeira foi pela Liga do Desporto Universitário (LDU), onde também vitoriosa, assegurou uma vaga para o Mundial. Esse torneio, inclusive, foi a causa de Amanda não ter disputado o JUCA (Jogos Universitários de Comunicações e Artes) pela ECA, fato bastante lamentado por ela.
Antes eu jogava por uma cidade,
ou por mim mesma. Representar
a USP é mais um orgulho.
Perguntada sobre a experiência de representar a USP, Amanda revela que a sensação é diferente. “Antes eu jogava por uma cidade, ou por mim mesma e representar a USP é sempre mais um orgulho”, sorri a enxadrista. “Gostei muito dessa experiência, pretendo ir sempre”, garante Amanda, que estará novamente em 2013, nas disputas universitárias representando a USP.
CARREIRA.
A única mudança que deve ocorrer é a troca de unidades, já que Amanda está em processo de transferência para o curso de Economia, na FEA. “Só vou trocar de curso, porque a ECA sempre vai estar no meu coração”, afirma.
Amanda ainda não tem um plano profissional totalmente traçado, mas não pretende viver do xadrez. “O xadrez me deu muita coisa, mas eu não quero fazer isso da minha vida. Ele já me deu muita coisa, mas eu não sei se eu consigo tirar muito mais do que ele já me deu”, relata Amanda.
Ela ressalta, porém, o aprendizado deixado pelo esporte que pratica desde os seis anos de idade, começando na escola. “O xadrez sempre me ajudou a saber distinguir o que tenho que fazer na hora em que eu tenho que fazer, saber dividir o tempo melhor”.
O xadrez sempre me ajudou a saber distinguir
o que tenho que fazer e em que hora fazer.
Saber dividir o tempo melhor.
A enxadrista contabiliza ainda diversas viagens proporcionadas pela prática do esporte. “Eu só joguei um pan-americano no Brasil, o resto foi na Colômbia, Argentina, Equador e os mundiais são todos na Europa. Para jogar bem, é preciso viajar muito e conhecer jogadores de todos os lugares, estudar bastante”, recomenda.
AMANDA MARQUES FATUROU O TÍTULO EM COMPETIÇÃO, REALIZADP EM FOZ DO IGUAÇU. FOTO: MARCO AURÉLIO MARTINS - USP IMAGENS.
Uma campanha irretocável deu o primeiro lugar nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) à estudante, de apenas 18 anos. Foram seis vitórias e um empate nos, nos sete jogos disputados em sistema de pontos corridos (reconhecido pela Federação Internacional de Enxadristas). O único ‘tropeço’, se é que o empate pode ser classificado assim, aconteceu em no confronto de mais de quatro horas diante de sua companheira uspiana e vice-colocada no torneio, Líria Garcia, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA).
“Acredito que esse tenha sido o jogo mais difícil. Ela estava super bem na partida, mas eu dei sorte dela fazer um movimento errado e consegui aproveitar. No final, eu estava super bem, mas eu tinha pouco tempo e a gente acabou empatando”, explica a jogadora sobre o único jogo em que não venceu.
Apesar de estreante nesta competição, Amanda se considera “macaca velha” dos torneios de xadrez. Ela tem nada menos que oito títulos nacionais e um pan-americano, o que ela considera a sua maior conquista. Constam ainda em seu currículo, três participações em olimpíadas de xadrez, torneio máximo da modalidade, além de diversos regionais.
O Xadrez Feminino foi a única modalidade onde estudantes da USP foram selecionados para disputar o JUBs, que requer uma classificatória estadual. Amanda também venceu esse torneio e foi representar pela segunda vez sua faculdade em uma competição universitária.
A primeira foi pela Liga do Desporto Universitário (LDU), onde também vitoriosa, assegurou uma vaga para o Mundial. Esse torneio, inclusive, foi a causa de Amanda não ter disputado o JUCA (Jogos Universitários de Comunicações e Artes) pela ECA, fato bastante lamentado por ela.
Antes eu jogava por uma cidade,
ou por mim mesma. Representar
a USP é mais um orgulho.
Perguntada sobre a experiência de representar a USP, Amanda revela que a sensação é diferente. “Antes eu jogava por uma cidade, ou por mim mesma e representar a USP é sempre mais um orgulho”, sorri a enxadrista. “Gostei muito dessa experiência, pretendo ir sempre”, garante Amanda, que estará novamente em 2013, nas disputas universitárias representando a USP.
CARREIRA.
A única mudança que deve ocorrer é a troca de unidades, já que Amanda está em processo de transferência para o curso de Economia, na FEA. “Só vou trocar de curso, porque a ECA sempre vai estar no meu coração”, afirma.
Amanda ainda não tem um plano profissional totalmente traçado, mas não pretende viver do xadrez. “O xadrez me deu muita coisa, mas eu não quero fazer isso da minha vida. Ele já me deu muita coisa, mas eu não sei se eu consigo tirar muito mais do que ele já me deu”, relata Amanda.
Ela ressalta, porém, o aprendizado deixado pelo esporte que pratica desde os seis anos de idade, começando na escola. “O xadrez sempre me ajudou a saber distinguir o que tenho que fazer na hora em que eu tenho que fazer, saber dividir o tempo melhor”.
O xadrez sempre me ajudou a saber distinguir
o que tenho que fazer e em que hora fazer.
Saber dividir o tempo melhor.
A enxadrista contabiliza ainda diversas viagens proporcionadas pela prática do esporte. “Eu só joguei um pan-americano no Brasil, o resto foi na Colômbia, Argentina, Equador e os mundiais são todos na Europa. Para jogar bem, é preciso viajar muito e conhecer jogadores de todos os lugares, estudar bastante”, recomenda.
TEXTO 165 - O JOGO DE XADREZ MODIFICA A ESCOLA.
PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBOTRP DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.semar.edu.br/revista/pdf/artigo-lays-angelica-luciana-porfirio.pdf
O JOGO DE XADREZ MODIFICA A ESCOLA: Por que se deve
aprender xadrez e tê-lo como eixo integrador no currículo escolar?
Lays Pedro Angélico1.
Luciana Cristina Porfírio 2.
RESUMO
O presente estudo evidencia a importância do ensino sistemático do jogo de xadrez no
Ensino Básico, como eixo integrador do currículo escolar, na medida em que se constatou
que sua prática no cotidiano das escolas tem influenciado comportamentos em seus
praticantes, contribuindo de modo positivo para o desenvolvimento cognitivo de crianças e
adolescentes. Para tanto, ele foi concebido como eixo integrador do currículo escolar e não
como aparato extracurricular ou ludoterápico como freqüentemente ocorre em muitas
escolas. Neste trabalho desenvolvemos e destacamos a sua importância e a maneira como
ele influencia os demais campos do conhecimento. Para que possa desempenhar suas
múltiplas funções, o jogo de xadrez precisa ser inserido como uma disciplina regular do
currículo desde a educação infantil, o que exige, em contrapartida, a adequação das escolas
nos aspectos humanos, culturais, estruturais, físicos e materiais. A escolha e a formação
dos profissionais da escola terão que ser uma constante para que possam de modo coletivo
e permanente, discutir novas propostas para o trabalho com o jogo nestes moldes.
Palavras-Chave: Ensino; Currículo escolar; Formação do caráter; Desenvolvimento
cognitivo; Atividade Intelectual; Jogo de Xadrez.
THE CHESS GAME MODIFIES THE SCHOOL: Why if it must learn
chess and have it as axle integrator in the pertaining to school resume?
ABSTRACT
The present study it evidences the importance of the systematic education of the game of
chess in Basic school, as axle integrator of the pertaining to school resume, in the measure
where if it evidenced that its practical insertion in the daily one of the schools, has influenced
behaviors in its practitioners, contributing in positive way for the cognitive development of
children and adolescents. For in such a way, it was conceived as axle integrator of the
pertaining to school resume and not as extracurricular or ludoterápico apparatus, something
very frequent in the schools. But we develop and we detach its importance and the way here
as the game influences the too much fields of the knowledge. So that it can play its multiple
functions, the necessary game of chess to be inserted as one disciplines to regulate of the
resume since the infantile education, what it demands, on the other hand, the adequacy of
the schools in human, cultural, structural, physical and material the aspects. The choice and
the formation of the professionals of the school will have that to be a constant so that they
can in collective and permanent way, to argue new proposals for the work with the game in
these molds.
Key-words: Education; pertaining to school Resume; Formation of the character; cognitive
Development; Intellectual Activity; Game of Chess.
1 Pedagoga formada pela FNSA, professora efetiva da rede municipal de Sertãozinho na área de
Educação Infantil e fundamental. Especialização em psicopedagogia pela Semar-Unicastelo. e-mail:
layspedro@yahoo.com.br
2 Pedagoga, mestre em Educação Escolar pela Unesp-Araraquara. Doutoranda da FE-USP. Atua
como professora do ensino fundamental e Superior. E-mail: luciana.porfirio@bol.com.br
Diálogos Acadêmicos - Revista Eletrônica da faculdade Semar/Unicastelo
Publicação Quadrimestral - Volume 1 – Numero 1. Edição Outubro/Janeiro de 2010 revista@semar.edu.br
1
INTRODUÇÃO
O presente artigo é parte de um trabalho de conclusão de curso defendido
em dezembro de 2008 na Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Aparecida
SEMAR/Unicastelo e buscou trazer a importância do Jogo de Xadrez como eixo
integrador do currículo na educação básica. Para tanto, apresentaram-se algumas
características deste jogo desde suas origens, modos de jogar até a explicitação de
como ele influencia e auxilia na aprendizagem dos conteúdos escolares.
A tirinha usada como epígrafe nesta pesquisa traz a tona uma das primeiras
questões que envolvem o jogo de xadrez, a sua associação com o desenvolvimento
da inteligência humana. Há mais de dois séculos, o alemão Johann Wolfgang
Goethe (1749-1832) definiu o xadrez como sendo um “excelente exercício mental” e,
desde então, vários estudos têm se ocupado de investigar a relação existente entre
este jogo e o desenvolvimento da inteligência humana. Na referida pesquisa,
entrevistas realizadas com enxadristas e professores permitiram confirmar nossas
hipóteses sobre sua importância na formação do caráter e no desenvolvimento da
inteligência das pessoas.
Muito se fala sobre o jogo de xadrez e seus usos na educação, mas sua
introdução no âmbito escolar exige a criação de algumas condições ainda não
existentes em boa parte das escolas. Isso porque, muitas o têm utilizado como
aparato extracurricular ou atividades ludoterápicas nas aulas de Educação Física.
Sem desconsiderar tais práticas, pretendemos aqui apresentar a sua utilização sob
um outro prisma.
Lasker (1999) acredita que a história da invenção do xadrez e de suas
migrações através da terra, por si só, já é interessante, porque quando conhecemos
as pessoas que foram apaixonadas por esse jogo, percebemos que somos muito
Diálogos Acadêmicos - Revista Eletrônica da faculdade Semar/Unicastelo
Publicação Quadrimestral - Volume 1 – Numero 1. Edição Outubro/Janeiro de 2010 revista@semar.edu.br
2
parecidos com ela, compartilhamos com elas as mesmas emoções e criamos
vínculos identitários que são um reforço positivo no caráter humano. De acordo com
esse autor, não se sabe ao certo onde o xadrez começou, mas há muitas histórias,
mitos e lendas a seu respeito, o que nos permite fazer um sem número de
digressões.
Uma das histórias mais conhecidas sobre sua origem está descrita no livro
História do Xadrez de Edward Lasker, citado anteriormente, que atribuiu a invenção
do jogo a Sissa, um brâmane3 na corte do rajá indiano Balhait. Assim, essa história
teria sido contada, pela primeira vez há mais de mil anos e dizia que certo rei pediu
a um de seus sábios que criasse um jogo capaz de mostrar o valor de qualidades
como a prudência, a diligência, a visão e o conhecimento, como forma de se opor
aos sentidos fatalistas de um outro jogo, o nard (gamão) 4, cujos resultados eram
decididos pela sorte.
Sissa então, apresentou ao rei Kaíde um tabuleiro de xadrez, não muito
diferente do que conhecemos hoje, com quatro elementos que representavam o
exército indiano, explicando-lhe que havia escolhido a guerra como modelo para o
jogo porque ela era a escola mais eficiente no ensino e aprendizado de
determinados valores, tais como: o valor da decisão, do vigor, da persistência, da
ponderação e da coragem. O rei, diante de tanta complexidade, ficou encantado
com o jogo e ordenou que fosse preservado nos templos, considerando seus
princípios como o fundamento de toda justiça e sustentando que ele era o melhor
treinamento na arte da guerra.
3 Sacerdote indiano pertencia à casta mais alta da sociedade, em sentido literal, o termo significa
"aquele que realizou / tenta realizar Brahman - a divindade" e por isso, gozavam de posição muito
privilegiada independentemente da riqueza que possuíam. De acordo com informações obtidas na
enciclopédia wikipédia on-line, a maioria dos brâmanes ficou conhecida por praticarem um
vegetarianismo rígido, apesar de, atualmente, a prática ser baseada de acordo com a região.
Brâmanes agindo como padres, mas em poucas exceções, são vegetarianos.
4 Atribui-se a origem do jogo a civilização suméria, da Mesopotâmia. Já outros estudiosos afirmam
que este jogo teria sua origem no “Pachisi”, um jogo indiano. De qualquer forma, sua origem é muito
antiga. Suas regras obviamente, foram se modificando ao longo dos séculos. Mas nunca deixou de
encantar as gerações e as civilizações que o conheceram. Uma lenda indiana afirma que teria sido o
jogo inventado por um sábio de nome Caflan, e teria a seguinte simbologia: 24 flechas que
simbolizariam as horas do dia; 12 flechas de cada lado do tabuleiro, representando os 12 meses do
ano e os signos do zodíaco; 30 peças para os 30 dias do mês; dois dados representando o dia e a
noite e 7 (soma dos valores opostos de cada face de um dado) representando os dias da semana. As
informações foram extraídas do sitio: http://www.jogos.antigos.nom.br/gamao.asp (acesso em
12/12/2008).
Diálogos Acadêmicos - Revista Eletrônica da faculdade Semar/Unicastelo
Publicação Quadrimestral - Volume 1 – Numero 1. Edição Outubro/Janeiro de 2010 revista@semar.edu.br
3
A partir daí, o rei teria lhe oferecido uma recompensa que ela escolheria de
livre arbítrio e Sissa teria pedido, diante da insistência do rei, a retribuição em grãos
de milho distribuídos sobre o tabuleiro de xadrez da seguinte forma: “na primeira
casa, um grão; na segunda, dois; na terceira, quatro; na quarta o dobro de quatro; e
assim por diante, até a última casa”. (Lasker, 1999, p.30).
Contudo, ao ordenar que o pedido fosse realizado o rei se surpreendeu, afinal
não seria possível realizar o pedido de Sissa, pois, antes mesmo de chegar na
trigésima casa, todo milho da Índia teria se esgotado, cobrindo a camada da Terra
com uma espessura de 9 (nove) polegadas. O número exato seria
18.446.744.073.709.551.615 (Dezoito Quintilhões, Quatrocentos e Quarenta e Seis
Quatrilhões, Setecentos e Quarenta e Quatro trilhões, Setenta e Três Bilhões,
Setecentos e Nove milhões, Quinhentos e Cinqüenta e Um Mil, Seiscentos e
Quinze) grãos de milho, ou 64 2 - 1. Desse modo, o rei ficou confuso, porque não
sabia o quê exatamente tinha que admirar a invenção do jogo ou a engenhosidade
do pedido de Sissa. (op.cit., p.30).
Lasker (1999) admite em sua obra que o jogo de xadrez possa datar do
século IV antes de Cristo5, embora a primeira menção ao xadrez feita na Literatura,
tenha sido mil anos mais tarde. Da Índia, até a Pérsia, da Arábia até a Europa, por
todo território asiático, o xadrez se estendeu através dos viajantes, embora tenha
sofrido algumas modificações em alguns pontos do Oriente. A rapidez com que o
xadrez penetrou na Europa foi realmente instigante, porque no fim do século XI, a
maior parte desse território já conhecia o jogo, embora, por muito tempo tenha
permanecido como um jogo das classes ociosas. Muitos foram às contribuições para
essa difusão do jogo no mundo.
“Era muito natural que os servos no castelo de um cavaleiro
medieval aprendessem o jogo com seu senhor e que soldados
mercenários adquirissem o mesmo conhecimento por ocasião das
Cruzadas, que os nobres organizavam de tempos em tempos a
fim de atenuar seu tédio”. (Op.cit. p. 59)
De qualquer modo, e independente de suas origens, o jogo de xadrez tem
múltiplos usos na educação escolar, entre as suas possibilidades, pode-se
acrescentar a sua apresentação aos alunos como tema transversal, enriquecendo
suas aprendizagens e permeando a prática educativa em diversas áreas ou mesmo
5 Esta teoria foi apresentada pela primeira vez por Donald M. Liddel (1937).
Diálogos Acadêmicos - Revista Eletrônica da faculdade Semar/Unicastelo
Publicação Quadrimestral - Volume 1 – Numero 1. Edição Outubro/Janeiro de 2010 revista@semar.edu.br
4
inserindo-o como disciplina desde as séries iniciais. Em 20 de dezembro de 1996, a
Lei n. 9.394, conhecida estabeleceu as diretrizes e bases da educação nacional,
cujos artigos 26 e 27, incluem o xadrez nas escolas, na parte diversificada dos
currículos e também na parte consagrada à promoção do desporto.
O artigo 32 dispõe que o ensino fundamental terá por objetivo a formação
básica do cidadão a partir do desenvolvimento de sua capacidade de aprender,
tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, escrita e do cálculo, com
vistas a:
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político,
da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a
sociedade;
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em
vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de
atitudes e valores;
IV - o fortalecimento de vínculos de família, dos laços de
solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a
vida social.
Acreditamos que estes objetivos podem ser plenamente alcançados por
meio da inserção do jogo de xadrez como disciplina escolar, desde que implantada
no currículo desde as séries iniciais, começando ainda na Educação Infantil. Essa
eficácia do jogo de xadrez e a influência que tem sobre o desenvolvimento e
comportamento estudantil é algo que pode ser mensurado por pesquisas utilizadas
no campo das ciências cognitivas.
Há estudos que mostraram as etapas da formação da inteligência, a partir da
observação de grupos de crianças jogando xadrez e constatou-se que os avanços
obtidos nas diversas etapas seguiam ritmos diferentes. O xadrez, ao ser introduzido
na sala de aula, auxilia no desenvolvimento de autoconfiança, porque os alunos têm
a oportunidade de aprenderem o jogo, avançando gradativamente em suas
habilidades e melhorando suas estratégias e raciocínios. Ao se destacarem ou
perceberem que são capazes de exercer uma atividade dessa natureza, podem, de
modo paralelo, progredir em outras disciplinas escolares.
O XADREZ: O QUE É?
Diálogos Acadêmicos - Revista Eletrônica da faculdade Semar/Unicastelo
Publicação Quadrimestral - Volume 1 – Numero 1. Edição Outubro/Janeiro de 2010 revista@semar.edu.br
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Mas como é exatamente o jogo de xadrez? A resposta a essa pergunta,
pode ser encontrada na enciclopédia on-line Wikipédia 6que descreve o jogo para
aqueles que não o conhecem, nem as suas especificações. Trata-se de um jogo de
tabuleiro para dois jogadores. Um controlador das peças brancas e o outro das
peças pretas. O tabuleiro contém oito linhas e oito colunas, formando 64 (sessenta e
quatro) quadrados, sendo 32 (trinta e dois) claros e 32 (trinta e dois) escuros,
dispostos de modo alternados. Cada jogador possui 16 peças: oito peões, dois
cavalos, dois bispos, duas torres, um rei e uma dama (ou rainha, mais conhecido
pelos iniciantes), como mostra a figura 7.
Figura 1 – Posição Inicial das Peças
Cada tipo de peça possui um movimento característico. Quando uma peça
for movida para uma casa em que está localizada a peça adversária, esta última
será capturada. Assim, a peça a ser jogada move-se para casa do oponente, e a
peça do oponente é retirada do tabuleiro. O REI move-se ou captura peças em
qualquer sentido, uma casa de cada vez. Os reis nunca podem se tocar. Atenção: O
rei é a única peça que não pode ser capturada8.
A DAMA move-se ou captura em qualquer sentido, quantas casas quiserem
desde que seu caminho não esteja obstruído por alguma peça da mesma cor. A
TORRE move-se ou captura nas linhas e colunas (horizontal e vertical), seguindo
num único sentido em cada lance.
6 Informações retiradas de dicionário on-line http://pt.wikipedia.org/wiki/Xadrez .
7 Figura 1, extraída do site www.google.com.br/imagens, acessado em 28/10/2008.
8 Mais detalhes em Xeque e Xeque-Mate.
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O BISPO move-se ou captura pelas diagonais, seguindo num único sentido
em cada lance. Cada jogador tem dois bispos: um anda pelas casas pretas e outro
pelas casas brancas. O CAVALO é o único que salta sobre as peças (pretas ou
brancas). O movimento do cavalo assemelha-se à letra "L", formada por quatro
casas.
O PEÃO move-se para a casa à sua frente, desde que não esteja ocupada.
Ao ser movido pela primeira vez, cada peão pode andar uma ou duas casas. O peão
é a única peça que captura de maneira diferente do seu movimento. A captura é
feita sempre em diagonal, uma casa apenas. O peão nunca se move nem captura
para trás.
O objetivo do jogo é dar xeque-mate ao Rei adversário, que ocorre quando o
rei adversário está em xeque9 e não exista mais nenhum movimento a ser realizado
para escapar. O rei está em xeque sempre que é atacado por uma peça adversária;
o xeque deve ser defendido através da melhor das opções:
1. Capturar a peça que dá xeque,
2. Fugir com o rei para uma casa que não esteja sendo
atacada por peça adversária,
3. Interpor uma peça própria entre o rei e a peça que dá o
xeque.
Se nenhuma das alternativas for possível, o rei estará em posição de xequemate10,
ou simplesmente, mate. Neste caso, a partida estará terminada, com a
vitória do enxadrista que deu o mate. Veja na figura 11 os exemplos de mate que
apresentamos:
9 Xeque: Lance no jogo do xadrez, que consiste em colocar o rei adversário em posição de ser
tomado na jogada seguinte, obrigando o adversário a efetuar uma jogada a contrariar esse ataque.
10 Xeque-mate: xeque (no jogo do xadrez) em que o rei não pode ser defendido por nenhuma outra
peça nem se mover para nenhuma outra casa, sem ser tomado por uma peça do adversário, o que
conclui a partida a favor deste.
11 Fonte: www.xadrezregional.com.br , acessado em 28/10/2008.
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Exemplo 1 Exemplo 2
O jogo também possui alguns movimentos conhecidos como especiais, são
eles: o ROQUE12, PROMOÇÃO13 e EN PASSANT14. Os exemplos do roque seguem
nas figuras abaixo:
Roque pequeno (antes). Roque pequeno (depois)
Roque Grande (antes) Roque Grande (depois)
O jogo de xadrez não é um jogo de azar, mas sim de um jogo de regras,
táticas e estratégias, muito conhecido pela complexidade de suas jogadas e daí,
12 Roque é o único lance que envolve o movimento de duas peças ao mesmo tempo: rei e torre. O
roque tem como objetivo colocar o rei em maior segurança e uma das torres em posição mais ativa.
Há dois tipos de roque: o pequeno e o grande.
13 Ocorre quando um peão chega à primeira linha do adversário, devendo ser imediatamente
substituído por dama, torre, bispo ou cavalo. A peça escolhida ocupara a casa em que o peão se
encontrava quando foi promovido.
14 (de passagem) é um tipo especial de captura feita somente pelos peões brancos que estiverem na
quinta linha ou pelos peões pretos que estiverem na quarta linha do tabuleiro.
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como mostrou a tirinha de Mauricio de Sousa, ele estar associado à inteligência.
Estima-se que o número de posições legais no xadrez é de aproximadamente 1.043,
porém o número de jogadas possíveis é incontável, uma vez que há
aproximadamente 170 Setilhões15 de maneiras de fazer os dez primeiros lances
numa partida de xadrez.
Retomando Lasker (1999) e a importância do jogo de xadrez para o
desenvolvimento da inteligência humana, destacamos a resposta de dois lideres
comerciais apaixonados pelo jogo de xadrez:
“Dois conhecidos líderes comerciais deram-me respostas quase
idênticas. Disseram que era porque o xadrez limitava o elemento
de sorte e acentuava a importância do planejamento. Um músico
escreveu que para ele o xadrez era como a própria vida: ensinavao
a coordenar a razão com o instinto. Um matemático apreciava o
elemento estético do jogo; encontrava numa série de movimentos
sutis a mesma emoção que um belo teorema”. (op. cit. p.11)
Na realidade, não é preciso saber jogar xadrez para conhecer o fascínio que
ele exerce em vários aspectos. Estamos, contudo, querendo mostrar que esse jogo
tem muitas vantagens e merece ser inserido de modo sistematizado no ensino
escolar, mas cuja prática deve extrapolar os tradicionais campeonatos destinados
exclusivamente a treinar, competir, ganhar, este é um dos seus aspectos, mas
evidentemente, há outros.
AS CARACTERISTICAS DO JOGO E IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA EDUCATIVA
E comum quando ouvimos falar em jogo de xadrez vir a nossa mente, a
imagem de duas pessoas sentadas e compenetradas diante de um tabuleiro que
está sendo minuciosamente analisado pelos jogadores, em volta só o silêncio, para
que haja concentração e os adversários possam escolher a melhor jogada e dar o
xeque-mate.
É devido a essa visão que costumamos imaginar o enxadrista como um ser
de capacidade intelectual elevada. Isso será verdade? Por que os jovens deveriam
aprender a praticá-lo? Apenas por esse motivo? A resposta a esse questionamento
será dada a partir da discussão das possibilidades que esse jogo mobiliza para
promover aprendizagens significativas.
15 Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Xadrez .
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Um simples jogo ou algo mais? É dessa forma que se inicia o levantamento
realizado por Llada (2003) destacando que esse jogo é unanimemente considerado
como uma forma de aprofundamento intelectual e uma poderosa ferramenta
educativa. Para ela, habilidades ligadas ao cálculo, a concentração, memorização,
responsabilidade, tomada de decisões, são algumas delas que o jogo de xadrez na
infância favorece.
Constatamos no decorrer deste trabalho que o jogo envolve a leitura e a
incorporação de regras, métodos e fundamentos que os orientam, seja a relação do
jogador com o jogo, seja pela relação entre jogadores cujas regras, precisam ser
seguidas para que o jogo se realize. Nesse sentido é um orientador de condutas que
precisam ser compartilhadas por todos os envolvidos, o que implica intervir na
formação do individuo tanto em uma dimensão individual quanto coletiva,
permanecendo ligados tanto à cognição (conhecimento) quanto ao afeto
(sentimentos), por meio da interação promovida entre os pares de jogadores.
A dimensão pessoal envolve esse aprendizado das regras e auxilia na
solução de problemas, no desenvolvimento da autonomia, criatividade, controle
sobre as emoções, principalmente a agressividade, a importância do planejar antes
de tomar as decisões, e no caso deste jogo em especial, a decisão mais acertada,
etc. Além destas o jogo também estimula alguns valores muito caro aos seres
humanos e fundamentais para a vida de qualquer estudante, entre as quais a
disciplina, a paciência e a responsabilidade.
Os Mestres Internacionais Toledo e Loureiro (2005) 16 ao citar Charles
Partos17 em jornal on-line da Federação Paulista de Xadrez, em setembro do citado
ano, afirmam que o aprendizado do xadrez deve ser levado as escolas porque
desenvolvem as habilidades de atenção e concentração, julgamento e planejamento;
imaginação e antecipação; memória; vontade de vencer, paciência e autocontrole;
espírito de decisão e coragem; lógica matemática, raciocínio analítico e sintético;
criatividade; inteligência; organização metódica do estudo e o interesse pelas
línguas estrangeiras.
É por isto que eles também defendem sua implantação dentro das escolas
desde que de modo sistemático, interdisciplinar e integrado ao currículo escolar,
16 Disponível em: http://www.fpx.com.br/mostracol.asp?colid=75
17 Mestre internacional e professor do Departamento da Instrução Pública do Cantão do Valais
(Suíça).
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inclusive como uma forma de atender os dispositivos postos na LDB/96, que o
integra ao currículo na parte diversificada como dito no inicio deste texto. Nesse
sentido, além de ser um eixo integrador do currículo escolar, consideramos o jogo
uma valiosa ferramenta para auxiliar os processos cognitivos, valorativos, éticos e
morais de nossos alunos.
Uma das queixas que mais afligem os educadores, ao menos aqueles
preocupados com o rendimento escolar dos seus alunos, é a dispersão sofrida pelos
alunos, que atualmente vivem num contexto social estimulante, carregado de
informações instantâneas (televisão, computadores, vídeos-game, propagandas de
rádio, outdoors, etc.) 18, impedem que os jovens mantenham sua concentração em
alguma coisa por muito tempo. Desse modo, quando se deparam com atividades
que exigem esforço mental, muitos encontram problemas para realizar tais tarefas. O
xadrez de uma forma lúdica seria um excelente treinamento desta capacidade de se
concentrar, auxiliando os alunos no desenvolvimento da disciplina, entendida como
atividade intelectual ou motivação interior19, e tão necessária para o investimento nos
estudos.
Os jogos de estratégias, como o xadrez, aparecem ainda como um jogo que
favorece a capacidade de aceitação das regras, desenvolvimento da memória,
agilidade no raciocínio, o gosto pelo desafio e a construção de regras pessoais, que
possibilitam desenvolver as competências necessárias para a resolução de
problemas. Ferreira (s/d. p.3) afirma que estes jogos “contribuem para o
desenvolvimento de capacidades matemáticas, aliando o raciocínio, a estratégia e a reflexão
com o desafio da competição de uma forma lúdica e os professores devem aproveitar isso
para otimizar as aprendizagens”.
Investigações sobre o efeito do jogo de xadrez em crianças revelam que os
jogadores de xadrez desenvolvem maior pensamento crítico, autoconfiança, autoestima,
concentração, empatia e a capacidade de resolver problemas. Jogar xadrez
implica a utilização do pensamento lógico. Estudiosos como Ferreira, Jeffrey Chesin
(2003), fazem uma relação entre o raciocínio matemático e o jogar xadrez.
18 Ainda que existam muitas pessoas que defendam que esses estímulos audiovisuais sejam aliados no
desenvolvimento da inteligência, sabemos que não é bem assim, porque a maioria destes eletrônicos exige
apenas a memorização de uma série de comandos, exigindo apenas essa habilidade além da motora com as mãos,
como no caso do videogame.
19 Tal como definido por Helena Coharik Chamlian. A Disciplina: uma questão crucial na didática. Referencia
completa no final do artigo.
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“Os bons jogadores de xadrez são provavelmente bons alunos e
matemática ou qualquer situação que envolva a resolução de
problemas. No entanto, bons alunos de matemática não são
necessariamente bons jogadores de xadrez”. (p.4)
Os autores evidenciam que estudos realizados em diversos locais do
mundo, como no Canadá, por exemplo, buscam demonstrar que a utilização do
xadrez no ensino da lógica aumenta-se de 62% para 81% a capacidade de
resolução de problemas. Na Califórnia, em 1985, os estudos de George Stephenson,
revelaram que o desempenho dos estudantes melhora sensivelmente após vinte
dias de jogos de xadrez constatando os resultados que seguem:
Rendimento
Acadêmico
55%
Comportamento 62%
Esforço 59%
Concentração 56%
Auto-estima 55%
Na Venezuela relacionam a melhoria dos scores de QI após quatro meses e
meio de estudo sistemático de xadrez. A psicóloga Edelmira Garcia la Rosa (2003)
20, responsável pelo programa de xadrez iniciado em 1980, desta a sua intervenção
na busca de melhorias do rendimento dos alunos, concluindo que “O xadrez
ensinado metodicamente constitui um sistema de estimulação intelectual capaz de
aumentar o Q.I. das crianças”, e, além disso, que “o aluno adquire através da
aprendizagem e prática enxadrística, um método de raciocínio e de organização das
relações abstratas e dos elementos simbólicos”. (p.1).
Ferreira (2003, p. 4) faz um trocadilho “o xadrez torna as crianças
inteligentes ou são as crianças inteligente que jogam xadrez?” e desse modo,
discute as possibilidades do jogo de xadrez ter contribuído para o QI dos estudantes,
afirmando que durante uma competição, só o fato de imaginar as possíveis posições
das peças, isto já traz para o cérebro humano, o desenvolvimento das capacidades
visuais e espaciais.
Experiências feitas por Joyce Brow (1981) em Nova Iorque constataram uma
melhora considerável no comportamento dos alunos – 60 % menos incidentes e
20 Disponível no sitio: www.ludus.esp.br (acesso em 28/10/2008)
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suspensões, melhoras significativas de até 50% no aproveitamento escolar. Assim, a
autora questionou-se por que o xadrez oportunizaria tais transformações? Pode-se
cogitar que deva ser pelo fato de ele favorecer uma atitude positiva do estudante em
relação ao jogo, desenvolvendo nele a capacidade de se concentrar além de lhe
garantir a aquisição de outros conhecimentos pelo desenvolvimento de habilidades
que acabam sendo incorporadas em suas atividades escolares.
De acordo com Goulart (2005) é na idade escolar que a criança necessita
agrupar-se para praticar várias atividades, sendo o jogo uma delas. Sabe-se que o
jogo é um instrumento altamente didático e muitos estudos discutem sua utilização
na educação. Porém, o xadrez, em especial, poderia ser trabalhado não só como um
suporte pedagógico, mas como uma disciplina regular e posta no currículo escolar
de base comum. Isto porque, normalmente ele é vinculado a atividades opcionais e
extracurriculares, mas, se eles proporcionam tantas competências, por que não
adequar esse jogo e torná-lo parte integrante do currículo? Como dissemos
anteriormente, desde a educação infantil, sua prática deve ser estimulada.
Mesmo que a proposta amplie a grade curricular das escolas, isto não
significa que outras disciplinas sejam prejudicadas, ao contrário, seriam beneficiadas
porque contribuiriam para melhorar o rendimento dos alunos em todas as outras.
Para Calmbach (s/d) 21, a preocupação dos professores atualmente não é só
transmitir conteúdos, mas criar condições para que a autonomia, o pensamento
crítico e a capacidade de resolver problemas, que freqüentemente aparecem em
nosso cotidiano, sejam resolvidos e, é nesse ponto que o jogo de xadrez, inserido na
grade curricular desde os anos iniciais de escolarização pode contribuir e atuar.
Trindade (2007), diz ser considerável o valor pedagógico do jogo de xadrez
para promover a educação crítica e ativa da criança e do jovem, um aspecto tão
valorizado na educação moderna, contribuindo para o desenvolvimento cooperativo
e emocional de seus praticantes quando tem seu uso pedagógico-didático bem
orientado e conduzido, principalmente por profissionais especializados para
exercerem tal função. Informações obtidas no sitio do clube de xadrez 22, e mesmo
nas entrevistas coletadas para o trabalho original, confirmam que o maior mérito
deste jogo consiste na progressão de cada aluno de acordo com seu ritmo,
21 Disponível em: www.apetx.org.br/aplicando_o_xadrez_escolar.htm (acesso em 31/07/2008).
22 Para acesso: www.clubedexadrez.com.br/portal/cxtoledo/artigo4.htm (acesso em 14/05/2008)
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respeitando individualidades e processos de aprendizagens que na realidade é uma
das teses mais cara da educação.
Piasse (2005), acredita que as escolas deveriam diversificar e ampliar suas
grades curriculares, introduzindo o jogo de xadrez, por exemplo, com vistas à
melhoria da educação e da formação dos alunos utilizando instrumentos de
aprofundamento das atividades intelectuais. Entretanto, reconhece que sua inserção
nos meios escolares requer preparo e domínio de todos os envolvidos, para que não
seja cometido o erro de fazê-lo como jogo, diversão, campeonatos, visando atrativos
financeiros e, portanto, diluindo os benefícios que sua prática, nos moldes
propostos, pode trazer.
Julião (2009) salienta que nesta busca por melhorias, o ensino de xadrez,
incorporado como disciplina regular, de modo sistemático surge como uma ótima
opção, unindo o espírito inovador das instituições educacionais e a forte imagem de
intelectualidade que esse esporte arte oferece. Para ele, a escola que adotar esta
idéia estará, com certeza, acrescentando em sua instituição um diferencial,
exercendo amplamente seu papel na sociedade e fazendo jus à sua função básica:
formar cidadãos, numa clara demonstração de responsabilidade educacional com
qualidade.
Pimenta (2008) aborda esse assunto e ressalta ser do conhecimento de
todos, que o xadrez vem a enriquecer não só o nível cultural dos indivíduos, mas
também várias outras capacidades apontadas, e uma outra, não menos essencial
para o convívio social, o aprendizado na vitória e na derrota, salientando que:
“O ensino e a prática do xadrez têm relevante importância
pedagógica, na medida em que tal procedimento implica, entre
outros, no exercício da sociabilidade, do raciocínio analítico e
sintético, da memória, da autoconfiança e da organização
metódica e estratégica do estudo. O jogador de xadrez,
constantemente exposto a situações em que precisa efetivamente
olhar, avaliar e entender a realidade pode mais facilmente,
aprender a planejar adequada e equilibradamente, a aceitar
pontos de vista diversos, a discutir questionários e compreender
limites e valores estabelecidos e a vivenciar a riqueza das
experiências de flexibilidade e reversibilidade de pensamentos e
posturas”. (op. cit. p.4)
Loureiro (2001), ao retratar o valor educativo do xadrez, discorre sobre as
habilidades especificas (imaginação, memória, visualização) e gerais (perseverança,
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capacidade de estudo, autoconhecimento, motivação, etc) geradas pela prática do
jogo. Pedagogicamente, o xadrez tem elevado conceito, fazendo parte do currículo
escolar básico e do aprimoramento complementar em dezenas de paises, entre eles:
Angola, Canadá, Cuba, Hungria, Israel, Iugoslávia, Alemanha, Tunísia, Rússia, entre
outros.
Retomando Calmbach (s/d) o xadrez escolar é uma matéria que ensina
técnicas de resolver problemas de grande complexidade, com a finalidade de
aprimorar a capacidade de raciocínio e contribuir para o aprendizado das matérias
de cunho cientifico e cultural. O xadrez estimula às crianças a solucionar problemas
e a passar maior parte do seu tempo jogando tranqüilamente, explicando que,
crianças que não ficariam por mais de quinze minutos quietas em uma sala de aula,
conseguem, de modo impressionante, permanecer durante horas envolvidas por
esse jogo:
“Desta forma o xadrez é um grande manancial
estimulador de pesquisa e do conhecimento e se encaixa
perfeitamente na concepção piagetiana a respeito dos
jogos de exercício e simbólico. Vygotsky e os cientistas
da escola russa, ao proporem a introdução do jogo nas
escolas mostraram quais são as características principais
que os jogos devem possuir para serem bons recursos
didáticos”. (op.cit. p. 3)
Podemos dizer que a psicologia proposta por Vygotsky acerca dos jogos e
sua utilização nas escolas se encaixam perfeitamente para xadrez porque confere
significados diferentes aos objetos utilizados. O tabuleiro representa o campo de
batalha e as peças os dois exércitos que se confrontarão e ainda oferece uma
situação imaginária em que o objetivo maior é conquistar o rei adversário, trazendo
algumas ações representativas da sociedade, tais como o respeito às regras, das
peças com movimentos diferentes e dos próprios jogadores que precisam aguardar
a sua vez de jogar, mesmo que isso leve um tempo por parte do outro que está
analisando para saber qual a melhor estratégia para vencer.
Christofoletti (2005) salienta que embora o jogo de xadrez, seja praticado em
duplas, cada um dos jogadores, deverá tomar uma decisão sobre a jogada de modo
individual, o que favorece autoconfiança na tomada de decisões. Mesmo nas
competições por equipe, cada jogador tem o seu tabuleiro, e não pode ser orientado
durante a partida, cabendo somente a ele tomar as decisões e arcar com os
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resultados. Afirma ainda, que vem aumentando a participação de crianças neste
jogo, com o apoio das escolas que oferecem este tipo de atividade, e diz que
quando bons hábitos são desenvolvidos desde a infância, e assimilados facilmente.
Muitas vezes as crianças não sabem utilizar a capacidade de análise, pois
não foram devidamente estimuladas para isso, a não ser pela via da memorização
mecânica. Dessa forma quando se deparam com textos diferentes, sentem-se
inseguras e tem muita dificuldade para encontrar as respostas. A contribuição do
jogo de xadrez nessa direção caminha principalmente para a educação matemática,
mas ela também promove estímulos para os outros campos do conhecimento.
Santos (2007, p.3.), defensor do ensino de xadrez nas escolas, cita um
trecho de Wilson da Silva 23 que diz ser o jogo de xadrez merecedor de crédito
porque “ensina as crianças o mais importante na solução de um problema, que é saber
olhar e entender a realidade que se apresenta”. [...]. Em tempos de conhecimentos
efêmeros permeados por esse contingente de informações instantâneas e
sobrepostas que quase não deixam espaço para a reflexão, concordamos com esse
autor, quando ele diz que o melhor que a escola pode fazer para seus alunos é
ajudá-los a organizar melhor seu pensamento, e acreditamos que isso possa ser
feito mediante a sistematização deste jogo como disciplina nas escolas.
Para entendermos melhor a implicação deste jogo no âmbito escolar,
consideramos importante mostrar uma tabela comparativa das características do
jogo e seus efeitos na escolarização elaborada por Wilson Silva, citado por Santos
(2003).
Característica do xadrez e suas implicações educativas.
Características do xadrez
Implicações nos aspectos
educacionais e de formação do
caráter
Fica-se concentrado e imóvel na cadeira O desenvolvimento do autocontrole
psicofísico.
Fornecer um número de movimentos num
determinado tempo
Avaliação da estrutura do problema e
do tempo disponível
Movimento das peças após exaustiva análise de
lances
Desenvolvimento da capacidade de
pensar com abrangência e
profundidade
23 Mestre em Educação pela UFPR e doutorando também em Educação pela UNICAMP.
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Após encontrar um lance, procurar outro melhor. Tenacidade e empenho no progresso
contínuo
Partindo de uma posição a princípio igual,
direcionar para uma conclusão brilhante
(combinação)
Criatividade e imaginação
O resultado indica quem tinha o melhor plano Respeito à opinião do interlocutor
Dentre as várias possibilidades, escolher uma
única, sem ajuda externa.
Estímulo à tomada de decisões com
autonomia
Um movimento deve ser conseqüência lógica do
anterior e deve apresentar o seguinte
Exercício do pensamento lógico,
autoconsistência e fluidez de
raciocínio.
Fonte: http://br.geocities.com/cluberibeiraoclarensedexadrez/Xadrez_escola.html
Todos estes elementos podem ser preparados durante o aprendizado e a
prática do xadrez, para que possa contribuir na melhoria do desempenho das
crianças diante dos desafios escolares. Além disso, dada à realidade de muitas
escolas, principalmente as públicas, é preciso pensar que o xadrez é uma atividade
de baixo custo, que ajuda no desenvolvimento das habilidades mentais e promove a
incorporação de atitudes de respeito.
Sendo assim, o xadrez com certeza é um jogo que modifica a escola porque
promove sua cultura, desenvolvendo inúmeras habilidades e garantindo a aquisição
de conhecimentos não só em relação ao jogo, mas também a assimilação de outros,
vinculadas às matérias escolares e o próprio caráter dos alunos. Além disso, ele
também tem a vantagem de ajudar a diminuir a agressividade individual e, por este
motivo, pode contribuir para minimizar a violência na escola, estabelecendo vínculos
entre os conhecimentos e as experiências enxadrística e a vida cotidiana, individual
e social.
Por se uma atividade que facilita aprendizagens de outros conteúdos, muitas
atividades podem ser desenvolvidas devido às relações que mantém com os demais
conteúdos. Por exemplo, ligadas ao conteúdo de história, ao se narrar as próprias
histórias em torno do xadrez, a geografia, ao se pesquisar e apresentar a leitura
cartográfica de suas migrações ao longo dos continentes, ou ainda, o próprio estudo
do tabuleiro, relaciona-se a conteúdos de matemática e geometria.
Os benefícios de sua prática iniciam-se quando a criança passa a conhecer
e a exercitar o domínio do tabuleiro, o que resulta em ganhos para sua noção
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espaço-dimensional. Em seguida são apresentadas às peças, cada qual com suas
características físicas, seus movimentos e papel no jogo, auxiliando o
desenvolvimento da memória e da concentração. O desenvolvimento do jogo, com a
integração das peças e os cálculos das jogadas exercitam o raciocínio lógico e a
imaginação.
Podemos afirmar que o xadrez ensinado metodicamente constitui um
sistema de estímulo intelectual capaz de aumentar o quociente de inteligência das
crianças, oferecendo aos participantes um método de raciocínio e de organização
das relações abstratas e dos elementos simbólicos. Essa forma sistemática passa
pela preparação das escolas envolvendo a adaptação das mesmas as estruturas
existentes. Para tanto, é preciso que o plano gestor da escola proponha de modo
coletivo essa inserção como disciplina, o que envolveria a capacitação dos
professores e coordenadores para acompanhar e planejar atividades da disciplina e
mesmo o ensino dos jogos, ministrados por profissionais especializados ou mesmo
enxadristas convidados.
Além destas adequações, também os recursos materiais, tais como a
aquisição e utilização do material didático dos professores e dos alunos,
armazenados em local adequado, bem como o próprio local onde as aulas irão
acontecer. Deve ser um espaço amplo, com quadro mural, mesas e jogos de peças,
relógios de xadrez em quantidade suficientes para atender os alunos da escola.
Para concluirmos essas breves considerações acerca das mudanças
promovidas pelo jogo de xadrez na cultura escolar e, apesar de pouco comum, em
textos desta natureza, optamos por terminar com um poema, feito por um estudante
do xadrez que traduzem, de algum modo, por que ele se torna tão significativo para
aqueles que o praticam.
O JOGO DE XADREZ
Azuir Filho24
24 Poesia de Homenagem ao Jogo de Xadrez pelo seu caráter humanizador que tira as pessoas da
pequenez e mediocridade fazendo-as pensar de modo mais elevado e com mais humildade. O Jogo
de Xadrez tem a ver com os Amigos, os Mestres os Sonhos, Utopias e Ideais.
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No Jogo há linda História, de razão,
sentido e finalidade.
É o saber, tradição e memória, a razão
e toda a dignidade.
Sabedoria que é importante, no amor
e honra que vai ficar.
O Jogo Xadrez é fascinante, reproduz
a vida e todo lutar.
No Jogo de Xadrez esta a Vida, e a
sua luta mais danada.
Tem toda gente e cada lida os
importantes e a peãozada.
Todo tempo é emocionante, pois tudo
se pode organizar.
O Jogo Xadrez é fascinante, reproduz
a vida e todo lutar.
Na vida do Rei o destino, ao morrer o
jogo tá terminado.
É um aviso para ter tino, e se vacilou
não será perdoado.
A Dama cuida do Rei governante, tem
maior movimentar.
O Jogo Xadrez é fascinante, reproduz
a vida e todo lutar.
Os Cavalos são poderosos, Grandes
forcas para decidir.
São destaques portentosos, faz o forte
mais forte se sentir.
Torre a fortaleza representante, nas
paralelas a controlar.
O Jogo Xadrez é fascinante, reproduz
a vida e todo lutar.
Bispos os Ministros invencíveis,
Ministérios fortificados.
Vão fazer coisas incríveis, sempre
serão recompensados.
Nas diagonais imperantes, fortes tão
grandes no avançar.
O Jogo Xadrez é fascinante, reproduz
a vida e todo lutar.
É um Jogo de Inteligência, um jogo do
mais Preparado.
De Beleza, Arte e Ciência, de quem
pode estar bem ligado.
Há um batalhar constante, com a
sabedoria a se destacar.
O Jogo Xadrez é fascinante, reproduz
a vida e todo lutar.
Nas peças a representação, do que
importa na Sociedade.
Pois tem elite e tem povão, e como
será sua continuidade.
O Mérito esta no semblante, que
revela a alma e o sonhar.
O Jogo Xadrez é fascinante, reproduz
a vida e todo lutar.
No Peão esta a simplicidade, a
humildes dos sacrificados.
Tem esperança de eternidade, em
Jesus e os Crucificados.
O Humilde se faz o gigante, no seu
sonho de irmão igualar.
O Jogo Xadrez é fascinante, reproduz
a vida e todo lutar.
Há mazelas pra restauração, e há
História de Felicidade.
Se Bem colocado um peão, vencer
qualquer majestade.
E o Peão neste instante, muda a
Sociedade e o caminhar.
O Jogo Xadrez é fascinante, reproduz
a vida e todo lutar.
Diálogos Acadêmicos - Revista Eletrônica da faculdade Semar/Unicastelo
Publicação Quadrimestral - Volume 1 – Numero 1. Edição Outubro/Janeiro de 2010 revista@semar.edu.br
1
Referencias Bibliográficas
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1998.
CHAMLIAN, Helena Coharik A Disciplina: uma questão crucial na didática. In:
CASTRO A. D. & CARVALHO, A. P. Ensinar a ensinar: didática para o ensino
fundamental e médio. São Paulo: Pioneira, Thomson Learning, 2002.
LASKER, Edward. História do xadrez. Tradução de Aydano Arruda. 2 ed. São
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Fermino Fernandes Sisto, Gislene de Campos Oliveira, Lucila Dihel Tolaine (Orgs.).
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VYGOTSKY, Lev Semnovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos
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Textos e Artigos on-line
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www.apetx.org.br/aplicando_o_xadrez_escolar.1tm (Acesso em 31/07/2008).
CHRISTOFOLETTI, D. F. A. O jogo de xadrez na educação matemática. In:
http://www.efdeportes.com/efd80/xadrez.htm (Acesso em 25/10/2008)
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http://ludicum.org/MR/textos/artigoSRM.pdf (Acesso15/09/2008)
GOULART, Edson & FREI, Fernando. O jogo de xadrez como ferramenta para o
ensino da matemática às crianças do ensino fundamental. In:
www.unesp.br/prograd/PDFNE2005 (Acesso em 20/09/2008)
JULIÃO, Taís. Xadrez Escolar: Uma lição gostosa de aprender. In:
http://xadrezescolarecompeticao.blogspot.com/2008/05 (Acesso 14/05/2008)
Diálogos Acadêmicos - Revista Eletrônica da faculdade Semar/Unicastelo
Publicação Quadrimestral - Volume 1 – Numero 1. Edição Outubro/Janeiro de 2010 revista@semar.edu.br
2
TEXTO 164 - UMA HISTÓRIA CULTURAL DO XADREZ.
PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://cpdoc.fgv.br/producao_intelectual/arq/1233.pdf
Castro Celso. Uma história cultural do xadrez. Cadernos de Teoria da Comunicação, Rio de Janeiro, v. 1, nº 2, p. 3-12, 1994.
Uma história cultural do xadrez
Celso Castro1
O xadrez é um jogo especial por combinar várias características. Em primeiro
lugar, o acaso não existe no xadrez: ninguém ganha uma partida porque “teve sorte”,
nem perde porque “teve azar”. Trata-se de um jogo movido apenas pelo raciocínio dos
dois jogadores, que são os únicos responsáveis pelo resultado. Nesse sentido, pode
ser dito que trata-se de um jogo perfeitamente existencialista nele estamos, como
numa expressão de Sartre, “sós e sem desculpas”.
Em segundo lugar, o xadrez é de extrema complexidade. Jogado num tabuleiro
de 64 casas, cada jogador tem inicialmente 32 peças de seis tipos, cada qual com
importância, movimentos e possibilidades de captura específicos. Apenas os quatro
primeiros lances podem produzir cerca de 72 mil diferentes posições. Os dez primeiros
lances podem ser jogados de cerca de 170 seguido de 27 zeros maneiras diferentes.
Trata-se, portanto, de um jogo de possibilidades inesgotáveis.
Em terceiro lugar, o xadrez é especial por sua antiguidade histórica.2 Sua origem
é controversa. Alguns pesquisadores acham que surgiu no Egito ou na China, mas
geralmente considera-se que o xadrez teve origem num jogo com o nome sânscrito de
chaturanga, que já existia na região do Ganges, na Índia, no início do século VII. É
possível que tenha sido inventado vários séculos antes. De qualquer forma, é jogado,
com poucas variações importantes, por mais de mil anos.
Outra característica notável do xadrez é que as partidas podem ser registradas e
posteriormente reproduzidas, lance a lance. Com isso, o acervo histórico de partidas
vai sendo sempre aumentado -- e, como todo acervo, o do xadrez possibilita a
existência de uma memória sobre o jogo que é uma fonte de aprendizagem e prazer
CASTRO, Celso. Uma história cultural do xadrez. Cadernos de Teoria da Comunicação, Rio de Janeiro, v.1,
nº2, p.3-12,1994.
estético. Existe, por exemplo, um problema de xadrez composto por um califa árabe
chamado Mutasin Billah em 840 d.C. Temos também o registro de uma partida jogada
em 940 d. C. e vencida por um grande jogador árabe de origem turca chamado As Suli
(c.880-946), que encantava a corte em Bagdá no início do século X. Sobre esse
jogador chegou até nós o comentário de um homem importante da época que,
perguntado sobre a beleza das flores de um determinado jardim, respondeu que a
forma de As Suli jogar xadrez -- isto é, seu estilo -- era mais bonita do que aquele
jardim e todas suas flores. O fato de podermos reproduzir essa partida e igualmente
sentir seu encanto e beleza preservados por 1050 anos é uma característica que
confere ao xadrez um lugar único entre todos os jogos.
Finalmente, o xadrez é um jogo especial por sua extraordinária difusão através
das mais variadas culturas e civilizações. Esse é um ponto sobre o qual gostaria de me
deter com mais atenção. Como disse, no início do século VII existia na Índia um jogo
chamado chaturanga, considerado precursor direto do xadrez. Esse jogo foi
disseminado através do continente asiático principalmente pelos budistas, e adaptado
ao acervo cultural de diversos países, como China, Coréia e Japão.
A difusão para o Oeste é razoavelmente bem documentada. O jogo alcançou a
Pérsia por volta de 625, recebendo o nome de chatrang. Após a conquista árabe da
Pérsia (631-51), o jogo, agora batizado com o nome árabe shatranj, conheceu uma
época de grande florescimento. O islamismo proibia os jogos de azar, mas o shatranj
era considerado um jogo de guerra, e, por isso, permitido. Vários califas tornaram-se
aficcionados do jogo, e os melhores jogadores recebiam dinheiro para jogar, ensinar e
escrever livros.
O shatranj foi levado para a Rússia a partir do século IX, principalmente através
da rota de comércio Mar Cáspio-Volga. Cristãos bizantinos difundiram o jogo pelos
Bálcãs e Vikings fizeram o mesmo na região do Báltico, tudo isso num período anterior
à conquista mongol de 1223. Os mongóis também apreciaram o jogo, especialmente
na corte do imperador Tamerlão. O shatranj chegou à Europa Ocidental entre os
séculos VIII e X por três rotas: inicialmente com os invasores mouros da Península
Ibérica; depois, através do Império Bizantino no Leste, e, finalmente, com os
sarracenos (invasores islâmicos da Sicília). Por volta do ano 1000 o jogo já era
amplamente conhecido na Europa.
A Igreja a princípio se opôs ao jogo, possivelmente devido ao uso freqüente de
apostas. Surgiram alguns editos proibindo o clero de jogar, notadamente um do cardeal
Damiani em 1061. Entretanto, por volta do século XIII essa proibição foi relaxada ou
esquecida, e o xadrez passou a gozar de popularidade entre várias ordens religiosas.
Alguns de seus membros inclusive usaram o xadrez em alegorias conhecidas como
“moralidades”, comuns na literatura européia da Idade Média, e que tentavam dar uma
explicação simbólica ou alegórica do jogo, encontrar paralelos entre a organização da
vida e atividade humanas e o xadrez. Essas alegorias geralmente consideravam o jogo
como emblemático da condição social da época.
Vejamos um exemplo dessas “moralidades”. A mais antiga conhecida é da
metade do século XIII, e ficou conhecida como “moralidade de Inocêncio”, por ter sido
atribuída ao papa Inocêncio III (papa entre 1198 e 1216).Ao que tudo indica, no
entanto, foi obra de um monge galês. O texto diz o seguinte:3
“Este mundo todo é como um tabuleiro de xadrez: uma casa é branca, outra
casa é preta, e assim representa o duplo estado de vida ou de morte, de graça ou
pecado. A família que habita esse tabuleiro é formada pelos homens deste mundo, que
-- tal como as peças saídas todas da mesma bolsa -- procedem todos de um só ventre
materno. E, tal como as peças, assumem seus postos nos diferentes lugares deste
mundo, cada um com sua própria denominação. O primeiro é o Rei, depois a Rainha,
em terceiro lugar a Torre, em quarto o Cavalo, em quinto o Bispo e em sexto o Peão. E
o caráter do jogo é tal que um toma o outro e, com o jogo terminado, assim como todos
tinham saído da mesma bolsa, a ela voltam. E então já não há diferença entre o Rei e o
pobre Peão, pois acabam do mesmo modo o rico e o pobre. E com freqüência
acontece que, quando se devolvem as peças, o Rei fica por baixo, no fundo do saco; e
assim também acontece com os grandes que ao sair deste mundo são sepultados no
inferno; enquanto os pobres são levados ao seio de Abraão.”
Temos aqui uma alegoria bastante explícita do nascimento e morte como
comuns a toda a humanidade. Essa imagem foi muito popular através de toda a Idade
Média, e mesmo depois. É mencionada, por exemplo, no Dom Quixote, de Miguel de
Cervantes. Aliás, há muitas referências ao xadrez em fontes literárias medievais,
principalmente romances. Há passagens sobre reis resolvendo questões de Estado
através do jogo, condenados jogando enquanto esperavam a execução, tabuleiros
mágicos feitos pelo mago Merlin etc. Rabelais tem uma longa descrição de um jogo de
“xadrez vivo”, isto é, com pessoas ocupando o lugar de peças. Mas voltemos à
“moralidade”, que prossegue descrevendo agora o movimento das peças:
“A Rainha move-se e toma [isto é, captura peças adversárias] na diagonal [essa
é uma regra antiga], de modo torto, pois a mulher é tão cobiçosa que só toma
tortamente, por obra da rapina e da injustiça. A Torre é o justiceiro que percorre toda a terra em linha reta como sinal da justiça com que tudo julga e de que por nada deve
seu ofício corromper-se. [...] O movimento do Cavaleiro é composição de reto e torto. O
reto, representando o direito que tem, em justiça, como senhor da propriedade, de
cobrar impostos e de impor justas penas conforme o exija o delito; representando as
injustas extorsões a que submete os súditos. [...] Os Bispos movem-se oblíqua e
tortuosamente duas casas [outra regra de movimento antiga] porque muitos prelados
se pervertem pelo ódio, amor, presentes, ou favores para não corrigir os delinqüentes
nem ladrar contra os vícios, tratando os pecados como um terreno arrendado por uma
taxa anual. E assim enriquecem o diabo, fomentando os vícios ao invés de extirpá-los e
se tornam procuradores do diabo. [Observar o anticlericalismo do texto!] Os Peões são
os pobres que andam uma casa em linha reta, pois enquanto o pobre permanece na
sua simplicidade vive honestamente, mas, para tomar, se corrompe e o faz tortamente,
pois pela cobiça se bens ou honras, sai do reto caminho com falsos juramentos,
adulações ou mentiras.”
Finalmente, há uma passagem interessante sobre o desfecho do jogo:
“O diabo diz: xeque! incitando ao mal e ferindo com o dardo do pecado. E se o
atingido não sai rapidamente dizendo: livre!, pela penitência e compunção do coração,
o diabo lhe diz: mate!, levando sua alma ao inferno de onde não se poderá livrar de
modo algum.”
Pulei propositalmente a parte referente aos movimentos do Rei, porque aqui há
um ponto importante. Deve ter ficado claro que o princípio subjacente aos movimentos
das peças, para o autor da “moralidade”, é que um movimento reto simboliza um
movimento/ação moralmente correto, justo; um torto ou na diagonal significa um
movimento/ação moralmente incorreto, injusto. Ora, o Rei move-se e captura uma casa
em todas as direções com movimentos, portanto, “retos” e “tortos”. Entretanto, a
figura real era considerada de origem divina e fonte da justiça, e, portanto, não podia
fazer movimentos “tortos” na vida. Qual a solução? O moralista falsificou os
movimentos da peça, suprimindo os movimentos “tortos” e dizendo que o Rei se movia
apenas retamente.4 No entanto, naquela época como hoje essa peça se movia e
capturava em todas as direções.
Temos aqui um exemplo claro de que o interesse maior dessas “moralidades”
era com a alegoria e não com o jogo. Isso não quer dizer que as moralidades não
tenham tido importância para o desenvolvimento do jogo na Europa. Possivelmente
elas divulgaram o xadrez e ajudaram a diminuir o preconceito eclesiástico inicial. Mas,
como o historiador do xadrez Murray nota5, “para o moralista a fábula era de muito
maior importância do que os detalhes do jogo, e os detalhes tinham que se encaixar na
explicação, e não o inverso.” O xadrez fornecia apenas a moldura para as alegorias. O
alvo das “moralidades” era outro.
Nem todas as alegorias medievais, é bom notar, eram de fundo religioso. Há um
poema francês do século XIV, chamado Les échecs amoureux que é a descrição,
movimento por movimento, de um jogo entre uma dama e seu pretendente. O paralelo
entre amor e xadrez aparece também num livro publicado em 1497 pelo espanhol Luís
Lucena, intitulado Repetición de amores e arte de axedrez.
Por volta de 1475, ocorreram algumas mudanças significativas nas regras do
jogo, que modificaram o xadrez árabe e deram origem ao xadrez moderno na Europa
Ocidental. Basicamente, o ritmo do jogo foi acelerado e algumas peças substituídas.
Os primeiros livros sobre a nova forma do jogo foram todos escritos na Península
Ibérica.
Na segunda metade do século XVI, o jogo teve um grande desenvolvimento, e
os melhores jogadores passaram a ser patrocinados por mecenas, inclusive reis.
Nessa época também começaram a surgir torneios. O mais antigo documentado
ocorreu em 1575 na corte de Felipe II da Espanha, quando se enfrentaram jogadores
espanhóis e italianos. Venceu o italiano Giovanni Leonardo, que recebeu mil ducados,
uma capa de arminho e durante vinte anos sua cidade natal Cutri, da Calábria, esteve
isenta de tributos.
Desde então, o xadrez atravessou todas as tendências históricas e modas
culturais que surgiram. A partir de 1730, passou a ser muito jogado em cafés, como o
de la Régence, em Paris, um dos mais famosos pontos de encontro de xadrez de todos
os tempos, com frequentadores ilustres como Voltaire, Rousseau, Robespierre,
Benjamin Franklin, Napoleão e Richelieu. O xadrez também não ficou alheio ao
igualitarismo iluminista da fase pré-revolucionária. Cinqüenta anos antes da tomada da
Bastilha, foi publicado o livro fundador do xadrez moderno, por um compositor de
música e jogador de xadrez chamado Philidor (1726-95) L’ analyse des échecs, que
teve enorme sucesso. Nesse livro, é pela primeira vez descrita a estratégia do jogo
como um todo e afirmada a importância decisiva da formação de peões, até então os
elementos menos considerados do jogo, por serem o de menor poder ofensivo. Mas
era época do Iluminismo, e os peões foram revalorizados por Philidor numa frase
famosa: “eles são a alma do xadrez.”
A partir daí, a teoria sobre o jogo foi desenvolvida de forma ininterrupta.
Surgiram várias “escolas” que preconizavam diferentes estilos ou maneiras de conduzir
as partidas de xadrez, como a “Escola Modenense” (de Modena, uma cidade italiana),
que em geral se opunha aos ensinamentos de Philidor, preconizando a importância
fundamental do ataque rápido e direto ao Rei inimigo através das peças. No final do
século XIX, Wilhelm Steinitz (1836-1900) desenvolveu críticas ao xadrez de estilo
“romântico”, que defendia o ataque rápido a todo custo, e mostrou a importância da
defesa e do acúmulo de pequenas vantagens ao longo do jogo. Ele propunha uma
apreciação científica, objetiva do jogo de xadrez. Já um adversário seu, o médico
alemão de origem judaica Siegbert Tarrasch (1862-1934), via a partida de xadrez como
a imagem de uma guerra: a fase de abertura da partida correspondia à mobilização, ao
desenvolvimento estratégico e ao engajamento nos combates iniciais; o meio da
partida era a batalha propriamente dita, onde se decidia a vitória, e o final, a realização
da superioridade obtida nas fases anteriores. Em sua teoria do jogo, Tarrasch
distinguia três elementos principais: as forças, o espaço e o tempo, que seriam
permutáveis entre si, um podendo transformar-se no outro. Na década de 1920 surgiu,
em reação a princípios considerados formalistas e ortodoxos como os de Tarrasch, um
movimento batizado de “hipermodernismo”, cujos expoentes permitiam ao adversário
ocupar a posição central do tabuleiro mantendo no entanto um controle estratégico,
à distância, desse centro para depois contra-atacar e demolir suas posições.
Não vou falar de todas as “escolas” e tendências modernas. Mencionei algumas
apenas para dar uma idéia da variedade de estilos e concepções a respeito do jogo.
Hoje em dia, o tempo das “escolas” passou, importando mais o estilo individual para
determinar a maneira pela qual os grandes jogadores atuam. Essas “escolas” têm a
ver, é bom notar, com grandes jogadores, e não com a maioria absoluta de jogadores
amadores, que não dominam sutilezas teóricas a respeito de estratégia, nem são
virtuosos táticos jogam apenas por distração.
Evitarei a soberba intelectual de “explicar” ou “decifrar” o “significado” do xadrez,
reduzindo-o a fórmulas do tipo “o xadrez representa não-sei-o-quê” a guerra, a luta,
a vida etc. A esse respeito, gostaria de lembrar o livro do filósofo holandês Johan
Huizinga, publicado em 1938, Homo Ludens, que tem o subtítulo de “O jogo como
elemento da cultura.”6 Observar que é “da” cultura, e não “na” cultura, porque para
Huizinga a própria cultura possui um caráter lúdico: ela é “jogada”. É um livro difícil,
com algumas passagens bastante obscuras. De qualquer forma, um dos pontos altos é
quando Huizinga ressalta os perigos do reducionismo racionalista: o jogo em si não se
pode explicar. Ele possui um caráter estético, de divertimento, que resiste a toda
análise e interpretação lógicas: o importante do jogo está no próprio jogo, e não, como
nos rituais, em algo além dele, que ele “representa”.
Uma afirmação que parece bastante plausível em relação aos jogos em geral é
que eles estão intrinsecamente relacionados às características sociais e culturais das
sociedades em que são jogados, que são ritualizações de componentes culturais
dessas sociedades, e que não podem ser “compreendidos” sem que o analista leve em
consideração esses vínculos. Essa afirmação segue um esquema de pensamento
bastante característico das ciências humanas contemporâneas, e que é aplicado em
vários contextos e a vários objetos. A história do jogo de xadrez, no entanto, coloca
alguns problemas à universalidade dessa afirmação, porque trata-se de um jogo
transcultural, presente em culturas e mesmo civilizações muito distantes no
tempo, no espaço e em características culturais. Uma crítica “nominalista” poderia dizer
que “xadrez” é apenas uma palavra que, apesar de comum a diferentes culturas,
representa na realidade jogos diversos, posto que jogado e representado culturalmente
de diferentes formas. Isso pode ser válido para outros jogos, talvez mesmo para a
maioria, mas no caso do xadrez esse argumento é fraco. As “moralidades”, “escolas” e
outras apropriações culturais do jogo são claramente acessórias. Para além delas,
permanece uma estrutura de jogo razoavelmente imutável e que atravessou dessa
forma diferentes contextos culturais através de vários séculos.
Para encerrar, um poema:
“O thou whose cynic sneers express
The censure of our favourite chess,
Know that its skill is science’ self,
Its play distraction from distress;
It soothes the anxious lover’s care,
It weans the drunkard from excess;
It counsels warriors in their art,
When dangers threat, and perils press;
And yield us, when we need them most,
Companions in our loneliness.”7
Esse poema foi escrito pelo califa al-Mu‘tazz, por volta do ano 900 ou seja, há
mil e cem anos. É bem possível que a atração que o xadrez exerce sobre quem o joga
hoje seja a mesma exercida sobre aficcionados de outros tempos, de outras culturas.
Isso, por si só, seria suficiente para tornar o jogo de xadrez uma experiência humana
muito especial.
NOTAS
1. Pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, doutorando em Antropologia
Social no PPGAS/Museu Nacional/UFRJ, autor de O espírito militar: um estudo de
antropologia social na Academia Militar das Agulhas Negras (Jorge Zahar, 1990), coorganizador
de Visões do golpe: a memória militar sobre 1964 (Relume-Dumará, 1994)
e Anos de chumbo: a memória militar sobre a repressão (Relume-Dumará, 1994).
2. Para a história do xadrez, baseei-me em vários livros, principalmente: David Hooper
& Kenneth Whyld, The Oxford companion to chess (Oxford, 1988); H. J. Murray, A
history of chess (Oxford, 1913); R. N. Coles, The chess-players week-end book
(London, Pitman& Sons, 1950) e Luiz Jean Lauand, O xadrez na Idade Média
(Perspectiva/EDUSP, 1988).
3. Uso a tradução de Lauand, op. cit., p. 49-51.
4. Ver Murray, op. cit., p. 530-1.
5. Op. cit., p. 530.
6. Edição brasileira: Perspectiva, 1980.
7. The Oxford companion to chess, p. 308.
sexta-feira, 22 de março de 2013
TEXT0 163 - ALGUMAS FRASES DE ENXADRISTAS.
PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://stelling.cc/xadrez/?cat=174.
A) “Quando você está solitário, quando você se sente alienado do mundo, jogue xadrez. Isto elevará o seu espírito e será seu conselheiro na guerra.” – Aristóteles.
B) “A excelência no xadrez é uma a marca da mente esquemática.” – Sir Arthur Conan Doyle.
C) “Em nenhum lugar o desperdício de tempo é punido mais severamente do que no xadrez.” – Samuel Reshevsky.
D) “O xadrez não é apenas conhecimento e lógica.” – Alexander Alekhine.
E) “A possibilidade de lutar pela iniciativa é o melhor critério moderno para determinar o valor de um sistema de abertura ou novidade.” – Isaac Lipnitsky.
F) “Não é necessário convencer o jogador forte da importância do final de partida“. – A. J. Roycroft.
G) “Em algum momento os homens tiveram que ser semideuses; senão não teriam inventado o xadrez.” – Alexander Alekhine.
H) “A beleza de um lance não está na sua aparência mas sim na idéia por trás dele.“- Siegbert Tarrasch.
I) “Quanto mais velho eu fico, mais eu valorizo os peões.” – Paul Keres.
J) “A pregadura é mais forte que a espada.” – Fred Reinfeld.
TEXTO 162 - Como no xadrez, estratégia define futuro do escritório.
PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.conjur.com.br/2013-fev-01/sociedades-sa-xadrez-estrategia-define-futuro-escritorio
SOCIEDADES S/A.
Como no xadrez, estratégia define futuro do escritório
Por Rodrigo Bertozzi e Lara Selem.
O jogo de xadrez não é meramente um divertimento ocioso; diversas e muitas valiosas qualidades da mente, úteis no decurso da vida humana, são adquiridas e fortalecidas por meio dele, de modo a tornarem-se hábitos preparados para todas as ocasiões; pois a vida é uma espécie de xadrez, na qual temos pontos a ganhar e competidores ou adversários a enfrentar, e na qual existe uma ampla variedade de acontecimentos bons e maus, que são, em certo grau, os efeitos da prudência ou da falta dela.
Benjamin Franklin, The Morals of Chess (1779).
Malba Tahan conta uma lenda, em seu famoso livro O Homem que Calculava, segundo a qual em uma província indiana chamada Taligana havia um poderoso rajá que havia perdido o filho em uma batalha. O rajá estava em constante depressão e passou a descuidar-se de si e do reino. Certo dia, o rajá foi visitado por Sessa, que apresentou ao rajá um tabuleiro com 64 casas brancas e negras com diversas peças que representavam a infantaria, a cavalaria, os carros de combate, os condutores de elefantes, o principal vizir e o próprio rajá. Sessa explicou que a prática do jogo daria conforto espiritual ao rajá, que finalmente encontraria a cura para a sua depressão, o que realmente ocorreu. E assim surgiu um dos jogos mais praticados em todo o mundo.
Por suas características táticas e estratégicas, o enxadrismo já foi estudado pela psicologia, pela psicometria, pela matemática, pela computação. Os melhores enxadristas dominam a arte de criar problemas de xadrez, e levam em conta a posição das peças no tabuleiro, um objetivo específico a ser alcançado, um tema, solução única, valor estético com elegância lógica. Enfim, é um jogo fascinante.
E também pode ser comparado analogicamente à advocacia moderna, acreditem. Para jogar, são necessários um tabuleiro (o mercado), peças brancas e pretas com valores e movimentos próprios (as pessoas envolvidas: sócios, advogados, estagiários, clientes, Judiciário etc.), um relógio (o prazo) e dois jogadores (você e seus concorrentes). Os jogadores precisam ter uma visão sistêmica de tudo que envolve o jogo e pensar nas estratégias com a finalidade máxima de ganhar e não perder o Rei (o cliente).
Considerando as tendências de mercado para os próximos anos, a habilidade mais importante dos enxadristas jurídicos residirá em como “vender serviços”, mas não somente isso! Ganhará o jogo quem souber construir e consolidar um conceito diversificado para que a banca se torne mais segura e forte em termos de sustentabilidade. Sem uma atuação estratégica em vendas jurídicas, correremos o sério risco de perder clientes, o nosso Rei. Consequentemente, poderemos nos ver à mercê da estagnação, ou pior, da redução do escritório, o “xeque-mate”.
Isso acontece por um motivo: o desprezo que muitos enxadristas advogados têm pela matéria. A pergunta que não quer calar é: como sua banca se sustenta? A resposta simples é: “De honorários, lógico!” Por isso, é preciso ficar claro que esses honorários são conquistados de maneira consciente por meio de vendas.
Confira sete aplicações do conceito no seu tabuleiro de xadrez:
- Vender produtos e inovadores no mercado jurídico;
- Vender serviços com o preço mais justo;
- Vender valor agregado, tornando os serviços mais valiosos;
- Vender ideias para se consolidar em uma área do Direito;
- Vender conceitos intangíveis;
- Vender projetos consultivos para clientes;
- Vender um conjunto de benefícios para a conquista de parcerias e alianças para fortalecer sua banca.
Assim como no xadrez, em vendas jurídicas não existe sorte, mas a exata colisão entre oportunidade com a preparação, entre estratégica e tática, entre inteligência e sabedoria. Saber vender é tão importante quanto o saber jurídico.
O equilíbrio entre esses dois conceitos é a receita para a vitória.
O RELÓGIO COMEÇOU A CONTAR...
Desenvolva um plano de metas dividido em duas partes. Uma que trate da captação direta de contratos de partido, contratos de risco e assim por diante. E outra parte sobre o capital intelectual que constrói a atmosfera adequada para que a marca jurídica se torne mais forte. Então, prepare seu lance perfeito!
Rodrigo Bertozzi é administrador especializado em escritórios de advocacia, MBA em marketing e sócio da Selem, Bertozzi & Consultores Associados.
Lara Selem é advogada, consultora em planejamento estratégico, composição societária e gestão de pessoas na advocacia, International Executive MBA pela Baldwin-Wallace College (EUA), especialista em gestão de serviços jurídicos pela FGV-SP e em Liderança de Empresas de Serviços Profissionais pela Harvard Business School (EUA), sócia da Selem, Bertozzi & Consultores Associados.
Revista Consultor Jurídico, 1º de fevereiro de 2013.
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