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sábado, 31 de agosto de 2013

TEXTO 195 - MEQUINHO - HENRIQUE MECKING.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
http://xadrezparaler.blogspot.com.br/search?updated-max=2012-01-05T01:58:00-08:00&max-results=7&start=14&by-date=false


QUARTA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2011

MEQUINHO - HENRIQUE MECKING

Top 3 do xadrez nos anos 70, Mequinho reza para voltar ao topo
Folha de São Paulo: CAROLINA ARAÚJO

A rotina de Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, 59, enxadrista que chegou a ser o terceiro melhor do mundo nos anos 70, está longe da agitação da época em que desfilava em carro aberto no Rio e era convidado para o programa do Chacrinha.

Hoje, o que move o jogador todos os dias são duas refeições, seis remédios homeopáticos, uma missa e horas de oração e estudo de xadrez. 

Mas, entre os tempos de herói nacional e a vida tranquila atual, o desejo de voltar a estar no topo do ranking mundial liga as duas épocas.

"Se eu chegasse de novo a ser um dos melhores, o país inteiro teria de me apoiar."

Mequinho vive hoje em Taubaté (140 km de São Paulo), em um apartamento de dois quartos e poucos móveis comprado no início do ano.

Mora com Tiago Pereira Rodrigues, 23, 203º lugar no ranking nacional, a quem apresenta como seu treinador e assessor nos treinos.

Sai pouco. Seu compromisso diário mais rígido é ir à missa --frequenta três paróquias diferentes--, hábito que segue mesmo quando disputa algum campeonato fora da cidade. Neste ano, jogou poucos. Lembra-se de um em Campinas, um na Espanha e outro em Santo André.
Mequinho se recusa a viajar para vários países, como a Rússia, um dos principais polos do xadrez mundial e de onde vieram alguns de seus maiores rivais nos anos 70.

"Há muitos lugares a que não quero ir. Só jogo em países em que me sinta bem pela situação política e religiosa, em que os cristãos não sejam perseguidos, onde haja liberdade e democracia." 

Na próxima semana, estará em Mogi das Cruzes, nos Jogos Abertos do Interior, disputa entre cidades --defende São Bernardo do Campo. Não revela quanto ganha para isso. Os melhores jogadores brasileiros costumam receber cerca de R$ 2.000 mensais.
Aumenta sua renda com palestras e simultâneas, eventos em que enfrenta vários rivais ao mesmo tempo.

Além do apartamento onde vive, tem um carro. Dinheiro, afirma, não é um problema. 
DOENÇA

Mequinho descobriu a religião na época em que se afastou do esporte que o consagrou. O motivo foi a miastenia grave, doença que afeta os músculos e que foi detectada no auge da carreira.

Em 1978, o gaúcho era o terceiro colocado do ranking da Fide (Federação Internacional de Xadrez), atrás dos russos Anatoly Karpov e Viktor Korchnoi (que, posteriormente, naturalizou-se suíço).
Mas a miastenia o fez abandonar os tabuleiros. No pico da doença, quando não tinha forças para mastigar ou escovar os dentes, Mequinho entrou para o movimento católico Renovação Carismática.

Nos anos seguintes, formou-se em teologia e filosofia, tentou ser padre ("Mas vi que não era esse o caminho"). E afirma que um milagre o levou à cura da doença.

Hoje, diz estar "quase bom". Reclama de cansaço, especialmente quando joga xadrez --voltou definitivamente ao esporte em 2000.

Se está disputando um torneio, acrescenta mais um remédio homeopático a seu arsenal diário. Já a alimentação é sempre a mesma: duas vezes por dia, só alimentos naturais e sem tempero.

Mequinho diz que só vai se curar totalmente "quando Jesus quiser". Mesmo assim, afirma estar "muito vivo". "Vou fazer 60 anos agora [em janeiro]. Muita gente não me dá essa idade e diz que eu tenho dez, 15 anos a menos."

As orações, segundo o enxadrista, não curaram apenas a miastenia. Enumera outros episódios que ocorreram após "rezar muito": a redução do grau da miopia, o conserto da sua geladeira ou a cura de uma fratura no dedo.

"Há jogos em que estou para perder, e Jesus e Nossa Senhora me salvam. Claro, nem sempre escapo, senão já seria o campeão do mundo."

O temor da derrota influencia até sua relação com os fãs. Não aceita dar autógrafos em planilhas de xadrez, onde são anotados os lances das partidas. "Tenho medo de que alguém bote lá que eu perdi."

Com a cura total da doença, espera voltar a estar entre os melhores do mundo. "Se eu disser que Jesus me curou e for o último em um torneio, não vão acreditar em mim."

Mas o topo do ranking mundial está distante. Mequinho é o 253º da lista, com 2.590 pontos, e o quarto colocado entre os brasileiros. Nos últimos dois anos, afirma ter subido 48 pontos no ranking. Faltam hoje 236 pontos para igualar o número um, o norueguês Magnus Carlsen, 20.

O brasileiro, porém, não usa a matemática e a lógica, mas a religião, para explicar como alcançará a façanha. Com relatos de aparições de Nossa Senhora em Medjugorje, na Bósnia, passagens bíblicas e a proximidade do "final dos tempos", diz como será a nova ascensão no xadrez. 
POLÍTICA

Do tempo em que era o terceiro melhor do planeta, feito nunca repetido no país, restaram lembranças do regime militar, que transformou Mequinho em herói nacional.
O enxadrista elogia o ex-presidente Emílio Garrastazu Médici (1969 e 1974), líder dos anos de chumbo da ditadura.

"O presidente Médici me ajudou muito. Era um homem inteligente, gostava de esporte. Em 1970, pedi a ele um cargo para deixar a faculdade em Porto Alegre, só jogar xadrez e tentar ser campeão do mundo. Ele disse: 'Sim, vou resolver seu problema'."

Mequinho foi nomeado no Ministério da Educação e se mudou em 1971 para o Rio.
No ano seguinte, tornou-se o primeiro grande mestre do país, em 1972, aos 19 anos, feito que o levou a desfilar pela cidade em carro de bombeiros com a bateria da Mangueira e a torcida do Flamengo.

Ainda ganhou dois importantes torneios da época, os Interzonais de Petrópolis (1973) e Manila (1976). Suas partidas saiam nos jornais.

Mas Mequinho, testemunha da influência que a Guerra Fria tinha sobre a elite do xadrez, também reclama das pressões daquela época.

"Os melhores do mundo sofrem uma perseguição muito grande. Veja o quanto o [Bobby] Fischer sofreu", diz, citando o americano, morto em 2008, que encerrou a hegemonia soviética ao virar campeão mundial em 1972.

Após virar símbolo dos EUA na Guerra Fria, Fischer abandonou o xadrez em 1975. Como Mequinho, tentou voltar décadas depois. Sem o mesmo sucesso de antes. 


Fonte: Jornal Folha de São Paulo http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1001991-top-3-do-xadrez-nos-anos-70-mequinho-reza-para-voltar-ao-topo.shtml



13 de janeiro de 1972 
Mequinho, o primeiro grande mestre do Brasil
A conquista do enxadrista Mequinho
Jornal do Brasil, Sexta-feira: 14 de janeiro de 1972


O brasileiro Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, tornou-se aos 19 anos o mais jovem grande mestre internacional de xadrez ao empatar com o romemo Victor Cocaltea no 15º movimento em partida válida pela 14ª rodada do torneio de Hastings, na Inglaterra. Depois de conquistar o título, o mestre desabafou: "Agora posso dormir tranquilo. Fiquei várias noites em claro, passando e repassando cada movimento no tabuleiro". De volta ao Brasil, Mequinho foi recebido no aeroporto pela bateria da Mangueira.

O maior enxadrista brasileiro aprendeu a movimentar as peças aos 5 anos, orientado pela mãe. Aos 12 anos, já havia ganho o campeonato gaúcho e, aos 13 anos, o brasileiro. Aos 15 anos, ao conquistar o Sul-Americano tornou-se o mais jovem jogador a vencer um campeonato continental, e em seguida sagrou-se o mais jovem Mestre Internacional da história do xadrez. O desempenho de Mequinho na juventude só é comparável a outros gênios, como o norte-americano Bobby Fischer e o russo Garry Kasparov. O brasileiro aos 18 anos chegou a empatar uma partida com Fisher, já naquela época considerado o mais forte enxadrista de todos os tempos.

Em 1978, atingiu a posição de terceiro melhor jogador de xadrez do planeta, com 2.635 pontos, na tabela da Federação Internacional de Xadrez, atrás apenas de Viktor Korchnoi, vice-campeão mundial, e de Anatoly Karpov, campeão mundial. Mas naquele mesmo ano Mequinho foi bruscamente obrigado a interromper sua carreira. O jogador foi acometido de miastenia, doença que ataca e debilita o sistema nervoso e os músculos. Desenganado pelos médicos, que disseram que ele poderia morrer a qualquer momento, ingressou na Renovação Carismática Católica e diz que ficou curado. Mequinho retornou às disputas internacionais em 2000, mas tem dedicado a maior parte de seu tempo à religião.

Fonte: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=25337

TEXTO 194 - MEQUINHO, PRONTO PARA VIRAR O JOGO.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
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Mequinho pronto para virar o jogo
Na base da fé e da homeopatia, grande mestre se recupera de doença e espera voltar a competir em alto nível
Ana Paula Garrido - O Estadao de S.Paulo

A doença de nome difícil - miastenia -, e tratamento mais difícil ainda, quase deu um xeque-mate em Henrique Mecking, o Mequinho. Foram 17 anos longe do mundo de torres, peões, rainhas e reis - de 1979 a 1991 e 1995 a 2000. Durante esses intervalos, arriscou algumas disputas, mas admite que não foi nada bem. Mas, agora, o discurso é diferente. Mequinho vem retomando, ainda devagar, a rotina de jogos. No ano passado, o melhor enxadrista que o Brasil já teve participou de três torneios e empatou por 2 a 2 com o melhor da América do Sul.

Para ele, a recuperação só foi possível graças a remédios homeopáticos, alimentação natural e oração, muita oração - mesma tática usada em jogos difíceis. "Já estive completamente perdido em quatro ou cinco disputas, mas, começo a rezar em voz baixa, Jesus fica com pena de mim e me salva", diz.

A ligação íntima com a religião - formou-se em teologia e participa do movimento Renovação Carismática, da Igreja Católica -, o faz assegurar que sua cura está próxima. "Estou quase bom. Há dez anos jogava muito pior do que agora", conta.

Mequinho aposta em cura ainda para este ano. "Na Bíblia diz: "Para Deus um dia é como mil anos e mil anos como um dia". Vou ser curado rapidamente."

O desejo é ser o mesmo de 1978, quando se sagrou o 3º melhor do mundo no ranking da Federação Internacional de Xadrez (FIDE). "Pretendo voltar a ser um dos melhores, até o primeiro", torce. A doença que atrapalha a ligação dos nervos com os músculos o faz perder força rapidamente após atividades física ou mental. "Os erros são por causa do cansaço. Além disso, demoro mais para me recuperar dos torneios."

A necessidade de intervalos mais longos impede a participação de Mequinho em campeonatos seguidos, que contam pontos para o "rating" internacional (ranking dos melhores do mundo). Cada partida vencida é somada na pontuação. Quando disputada com adversário de nível superior, até empate rende pontos. Em 1978, ele atingiu a marca de 2.635. Hoje, está longe dos primeiros lugares.

"Fui prejudicado porque houve uma grande inflação de "rating". A Federação deu pontos para mulheres e surgiram novos jogadores", reclama. Mesmo assim, Mequinho se orgulha da conquista, que o coloca na classe dos grandes mestres - acima de 2.500 pontos - para sempre. E afirma que, mesmo na época aguda da doença, nunca esteve abaixo disso.

Enquanto não volta a ter 100% de condições, Mequinho controla a ansiedade com a certeza de que o pior já passou. Quase morreu durante uma crise da doença em 1979. Na época, não conseguia mastigar e nem sair de casa, tamanha a fraqueza. "A empregada me dava comida na boca e um amigo escovava meus dentes", relata.

Como grande mestre de xadrez, Mequinho soube lidar com o tempo prolongado para se livrar da miastenia. Já são 31 anos, entre tratamento nos Estados Unidos e remédios diários, além de visitas às cidades milagrosas e participação em grupos de oração.

No entanto, a paciência não é a mesma para partidas mais longas. Prefere jogos mais rápidos realizados em sites como o Clube de Xadrez Virtual (ICC). "Fui dez vezes o numero um no ICC. Ali se reúnem os melhores do mundo e tem mais de 200 mil jogadores", orgulha-se.

A preferência por lances mais breves também é clara no livro em que fala sobre sua vida. Os 14 capítulos têm em média uma página e meia cada um.

Mesmo em conversas sobre xadrez, Mequinho sempre acha espaço para discursar sobre santos e teorias católicas. Tudo acompanhado de datas e nomes detalhados. Porém, a memória ainda não armazenou a senha para entrar no ICC, anotada num papel dobrado.

RECUPERAÇÃO

Para auxiliá-lo na fase de recuperação, Mequinho chamou o enxadrista Tiago Pereira Rodrigues. Enquanto o grande mestre fica na sala lendo sobre xadrez ou analisando partidas, o jovem Tiago, de 21 anos, sentado a frente de três computadores, reúne informações sobre os principais mestres e jogadas. Para o garoto, vale o aprendizado.

Acostumados a passar horas em frente a um tabuleiro, os dois só se enfrentaram uma vez, numa partida simultânea, quando Mequinho jogou com vários ao mesmo tempo. Tiago perdeu. Os dois se enfrentam mais no caratê, esporte que Mequinho pratica, assim como a corrida, para manter a forma.

Se depender de autorização médica, o mestre pode voltar logo. "Ele se encontra num grau bem estável, em condições de disputar campeonatos", afirmou o homeopata Luiz Eduardo Andrade. Disse que ele está preparado, com remédios mais fortes, para atividades intensas, como campeonatos, ou para enfrentar crises da miastenia.

Já o presidente da Confederação Brasileira de Xadrez, Pablyto Robert, desconfia que a retomada de Mequinho dê resultado. "Ele nunca deixou de ser um grande jogador, mas para brigar por títulos é difícil. Ele ficou muito tempo longe e a idade também é fator determinante no xadrez competitivo", aponta.

PLANOS

O primeiro passo de Mequinho este ano é conseguir um patrocínio de alguma cidade paulista para os Jogos Abertos do Interior. Ano passado, ficou em 3º lugar, por São Bernardo. A Secretaria de Esportes da cidade avisou que, por enquanto, não há nada programado sobre contratações para este ano.

Mequinho também aposta nas partidas simultâneas para se manter financeiramente. Seu desempenho é bom na categoria. "Não perco há 34 anos." A última participação foi em outubro, durante a Virada Esportiva, em São Paulo.

Por enquanto, o único compromisso acertado para 2010 será em março, em Caxias do Sul, durante a Festa da Uva. Apesar de não valer pontos para o ranking mundial, Mequinho pode jogar com grandes mestres, "entre eles, um da Ucrânia, que é campeão mundial de xadrez rápido".

O único enxadrista brasileiro que chegou a ser o terceiro melhor do mundo ainda não consegue definir uma data para sua volta definitiva. Mas mantém a esperança e se esforça para continuar com o raciocínio ativo. Questionado em quanto tempo percorria quatro quilômetros, Mequinho ainda não havia se preocupado em cronometrar sua corrida, praticada duas vezes por semana. Tratou, porém, de calcular um valor aproximado, por meio do tempo médio para a distância de 2,5 km. Chegou ao intervalo entre 16 e 18 minutos.




GRANDE MESTRE
Nome: Henrique Costa Mecking
Nascimento: em 1952, na cidade de Santa Cruz do Sul (RS)
Idade: 58 anos
Quando começou: aos 6 anos

Principais conquistas:
1959: Vice-campeão de São Lourenço do Sul (RS)
1964: Campeão gaúcho
1965: Campeão brasileiro
1967:Título de Mestre Internacional
1972: Título de Grande Mestre Internacional
1978: Terceiro melhor jogador de xadrez do mundo
2005: Segundo lugar no Torneio Zonal 2.4 da Fide
2006: Campeão invicto do Torneio de Lodi (Itália)
2010: Completa 34 anos de invencibilidade em partidas simultâneas no Brasil

TEXTO 193 - MAGNUS CARLSEN, O GAROTO DE MEIO MILHÃO (1/2 OU 0,5) DE JOGADAS.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
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MAGNUS CARLSEN

Xadrez
O garoto de meio milhão de jogadas
Revista VEJA, Alexandre Salvador

Essas são as possibilidades que o norueguês Magnus Carlsen, o novo número 1 do ranking, enxerga diante do tabuleiro. Aos 19 anos, ele é o grande nome de uma geração de enxadristas criada com os recursos dos computadores

APRENDIZADO VIRTUAL Carlsen, grande mestre desde os 13 anos, só treina com softwares: ele não se lembra se tem em casa um tabuleiro convencional

Diante de um tabuleiro de xadrez, o norueguês Magnus Carlsen é capaz de proezas notáveis – principalmente para um jovem de apenas 19 anos. Sua memória guarda meio milhão de jogadas possíveis. Isso significa dispor de resposta pronta para praticamente qualquer lance do adversário. Não bastasse esse imenso arsenal, ele também consegue prever os vinte lances seguintes de uma partida, de acordo com suas movimentações iniciais e as de seu adversário. Carlsen encarna um personagem que gozava de grande popularidade num passado não muito distante – o gênio do xadrez. Até a década de 90, as disputas entre os grandes enxadristas eram televisionadas e eletrizavam o planeta. Os jogadores eram festejados como heróis e tinham seus passos seguidos com curiosidade. O interesse pelo xadrez diminuiu consideravelmente.

Magnus Carlsen, pela precocidade e pela velocidade com que vem galgando degraus na carreira, é o primeiro enxadrista em condições de virar celebridade desde então. 
Em 2004, com apenas 13 anos, Carlsen derrotou o antigo campeão mundial, o russo Anatoly Karpov, e empatou com o também russo Garry Kasparov, então o número 1 do ranking da Federação Internacional de Xadrez (Fide). No mesmo ano, recebeu o título de grande mestre, a mais alta qualificação de um enxadrista, equivalente à faixa preta nas artes marciais. No ano passado, Carlsen venceu dois torneios cruciais, um na China e outro na Inglaterra, e a recompensa veio no início deste mês. A Fide o colocou na primeira posição no ranking global dos jogadores de xadrez. "Desde a aposentadoria de Kasparov não surgia um jogador de primeiro time que fosse carismático, que atraísse a simpatia do público, como Carlsen", disse a VEJA o americano William Hall, diretor executivo da federação americana de xadrez.
Magnus Carlsen é o grande nome de uma geração de enxadristas que guarda diferenças significativas com os campeões do passado. Boa parte da popularidade desfrutada pelo xadrez nos anos 60 e 70 se devia à exploração ideológica do jogo promovida pelos Estados Unidos e pela União Soviética durante a Guerra Fria. Os soviéticos foram os maiores campeões de xadrez no século XX, mas sua hegemonia era constantemente ameaçada pelos americanos, e as disputas se tornaram instrumentos de marketing na polarização entre capitalismo e comunismo. No século passado, apenas um americano, Bobby Fischer, conquistou o título de campeão mundial de xadrez, em 1972, derrotando o russo Boris Spassky. A partida entre ambos, que durou um mês e meio e foi acompanhada atentamente em todos os quadrantes do planeta, ganhou o apelido grandioso de "o jogo do século".
Boris Spassky x Bobby Fischer 


A característica da geração de enxadristas a que pertence Magnus Carlsen é que ela foi forjada sob forte influência dos computadores e dos softwares de xadrez. Numa entrevista recente, Carlsen não soube dizer se tinha em casa um tabuleiro de xadrez convencional – seu treino, que lhe toma de seis a oito horas diárias, é todo feito com o computador. Em maio de 1997, causou enorme repercussão a derrota de Garry Kasparov na partida que disputou com o supercomputador Deep Blue, construído pela IBM. Parecia incrível que a inteligência cibernética sobrepujasse a humana. Mal se sabia o que estava por vir. Naquele tempo, os programas de xadrez eram apenas grandes bancos de dados de jogadas, anteriormente catalogadas em livros para consulta. Com o avanço da tecnologia e a chegada da internet, os softwares ficaram mais espertos. Além de ser possível atualizá-los com os lances das partidas recém-jogadas, o computador já pode simular o estilo de jogo dos melhores enxadristas, ou seja, imitar soluções criadas por jogadores de carne e osso. "Com os programas de xadrez atuais, é muito difícil vencer a máquina, tanto por sua velocidade de processamento de dados quanto pela qualidade dos lances", diz o enxadrista carioca Darcy Lima, detentor do título de grande mestre e membro do conselho da Fide. 
Isso significa que, para derrotarem os computadores, os jogadores têm de ser mais inteligentes? Não necessariamente. Disse a VEJA o psicólogo cognitivo Fernand Gobet, da Universidade Brunel, em Londres, autor de pesquisas que relacionam o xadrez com a inteligência de seus praticantes: "Hoje está provado que o QI não é fator decisivo para se tornar um grande jogador de xadrez. O mais importante é começar a jogar o mais cedo possível, ter motivação para aprender sempre mais sobre o jogo e treinar muito. Só assim se chega a guardar na memória meio milhão de jogadas". Essa foi a trajetória percorrida por Magnus Carlsen. 
Fonte: Revista VEJA » Edição 2149 / 27 de janeiro de 2010

TEXTO 192 - JOVENS MESTRES.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
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JOVENS MESTRES
REVISTA ISTOÉ N° Edição: 2096 | 08/Janeiro/2010
Cada vez mais novos, eles treinam xadrez pela internet e se superam a cada geração
PERFIL : Norueguês, 19 anos, grande mestre pela Federação Internacional de Xadrez (Fide)
FUTURO: É treinado pelo célebre russo Garry Kasparov 

Magnus Carlsen acabou de completar 19 anos, não lembra se tem um tabuleiro de xadrez em casa, mas é o número 1 no ranking internacional de grandes mestres do esporte, o título mais alto entre os enxadristas profissionais. Nascido na Noruega, é uma exceção entre os grandes que, tradicionalmente, vêm de países que investem dinheiro público no fomento do jogo e no treino de suas estrelas. Carlsen aprendeu o grosso do que sabe pelo computador e, até pouco tempo, raramente jogava no tabuleiro. Foi diante do monitor que ele sentiu despertar o interesse pelas combinações possíveis das 16 peças no tabuleiro de 64 nichos. Hoje, ele é pupilo do célebre russo Garry Kasparov, tido como o maior enxadrista profissional de todos os tempos. “Quando Carlsen se aposentar como jogador, ele terá mudado o xadrez de maneira considerável”, ponderou Kasparov, que nunca foi modesto, em entrevista à revista “Time”. Apesar de impressionante, a trajetória do norueguês ainda é curta e seu sucesso a longo prazo uma incógnita. Não foram poucos os que surgiram como grandes promessas não cumpridas.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

TEXTO 191 - LISTA DOS CAMPEÕES E VICE-CAMPEÕES BRASILEIROS DE XADREZ.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
http://www.tabuleirodexadrez.com.br/campeoes-brasileiros-de-xadrez.htm


Campeões Brasileiros de Xadrez

AnoLocalCampeãoVicePGN
11927Rio de JaneiroJoão de Souza MendesVicente Túlio Romanopgn
21928Rio de JaneiroJoão de Souza MendesWalter Oswaldo Cruzpgn
31929Rio de JaneiroJoão de Souza MendesWalter Oswaldo Cruzpgn
41930Rio de JaneiroJoão de Souza MendesJosé de Lacerda Guimarãespgn
51933Rio de JaneiroOrlando Roças Jr.Alberto Gamapgn
61934Rio de JaneiroOrlando Roças Jr.João de Souza Mendespgn
71935Rio de JaneiroThomas Pompeu Acioli BorgesBorges Orlando Roças Jr.pgn
81938Rio de JaneiroWalter Oswaldo CruzOctávio F. Trompowskypgn
91939Rio de JaneiroOctávio F. TrompowskyWalter Oswaldo Cruzpgn
101940Rio de JaneiroWalter Oswaldo CruzOctávio F. Trompowskypgn
111941.Ademar da Silva Rocha.pgn
121942São PauloWalter Oswaldo CruzPaulo Duarte Filhopgn
131943Teresópolis e São PauloJoão de Souza MendesRaúl Herman Charlierpgn
141945Nova FriburgoOrlando Roças Jr.Flávio de Carvalho Jr.pgn
151947Porto AlegreMárcio Elísio de FreitasArrigo Prodocimipgn
161948Rio de JaneiroWalter Oswaldo CruzOswaldo Cruz Filhopgn
171949Rio de JaneiroWalter Oswaldo CruzMárcio Elísio de Freitaspgn
181950Rio JaneiroJosé Thiago ManginiEduardo Hasbum Asforapgn
191951FortalezaEugênio Maciel GermanLuiz de Campelo Gentilpgn
201952São PauloFlávio de Carvalho Jr.Eugênio Maciel Germanpgn
211953Rio de JaneiroWalter Oswaldo CruzJoão de Souza Mendespgn
221954São PauloJoão de Souza MendesNelson Dantaspgn
231956Rio de JaneiroJosé Thiago ManginiLuiz Tavares da Silvapgn
241957Rio de JaneiroLuiz Tavares da SilvaCarlos Rodrigues Peixotopgn
251958Rio de JaneiroJoão de Souza MendesSílvio Luiz T. Mendespgn
261959São PauloOlício GadiaJosé Thiago Manginipgn
271960FortalezaRonald CâmaraLuiz de Campelo Gentilpgn
281961VitóriaRonald CâmaraFrancisco Alves dos Santospgn
291962CampinasOlício GadiaEduardo Hasbum Asforapgn
301963RecifeHélder CâmaraAntonio Rochapgn
311964BrasíliaAntonio RochaHélder Câmarapgn
321965Rio de JaneiroHenrique MeckingJoão de Souza Mendespgn
331966Belo HorizonteJosé de Pinto PaivaHélder Câmarapgn
341967São PauloHenrique MeckingJosé de Pinto Paivapgn
351968São Bernardo do CampoHélder CâmaraAntonio Rochapgn
361969São PauloAntonio RochaHélder Câmarapgn
371970RecifeHerman Claudius van RiemsdijkAdaucto W. da Nóbregapgn
381971FortalezaJosé de Pinto PaivaEduardo Hasbum Asforapgn
391972BlumenauEugênio Maciel GermanFrancisco Ricardo T. Troispgn
401973SalvadorHerman Claudius van RiemsdijkAlexandru Sorin Segalpgn
411974Rio de JaneiroAlexandru Sorin Segal e Márcio Marcos Miranda.pgn
421975Caxias do SulCarlos Eduardo GouveiaHerman Claudius van Riemsdijkpgn
431976João PessoaJaime Sunye NetoHerman Claudius van Riemsdijkpgn
441977CuritibaJaime Sunye NetoHerman Claudius van Riemsdijkpgn
451978NatalAlexandru Sorin SegalCícero Nogueira Bragapgn
461979FortalezaJaime Sunye NetoCícero Nogueira Bragapgn
471980Nova FriburgoJaime Sunye NetoHerbert Abreu Carvalhopgn
481981São LuísJaime Sunye NetoGilberto Milos Jr.pgn
491982BrasíliaJaime Sunye NetoMarcos Paolozzi da Cunhapgn
501983São PauloJaime Sunye Neto e
Marcos Paolozzi Sérvulo da Cunha
 pgn
511984Cabo FrioGilberto Milos Jr.Alexandru Sorin Segalpgn
521985BrasíliaGilberto Milos Jr.Alexandru Sorin Segalpgn
531986GaranhunsGilberto Milos Jr.Rubens Alberto Filguthpgn
541987CanelaCarlos Eduardo GouveiaVitório Cheminpgn
551988São PauloHerman Claudius van RiemsdijkCícero Nogueira Bragapgn
561989FortalezaGilberto Milos Jr.Jaime Sunye Netopgn
571990Porto AlegreRoberto T. WatanabeSadi Glasser Dumontpgn
581991BebedouroEveraldo MatsuuraAron Antunes Corrêapgn
591992CuritibaDarcy Gustavo LimaJames Mann de Toledopgn
601993BrasíliaAron Antunes CorrêaGiovanni Portilho Vescovipgn
611994AmericanaGilberto Milos Jr.Jefferson Pelikianpgn
621995BrasíliaGilberto Milos Jr.Herman Claudius van Riemsdijkpgn
631996AmericanaRafael Dualibe LeitãoGiovanni Portilho Vescovipgn
641997Rio de JaneiroRafael Dualibe LeitãoGiovanni Portilho Vescovipgn
651998ItabiritoRafael Dualibe LeitãoGiovanni Portilho Vescovipgn
661999BrasíliaGiovanni Portilho VescoviEduardo Thelio Limppgn
672000TeresinaGiovanni Portilho VescoviDarcy Gustavo Limapgn
682001São PauloGiovanni Portilho VescoviEveraldo Matsuurapgn
692002Rio das Ostras e Ilha SolteiraDarcy Gustavo LimaRicardo Teixeirapgn
702003Rio de JaneiroDarcy Gustavo LimaEveraldo Matsuurapgn
712004São José do Rio PretoRafael Dualibe LeitãoGilberto Milos Jr.pgn
722005GuarulhosAlexander Hilario Takeda FierGilberto Milos Jr.pgn
732006GuarulhosGiovanni Portilho VescoviRafael Dualibe Leitãopgn
742007Rio de JaneiroGiovanni Portilho VescoviRafael Dualibe Leitãopgn
752008Porto AlegreAndré DiamantGiovanni Portilho Vescovipgn
762009AmericanaGiovanni Portilho VescoviGilberto Milos Jr.pgn
772010AmericanaGiovanni Portilho VescoviDiego Rafael Di Berardinopgn
782011CampinasRafael Dualibe LeitãoAlexander Hilario Takeda Fierpgn
792012Montenegro/RSKrikor Sevag MekhitarianEvandro Amorim Barbosapgn
O primeiro campeonato brasileiro foi realizado em 1927. Até 1943 os títulos foram decididos por matches. De 1945 em diante, os campeões passaram a ser apurados através de torneios. As exceções foram 1991 e 1998, quando se usou o sistema eliminatório. Houve alguns disputados pelo sistema suíço.
O campeonato de 1994 foi disputado em 1995.
Em 1941 não houve disputa e Ademar da Silva Rocha foi nomeado campeão, sete anos depois!
Em 1972, o vice-campeonato foi desempatado na cidade de Florianópolis, em dois turnos, entre Francisco Trois, Adaucto Wanderley da Nóbrega e Peter Toth.
Os campeonatos de 1973, 1978, 1988 e 1996 foram decididos por um desempate. O de 1973 foi realizado no mês de setembro na Academia de Xadrez Capablanca em São Paulo.
Em 1975, Segal e Miranda fizeram o desempate referente a 1974 em São Lourenço, MG. Após novo empate, os dois foram declarados campeões.
Em 1978, nada menos do que quatro jogadores ficaram na primeira colocação (Segal, Braga, Herman e Trois), mas Trois não jogou o desempate realizado em janeiro de 1979 na capital paulista.
Em 1983 não houve desempate entre Sunye e Paolozzi e, também aqui, os dois foram declarados campeões.
O desempate de 1988 foi disputado em Guarulhos, no mês de maio do ano seguinte.
O campeonato de 1993 jogou-se em janeiro de 1994. Aron Antunes Corrêa e Giovanni Portilho Vescovi terminaram empatados na primeira colocação, mas Aron Corrêa foi declarado vencedor, porque seu adversário não aceitou as condições do desempate.
No campeonato de1996, realizado no mês de dezembro em Americana, ocorreu um tríplice empate entre Rafael Leitão, Giovanni Vescovi e Darcy Lima. O desempate, em duplo turno, foi realizado de 24 de fevereiro a 1° de março de 1997, no Rio de Janeiro.

Campeãs Brasileiras de Xadrez